“João Caboclo” senta hoje no banco dos réus

Arquivo


João Caboclo é acusado de ser mandante de um crime em Timóteo e ainda chefiar um esquema de execuções conhecido como tele-morte

TIMÓTEO - O Tribunal do Júri da Comarca de Timóteo terá hoje muito trabalho para julgar o ex-prefeito de Tarumirim, João Correia da Silveira, o João Caboclo, de 50 anos. Ele é acusado de ser o mandante da execução do ex-presidiário Oliveira de Paula, 55 anos, ocorrida em 7 de outubro de 2006. A vítima estava na varanda de casa, no bairro Centro-Sul, e foi morta a tiros. O motivo do crime, segundo o que foi apurado pela Polícia Civil, uma negociação de gado entre “João Caboclo” e o ex-presidiário.

O acusado pelos disparos é o vaqueiro Adriano Rodrigues Miranda, o ‘Pitbull’, de 23 anos, que por pouco não foi morto em setembro deste ano, possivelmente como queima de arquivo, em Governador Valadares. Adriano foi baleado no último dia 10, cinco vezes, pelo cabo PM Marcos Almeida Araújo, na avenida JK, no bairro Vila Bretas, no que seria uma “queima de arquivo”.

Apenas Caboclo vai sentar no banco dos réus hoje, com o Tribunal do Júri estando previsto para iniciar às 13h. Ele será presidido pelo juiz da Vara Criminal, Ronaldo Batista de Almeida, e deve ir noite adentro. O outro réu, Adriano, teve o seu processo desmembrado e deverá ser julgado no ano que vem.  Caboclo será defendido pelo experiente advogado Jayme Rezende.

No processo, além da vítima Oliveira, consta ainda Ednaldo Martins Freitas, feito de refém por Adriano logo após o crime. O acusado teria obrigado Ednaldo a levá-lo no seu carro em fuga até Governador Valadares, onde abandonou a vítima. A falha de Adriano Pitbull foi o uso do telefone deste rapaz. A Polícia Civil quebrou o sigilo telefônico do celular e chegou até o mandante do crime, no caso, João Caboclo que nega qualquer envolvimento na morte de Oliveira.

Mais acusações
O envolvimento de João Caboclo em outras mortes é investigado pela Polícia Civil. Adriano é considerado peça importante para a obtenção de informações que possam levar aos pistoleiros envolvidos e aos mandantes dos crimes na região. As informações ajudarão a resolver muitos casos de homicídios e atentados ocorridos em Valadares e região, entre eles a morte de Jânio Neves Campos, o “Índio”, crime ocorrida em Bugre. “Índio” teria sido pistoleiro do ex-prefeito de Tarumirim e por saber demais acabou assassinado.

Além da negociação de gado, o ex-prefeito estaria à frente de mortes de pessoas que pegaram dinheiro emprestado para irem trabalhar nos Estados Unidos e não quitaram. O político, segundo a polícia, cobrava o débito com a morte do devedor.  As execuções eram encomendadas por telefone. Por isso o esquema foi apelidado de “tele-morte”.

Apurou-se ainda que João Caboclo chegou a oferecer R$ 60 mil pela morte do delegado Francisco Pereira Lemos. O delegado foi o responsável por sua prisão. Além do policial, o político estaria encomendando a morte do deputado estadual Durval Ângelo (PT). Além de Caboclo, José Silveira, de 56 anos, irmão do ex-prefeito, é investigado pelos crimes.
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