Polícia prende quadrilha que falsificava chassis

DA REDAÇÃO – Nove meses de investigação, 50 cidades, 130 protótipos identificados, nove pessoas presas e 14 veículos apreendidos em todo o Estado. Esse é o saldo parcial da “Operação Transformers”, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais para identificar uma quadrilha especializada na adulteração e regravação de chassis.

As prisões e apreensões vêm sendo realizadas desde 10 de janeiro deste ano. Dos protótipos identificados, 40 estão com mandados de busca e apreensão e o restante será periciado. Segundo o coordenador de Operações Policiais do Departamento de Trânsito de Minas Gerais, delegado Márcio Lobato, a base da fraude consistia na certificação por engenheiros e técnicos de empresas credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), de veículos que não poderiam ser caracterizados como de fabricação própria ou artesanal.

Os engenheiros Waldimir da Costa e Silva, 43 anos; Marcos Chaves Brasil, 47; Ronan das Neves Avelar, 50; e os técnicos Jair Eustáquio Júnior, 33; Cristiano José de Souza, 31; Wagner Abrantes, 38; Geraldo Alves Teixeira, 59; e Expedita da Costa Santos, 42, atuavam em empresas credenciadas pelo Inmetro na certificação veicular e em regravação de chassis.
 
Os veículos e motocicletas de luxo adquiridos como sucatas ou aqueles que sofriam pequenas alterações, ou ainda os que tinham algumas peças originais substituídas por outras de marcas diferentes permitiam à quadrilha apontar que não se tratava de um veículo produzido em série. Com base no Laudo de Segurança Veicular, eles eram emplacados e habilitados para circulação. A origem e aquisição desses veículos serão verificadas por meio de vistoria e perícia técnica, que vão apontar, por exemplo, se há alguma numeração subjacente aos chassis dos que foram apreendidos.

Prejuízo
Investigações revelam que a quadrilha vinha atuando há pelo menos cinco anos na fraude dos chassis. Dados do Detran indicam que há cinco mil protótipos em circulação no Estado. Calcula-se que o prejuízo aos cofres públicos foi da ordem de R$ 1 milhão, pois o Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é taxado em 4% do valor do veículo. Assim, o imposto desses veículos é calculado com base no valor declarado pelo proprietário e que é infinitamente menor do que o dos veículos apreendidos, alguns com custo estimado entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.

Em depoimento, os suspeitos admitem os crimes praticados, entre eles o de falsidade ideológica. Se condenados, podem cumprir pena de até cinco anos de prisão. Eles estão presos temporariamente no Ceresp/São Cristóvão, à disposição da Justiça. A Polícia Civil ainda trabalha para identificar outros envolvidos no esquema.
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