TV flagra execução de preso na "Sucursal do Inferno"

Detento é esfaqueado por colegas durante dia de visita

Fotos: TV dos Vales/Record


Vítima ferida desce as escadas segurando o local dos ferimentos...

FABRICIANO - Em menos de um mês é registrada outra execução na precária cadeia de Coronel Fabriciano. Wagner da Silva Cardoso, o Capixaba, de 33 anos, foi morto com vários golpes de chuço e de faca caseira na tarde de ontem. O crime ocorreu durante o horário de visita e parte da ação foi flagrada por uma equipe de TV que realizava uma reportagem sobre os problemas do presídio.

O homicídio na cadeia de tantas mortes ao longo de sua triste história ocorreu em um dia atípico. Pelas “leis” dos presos, em dia de visita, quando há mulheres e crianças, são proibidos atos violentos para não constranger os visitantes. Na tarde de ontem, os detentos desrespeitaram a norma, pegaram Capixaba e o levaram para o segundo andar da cadeia. Em um canto, vários presos o esfaquearam.

No momento da agressão, a equipe da TV dos Vales fazia uma matéria sobre a precariedade da cadeia. No Morro do Carmo, fundos do presídio, o repórter cinematográfico Max Goulart filmava o local no momento em que flagrou uma correria. O repórter Tiago Borges comentava sobre o presídio, quando Max focalizou Capixaba cambaleando.


...e deixa para trás um rastro de sangue
Ele desceu as escadas, deixando um rastro de sangue, e caiu próximo a uma mulher visitante. Assim que viu o estado do preso, ela gritou por socorro. Os presos e policiais civis colocaram Capixaba para fora da cadeia até a chegada do resgate do Corpo de Bombeiros. Os militares levaram a vítima para o Hospital Siderúrgica, porém ela não resistiu e morreu antes mesmo de receber atendimento médico.

O delegado Alexsander Esteves Palmeira, diretor da cadeia, lamentou mais uma morte no local. Ele acrescentou que fatos como o de ontem podem continuar acontecendo devido às péssimas condições da cadeia. “Não tínhamos informações de que ele estava sendo ameaçado. Vamos ouvir os presos e requisitar as imagens para ajudar nesta apuração”, adiantou o policial civil, que durante a noite passada acompanhou a reportagem na sede da TV dos Vales, em Coronel Fabriciano, juntamente com o delegado regional Sebastião Rodrigues Costa e outros delegados da região.


Detento cai próximo à mulher, que grita por socorro, alertando os policiais sobre o problema
Outra morte
No dia 27 de outubro, os presos da cela 14 mataram o ajudante Moisés Soares Magalhães, de 22 anos, com vários golpes de barra de ferro na cabeça. Apenas o vendedor Welton Ramos, de 22 anos, assumiu a autoria do crime. A vítima estaria com uma faca e, ao tentar atacar o vendedor, recebeu vários golpes de barra de ferro, chamada pelos presos de ‘pirulito’. O motivo da confusão: Moisés desceu da cama e esbarrou o pé na cabeça do acusado. O rapaz reclamou do encosto, o que provocou a ira de Moisés.

Depois de 24 horas, os presos tentaram matar os detentos que estavam na cela onde ocorreu o assassinato, com o objetivo de vingança. Foi necessária a intervenção de força policial com bombas e balas de borracha. Houve transferências para outras cadeias, porém dois deles acabaram mortos no Ceresp de Ipatinga após a mudança.


Corpo de Bombeiros socorre Capixaba e ele morre a caminho do Hospital Siderúrgica
Enquanto isso, a cadeia de Fabriciano, que teria capacidade para apenas 60 presos, está abrigando cerca de 200 indivíduos. Desse total, cerca de 120 detentos são condenados pela Justiça e poderiam estar numa penitenciária. O novo presídio, em construção no bairro Todos os Santos, só deve ficar pronto no fim de dezembro, caso não ocorra outro atraso.

Vítima era acusada de crime de tortura no presídio

Wagner da Silva Cardoso, o Capixaba, cumpria pena de 12 anos de prisão por homicídio contra Edson de Souza Pinheiro ocorrido em meados da década de 1990. Ainda de acordo com dados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele respondia, juntamente com outros 13 réus, entre eles a delegada Sandra de Oliveira da Silva, pelas agressões e a violência sexual cometida contra dois presos, H.P.A. e C.M.S., em abril de 2002.

C. teria violentado uma senhora idosa e paraplégica no Morro do Carmo e H. teria invadido uma casa para tentar estuprar uma outra mulher no Centro da cidade, no mesmo dia. Os presos da cela agrediram e violentaram os dois e, segundo a denúncia do Ministério Público da época, eles teriam sido incentivados indiretamente pela delegada. Ela estava de plantão e teria anunciado a chegada de ‘estupradores’.
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