Fugitivo reage à prisão e é morto


Sérgio foi encontrado debaixo da cama do sogro
BUGRE - A reação do ajudante Sérgio Batista da Silva, de 29 anos, custou a sua vida na manhã de ontem. Considerado de alta periculosidade, ele teria tentado reagir à prisão no povoado de São Lourenço, zona rural de Bugre, e acabou morto com um tiro após esfaquear o cabo Donato. O militar disparou uma vez com uma submetralhadora 9 mm, acertando-o no tórax. Enquanto a namorada dele chorava a sua morte, moradores da região se diziam “aliviados”.

A tentativa de recaptura de Sérgio foi uma ação coordenada por policiais militares de Bugre e Iapu após várias tentativas para encontrá-lo. Eles foram para a rua Omar Coutinho, em São Lourenço, por volta das 4h30 e cercaram a casa do aposentado Fernando Antônio Caetano, de 59 anos, sogro do foragido. Os militares estavam munidos de um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Marcelo Gonçalves de Paula, titular da Comarca de Inhapim.
Porém, os familiares de Fernando autorizaram a entrada dos policiais alegando que Sérgio estava no quarto e armado. O cabo Donato conseguiu encontrar o foragido escondido debaixo da cama do sogro, quando recebeu uma facada no braço direito. Sérgio saiu do esconderijo com uma faca e revólver calibre 38, preparando-se para atacar novamente o policial. O militar disparou um único tiro com a submetralhadora, matando o fugitivo.

Autuação
O militar ferido foi encaminhado ao Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, e, após ser medicado, recebeu voz de prisão pelo crime militar. Ele foi autuado em flagrante no 14º Batalhão de Polícia Militar de Ipatinga. “Ninguém gosta destes trâmites legais, mas para a Polícia Militar o policial agiu em legítima defesa”, ressaltou o major Moisés Marinho, subcomandante do 14º BPM.

Arrolado como testemunha, o aposentado Fernando confirmou que o medo imperava junto às pessoas da localidade. “Ele bebia e não pagava. No meu bar o deixava tomar a cerveja, o conhaque, porém minha vida estava salva”, contou, revelando que no dia da eleição de 2004, Sérgio matou uma pessoa no quintal de sua casa no povoado de São Lourenço.

Wellington Fred


Namorada Sérgio, com as roupas de cama sujas de sangue, está inconformada com ação policial
Revoltada
O DIÁRIO DO AÇO esteve no povoado de São Lourenço, separado do distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura), em Belo Oriente, apenas pelo rio Doce. A namorada de Sérgio, Fernanda Pettersen Caetano, de 28 anos, conversou com a reportagem e se mostrou revoltada com a ação policial. “Ele tinha seus problemas, mas gostava dele. Almir (nome falso que Sérgio usava) não arrumava problemas aqui”, alegou a mulher, que conhecia o foragido há quatro anos.

Porém, em Iapu, várias pessoas que conheciam Sérgio “comemoravam” a sua morte. Muitos se aglomeraram em volta do carro funerário com o corpo de Sérgio, enquanto era providenciada na delegacia de Iapu a guia de entrada do cadáver no IML de Caratinga. “Esta noite vamos dormir tranqüilos, pois ele aprontava muito e era violento. Infelizmente não quero que pensem que estamos desejando algo ruim, mas é um alívio a morte dele”, desabafou o lavrador Dionísio Henrique, de 52 anos.

Dionísio sabe muito bem o que fala. O tio dele, Sebastião Manoel da Silva, de 77 anos, teria sido vítima de Sérgio. O foragido desferiu duas coronhadas na cabeça dele na terça-feira passada e roubou cerca de R$ 2 mil. Além disso, os policiais passaram os últimos meses na tentativa de prendê-lo, inclusive no dia 26 de outubro ele teria ateado fogo numa ponte de madeira construída pela Cenibra sobre o Córrego Rio Branco.

Wellington Fred


Policial mostra ferimento a faca provocado por Sérgio durante a tentativa de prisão
Homicídio e assalto na ficha criminal

O major Moisés Marinho estava de posse da Folha de Antecedentes Criminais (FAC) de Sérgio Batista da Silva. Com mais de dois metros de comprimento, nela constam várias passagens do foragido morto durante a abordagem policial no Córrego São Lourenço, em Bugre. Entre elas, condenação de 14 anos por um homicídio ocorrido em 2003 e também mais quatro anos de prisão por assalto.

“A vida pregressa nos fez supor que ele não se entregaria sem reagir, infelizmente”, comentou o oficial, subcomandante do 14º Batalhão de Ipatinga. O corpo de Sérgio foi levado para o Instituto Médico-Legal de Caratinga, pois Bugre pertence à jurisdição da 36ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Caratinga. O revólver do foragido e a faca foram apreendidos pelos peritos.
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