‘Zuza’ pega 18 anos de cadeia

Carlos Eller/EM


Depois de 15 horas de júri, Zuza, que negou participação na morte da médica-perita, ouviu a sentença

VALADARES - O motorista aposentado José Alves de Souza, de 58 anos, o Zuza, ouviu no início da madrugada de ontem a sua sentença de 18 anos de prisão em regime fechado. Ele foi condenado em um longo julgamento de cerca 15 horas da Justiça Federal, acusado de intermediar a morte da médica-perita do INSS, Maria Cristina de Souza Felipe, de 56 anos. O crime ocorreu em setembro do ano passado, quando a vítima saía de casa, no bairro Ilha dos Araújo.

O Tribunal do Júri foi presidido pela juíza titular da 1ª Vara da Justiça Federal de Valadares, Denise Dias Dutra Drumond, e ocorreu no Salão do Júri emprestado pela Justiça Estadual. Zuza era o último acusado da morte de Maria Cristina a ser julgado pela Justiça Federal. Ele teve a missão de contratar o pedreiro Ricardo Pereira dos Anjos, o “Cacá”, que ‘sublocou’ o serviço para um adolescente de 17 anos, na época pagando-lhe R$ 500.

Maria Cristina era a chefe das perícias médicas do INSS de Valadares. Segundo as apurações da Polícia Federal, ela teria descoberto um esquema de fraudes na concessão de aposentadorias. Essa fraude estaria sendo comandada pelo também médico-perito do INSS, Milson de Souza Brige, com a ajuda de Zuza.

Cacá e Brige já foram condenados pela Justiça Federal. No mês de julho, o médico pegou 16 anos de prisão e ainda perdeu o cargo que possuía no INSS. Em setembro, Cacá foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e corrupção de menores. O adolescente-infrator cumpre medida socioeducativa em um centro de internação para menores em Teófilo Otoni.

Julgamento
Zuza negou em seu depoimento prestado no Tribunal do Júri ter participação no esquema que levou a médica Maria Cristina à morte. Ele contou que foi pressionado pela Polícia Federal, principalmente quando estava preso, para assumir envolvimento no crime. “Eles entraram na minha mente. Fiquei sabendo que mataram a Maria Cristina através da imprensa e achei uma barbaridade”, defendeu-se o réu.

Durante a parte da tarde de anteontem houve a leitura das peças e, por volta das 16 horas, tiveram início os depoimentos. Ao todo, 11 pessoas foram ouvidas, sendo que cinco na condição de testemunhas e outras seis como informantes. No início da noite iniciaram-se os debates entre advogados da acusação e defesa, que só se encerraram por volta de meia-noite. A juíza se reuniu com o Conselho de Sentença e, na votação, considerou Zuza culpado.

Denise Dias proferiu a sentença condenando Zuza a 18 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, já na primeira hora da madrugada de ontem. O advogado de defesa, Pedro Boaventura, que tentou tirar as qualificadoras, adiantou que vai recorrer da decisão junto ao Tribunal Federal, em Brasília.

Os familiares de Maria Cristina choraram por diversas vezes durante o julgamento e deixaram o local rapidamente após a juíza fazer a leitura da sentença condenatória. O marido, médico José Luiz Felipe da Silva, 58, disse que a justiça havia sido feita, apesar de não trazer de volta a mulher. “Para a família, não muda nada. Vai continuar o vazio”, comentou o médico para a imprensa.
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