Pivô de chacina vai a júri só em 2008

Fotos: Wellington Fred


Juliano, acusado de matar o policial, decidiu mudar de advogado

AÇUCENA - Ficou para o ano que vem o julgamento de Juliano Batista Ferreira, de 25 anos. O rapaz responde pelo homicídio triplamente qualificado do agente de polícia Lahyre Paulinelli de Magalhães, de 32. Outros acusados pelo crime, o irmão de Juliano, Pedro Júnior Cândido Alves Ferreira, de 22 anos, e Carlos Antônio de Brito Araújo, de 24 anos, seriam julgados na segunda-feira e também tiveram a sessão do Tribunal do Júri cancelada. O advogado deles, José Barbosa de Andrade, alegou problemas de saúde e apresentou um atestado médico de sete dias.

A vida tranqüila da pacata Açucena mudou na manhã de ontem devido ao julgamento de Juliano Batista. A Polícia Militar enviou para a cidade 15 policiais militares e providenciou o isolamento da rua onde está localizada a Câmara Municipal, onde iria acontecer o julgamento. “Achamos que o local, em acordo com o Judiciário, seria mais seguro e facilitaria o esquema de proteção”, disse o tenente Eliseu Barbosa.

Juliano chegou à cidade minutos antes de abrir a sessão do Tribunal do Júri em uma viatura do Cope (Companhia de Operações Especiais), grupo especializado da Subsecretaria de Administração Penitenciária. Os agentes estavam fortemente armados divididos em dois carros e protegidos por policiais militares na cidade. Mais gordo desde a última vez que ele foi preso, o réu entrou na Câmara com um colete à prova de balas.

A entrada de Juliano foi acompanhada por familiares de Lahyre, alguns com a camiseta estampada com uma foto do detetive assassinado, ao lado da viúva, Vanilza Mônica Barbosa Magalhães, de 31. Ela também estava no local, amparada por parentes e amigos. A dor da família em esperar justiça vai se prolongar até o ano que vem. “Não agüentamos mais a dor e vai se repetir tudo de novo”, disse Marta Helena Tomaz Xavier de Magalhães, 46 anos, cunhada da viúva e única a falar com a imprensa, afirmando que a falta do advogado seria uma manobra jurídica para atrasar o julgamento.

Abertura
A sessão do Tribunal do Júri foi aberta pela juíza substituta Maria Marli Braga Andrade, da Vara de Execuções Criminais de Ipatinga. A Comarca de Açucena está atualmente sem juiz titular. Para representar a acusação, o Ministério Público enviou de Belo Horizonte o promotor Luciano França. A promotora da Comarca, Renata Cerqueira da Rocha Limones, está afastada por problemas de saúde.

A juíza recebeu o atestado médico enviado pelo defensor de Juliano, advogado José Barbosa. Diante da situação, Maria Marli adiou o julgamento, mas antes perguntou ao réu se ele queria trocar de advogado ou manteria o atual. “Ele disse que gostaria de um novo defensor. Tomamos a decisão de nomear então para os próximos dias quatro defensores, dois de Açucena e dois de Ipatinga”, explicou a magistrada.

Além deste julgamento de ontem, foi adiado o Tribunal do Júri da próxima segunda-feira. Sentariam no banco dos réus o irmão de Juliano, Pedro Júnior, e o amigo dele, Carlos Antônio. Porém, José Barbosa também seria o advogado deles. “O julgamento deve ocorrer nos primeiros meses do ano que vem, decisão a ser tomada pelo juiz titular da comarca a ser nomeado. Estamos apenas substituindo e colocando os processos em dia”, acrescentou Maria Marli.


A vida pacata de Açucena mudou na manhã de ontem por causa do julgamento
O cancelamento provocou novo esquema de segurança para a saída de Juliano, que voltou para o Presídio Regional Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves. Antes de sair, ele demorou vários minutos no banheiro e entrou rapidamente no compartimento da viatura do Cope. O réu teria ameaçado uma das irmãs da vítima, dizendo que “ela morreria também”. A vítima solicitou o registro de um Boletim de Ocorrência (BO) pela Polícia Militar.

Morte de policial ocorreu após o furto de porcos

O DIÁRIO DO AÇO teve acesso à sentença de pronúncia dos réus acusados pela morte do policial Lahyre Paulinelli Magalhães. O Ministério Público denunciou pelo crime Juliano Ferreira Batista, o irmão dele, Pedro Júnior Cândido Alves Ferreira e ainda Andrelino Moreira Barbosa e Carlos Antônio Brito Araújo, baseando-se nas apurações policiais. Como Juliano estava foragido, o processo foi desmembrado para que os trâmites da Justiça continuassem.

Eles teriam chamado o agente de polícia pelo nome, na casa dele. Inicialmente, o crime teria sido motivado após Lahyre ter descoberto o suposto envolvimento dos acusados em furto de porcos do comerciante conhecido em Belo Oriente como “Zé do Açougue”, três dias antes.
A suspeita pelo crime seria para ocultar e garantir a impunidade pelo suposto furto e ainda uma suposta agressão sofrida pelos suspeitos do furto. Edmilson Dias Oliveira foi arrolado nas investigações sob suspeita de ter emprestado a arma utilizada por Juliano, revólver não localizado pelos policiais.

Diante das declarações e apurações, apenas Carlos Antônio e os irmãos Pedro Júnior e Juliano Batista foram pronunciados pelo assassinato do policial civil. O magistrado que respondia pela Comarca de Açucena inocentou Andrelino por falta de provas de seu envolvimento no crime, e também Edmilson Dias pelo crime de porte de arma.

Chacina de Belo Oriente completa um ano e 297 dias sem apuração

O agente de polícia Lahyre Paulinelli de Magalhães foi assassinado na noite de dia 6 de junho de 2005. O policial foi executado a tiros dentro de casa, na rua São Paulo, no bairro Novo Oriente, em Belo Oriente. A ação de Juliano Batista Ferreira não resultou em apenas a sua prisão diante da acusação da autoria dos disparos contra a vítima. Ele foi preso seis meses depois em Cacoal, Estado de Rondônia, por policiais civis.

Seus familiares passaram a sofrer perseguição. Eles foram hospitalizados com suspeita de envenenamento na água que é servida na residência. O fato aconteceu depois de policiais cumprirem um mandado de busca e apreensão. Um mês depois, o irmão de Juliano, o estudante Paulo Felipe Cândido Alves Ferreira, de 16, foi baleado nas costas com dois tiros de escopeta calibre 12, na rua 1º de Março, no Centro de Belo Oriente.

No dia 3 de janeiro de 2006, dois homens numa motocicleta assassinaram Jardel Cândido Alves Ferreira, de 27 anos. Após 11 dias, o alerta de algo pior que aconteceria com outros membros da família de Juliano não foi suficiente para evitar a Chacina de Belo Oriente. Ela ocorreu durante a madrugada de 14 de janeiro. Pelo menos cinco homens invadiram a casa dos pais do acusado, executores armados com pistolas calibre 380 e escopetas calibre 12.

Eles mataram a mãe de Juliano, Terezinha Caetana Batista Gomes, de 46 anos, o irmão dele, Paulo Felipe, que havia escapado da tentativa de homicídio meses antes, e ainda o ajudante Heraldo Ciro de Souza, de 25 anos, que namorava uma filha de Terezinha. A filha que estava grávida foi poupada, juntamente com uma sobrinha dela, de cinco anos na época. Apesar de várias investigações, inclusive comandas por policiais de Belo Horizonte, até o momento ninguém foi preso pelos crimes.
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