Adiado julgamento de “João Caboclo”

Advogado de defesa falta ao júri e se justifica com atestado médico

Claudinei de Sá/TV dos Vales


O julgamento do ex-prefeito de Tarumirim, João Caboclo, foi remarcado para abril

TIMÓTEO - O julgamento do ex-prefeito de Tarumirim, João Correia da Silveira, o “João Caboclo”, de 50 anos, vai ter que esperar até o mês de abril do ano que vem. Acusado de ser o mandante da execução do aposentado Oliveira de Paula, 55 anos, ocorrida em 7 de outubro de 2006, João Caboclo teve o seu julgamento adiado na tarde de ontem. O advogado dele, Jayme Rezende, alegou estar doente e enviou um atestado médico para não comparecer ao Tribunal do Júri.

Oliveira de Paulo foi assassinado quando estava sentado na varanda de sua casa, no bairro Centro-Sul, em Timóteo. O acusado pelos disparos, o vaqueiro Adriano Rodrigues Miranda, o ‘Pitbull’, de 23 anos, teve o seu processo desmembrado e será julgado em separado do ex-prefeito de Tarumirim. O motivo do crime seria uma negociação de gado entre João Caboclo e Oliveira.

Adriano é um caso à parte e se encontra atualmente recolhido numa penitenciária do Estado. Por motivo de segurança, a polícia não informa o seu paradeiro. Ele quase foi morto em 10 de setembro, em Governador Valadares, baleado cinco vezes pelo cabo PM Marcos Almeida Araújo, na avenida JK, no bairro Vila Bretas, no que seria uma “queima de arquivo”.

O Fórum de Timóteo ficou movimentado no início da tarde, com policiais e conhecidos da vítima (entre eles, familiares de Oliveira) e do réu. João Caboclo chegou normalmente e sentou no banco dos réus escoltado por policiais militares. O juiz titular da Vara Criminal, Ronaldo Batista de Almeida, abriu a sessão, quando foi informado do não-comparecimento do advogado Jayme Rezende.

O defensor do ex-prefeito encaminhou um atestado médico para o juiz, que não teve outra alternativa senão cancelar o julgamento e remarcar uma outra data. Nos bastidores, comenta-se que a defesa teria realizado uma manobra jurídica. O atraso daria tempo para que Adriano fosse julgado primeiro que João Caboclo, o que deve ocorrer. O magistrado remarcou o júri do político para as 13h do dia 16 de abril do próximo ano.

Crime
No processo contra João Caboclo está configurado como vítima, além de Oliveira, Ednaldo Martins Freitas, que foi feito de refém por Adriano Pitbull logo após o crime. Após os disparos contra o aposentado, o pistoleiro teria obrigado Ednaldo a levá-lo no seu carro em fuga até Governador Valadares. A ação complicou o ex-prefeito de Tarumirm, pois o ligou ao crime e possibilitou a sua prisão pela equipe do delegado Francisco Pereira Lemos.

João Caboclo, preso juntamente com Adriano, negou envolvimento na morte de Oliveira alegando que a dívida pelo gado já estava paga. Porém, o pistoleiro teria confirmado o envolvimento do político que, revoltado, teria encomendado por R$ 60 mil a morte do delegado Lemos.  Também estaria na lista para ser morto o deputado Durval Ângelo.
João Caboclo é investigado por várias mortes na região Leste de Minas, um esquema que ficou conhecido “tele-morte”, devido os crimes serem encomendados pelo telefone.
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