Último envolvido em morte de perita em julgamento

VALADARES - O julgamento do motorista aposentado José Alves de Souza, de 58 anos, pela morte da médica perita Maria Cristina de Souza Felipe, de 56, em setembro do ano passado, adentrou a madrugada de hoje. Zuza, como é conhecido, é o último acusado a ser julgado pelo crime. Ele teria intermediado o crime ao contratar o pedreiro Ricardo Pereira dos Anjos, o “Cacá”, para matar a chefe das perícias médicas do INSS de Governador Valadares.

As investigações da Polícia Federal apontam que Maria Cristina havia descoberto esquema de fraudes na concessão de aposentadorias, comandado pelo também médico perito do INSS, Milson de Souza Brige, com a ajuda de Zuza. Em julho, Brige foi condenado a 16 anos de prisão, que devem ser cumpridos inicialmente em regime fechado, pelo homicídio doloso duplamente qualificado.

Em denúncia do Ministério Público Federal, o médico foi acusado de ser o mentor do crime. Brige teve decretada ainda a perda do cargo de perito do INSS. Já em setembro, Cacá pegou 17 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e corrupção de menores. Ele teria pagado R$ 500 a um adolescente, na época do crime com 17 anos, que disparou os tiros contra Maria Cristina. O infrator cumpre medida socioeducativa em um centro de internação para menores em Teófilo Otoni.

Zuza
A sessão, presidida pela juíza titular da 1ª vara da Justiça Federal de Valadares, Denise Dias Dutra Drumond, começou por volta das 9h40, depois da escolha dos sete jurados que iriam compor o Conselho de Sentença. O julgamento iniciou com a leitura da denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) e parte do conteúdo foi contestado por Zuza. Como tática de defesa, ele negou envolvimento no assassinato de Maria Cristina, contradizendo o que falou anteriormente à polícia, que havia planejado a morte da perita porque ela estaria dificultando a concessão de aposentadorias e benefícios do INSS para seus “clientes”.

Zuza disse ontem que depois de se aposentar passou a ajudar pessoas pobres que vinham de várias cidades da região, principalmente da zona rural, que tentavam se aposentar. Ele disse que recebia em média R$ 40 pela ajuda prestada. “Só disse que era culpado porque fui pressionado pela polícia. Eles entraram na minha mente. Fiquei sabendo que mataram a Maria Cristina através da imprensa e achei uma barbaridade”, defendeu-se o acusado.

Diante do júri, Zuza também negou a acusação de que tenha contratado “Cacá” para assassinar Maria Cristina. Ele informou que o dinheiro dado ao pedreiro, cerca de R$ 3 mil, era o pagamento adiantado da construção de uma laje em sua casa. Zuza afirmou ainda que repassou pessoalmente o dinheiro ao pedreiro.

Despachante
A motivação do crime era que depois de assumir a chefia da Sessão de Perícias Médicas, Maria Cristina estaria dificultando a concessão de benefícios aos seus ‘clientes’. “Só recebia o dinheiro de quem passava pela perícia e a médica estava colocando as pessoas na rua sem fazer a consulta”, disse Zuza, que agia como um despachante.

Ainda ontem, ele afirmou que a PF chegou a organizar uma reunião na cadeia, fazendo com que seus familiares o forçassem a falar nomes de outras pessoas envolvidas no crime.
“Queriam que eu condenasse pessoas que não têm nada a ver com a morte da Maria Cristina. Em troca falaram que dariam a minha liberdade”, relatou o acusado, observado pelo marido e o filho mais velho da médica, que acompanharam o julgamento, que só acabou durante a madrugada de hoje, depois do fechamento desta edição.
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