Lemos cara a cara com o pistoleiro

Delegado confirma ameaças de morte em Governador Valadares

VALADARES - O delegado Francisco Pereira Lemos esteve ontem em Governador Valadares e ouviu o pistoleiro Adriano Rodrigues Miranda, o “Pitbull”, 23 anos, internado num hospital da cidade. Lemos e equipe foram os respons√°veis pela descoberta de um esquema de pistolagem envolvendo o ex-prefeito de Tarumirim, Jo√£o Correia da Silveira, o “Jo√£o Caboclo”, de 50 anos. O delegado recebeu determina√ß√£o da Superintend√™ncia da Pol√≠cia Civil, em Belo Horizonte, para apoiar a equipe de investiga√ß√£o da 5¬™ Delegacia Regional de Pol√≠cia Civil.

O titular da delegacia de Tim√≥teo vai ajudar na apura√ß√£o do atentado ocorrido em Governador Valadares, no √ļltimo dia 10, envolvendo um policial militar e que estaria ligado a um esquema de pistolagem chefiado por um ex-prefeito da regi√£o. A v√≠tima do militar foi Pitbull, baleado na garupa de uma motocicleta, na avenida JK, no bairro Vila Bretas.

O policial do Vale do Aço se reuniu com o delegado regional de Valadares, Marcos José de Paula. Em seguida, foi ao Hospital Municipal para conversar com Adriano, que confirmou ter recebido uma proposta de R$ 60 mil para matar o delegado. A proposta, segundo ele, teria partido do ex-prefeito de Tarumirim, João Caboclo. Mas o delegado Lemos disse que já sabia há muito tempo que queriam matá-lo, informação recebida de uma pessoa que mora nos Estados Unidos.

Esta pessoa ligou para Lemos e disse que estava sabendo que um homem rico da regi√£o estava juntando dinheiro para que o “servi√ßo” fosse feito. O motivo: a pris√£o de Jo√£o Caboclo. Este homem seria Jos√© Sena da Silveira, irm√£o de Jo√£o Caboclo. A descoberta sobre as execu√ß√Ķes que teriam sido ordenadas por “Jo√£o Caboclo” come√ßou depois da morte de Oliveira de Paula, em outubro do ano passado, em Tim√≥teo. Uma conversa por telefone entre Adriano e o ex-prefeito de Tarumurim levou os investigadores at√© ao mandante do crime, que teve como motiva√ß√£o, segundo o delegado, d√≠vidas pela compra de gado na fazenda de “Jo√£o Caboclo”.

Outras pessoas envolvidas na negocia√ß√£o pela compra do gado estavam marcadas para morrer. Uma das v√≠timas, conhecida como “Getrim”, √© moradora da cidade de Sobr√°lia (MG), onde Adriano teria passado cerca de uma semana pesquisando meios para mat√°-la. Adriano j√° havia confessado, no final do ano passado, que cobrava R$ 5 mil pelas mortes.

Arquivo vivo
O delegado definiu Adriano como um “arquivo vivo” e que deve ser protegido. Durante sua pris√£o, no ano passado, Adriano chegou a comentar com o delegado que n√£o ficaria preso, pois seu “patr√£o” √© uma pessoa influente e poderia at√© pagar pela libera√ß√£o dele. Lemos lembrou que apesar de estarem em liberdade, Adriano e “Jo√£o Caboclo” ir√£o a j√ļri popular em novembro pela morte de Oliveira.

Lemos esteve duas vezes no Hospital Municipal conversando com Adriano. Uma pela manh√£, quando conversou informalmente com o rapaz, que est√° sob escolta policial, e outra √† tarde, quando o delegado tomou o depoimento de “Pitbull”. O objetivo era tentar recolher novas informa√ß√Ķes a respeito do atentado do √ļltimo dia 10, na avenida JK, no bairro Vila Bretas, quando Adriano foi baleado pelo cabo Ara√ļjo, da PM.

Sindicato do crime
O ocorrido pode estar ligado ao esquema de pistolagem denunciado anteontem pelo deputado estadual Durval √āngelo (PT), presidente da Comiss√£o de Direitos Humanos da Assembl√©ia Legislativa de Minas Gerais, que esteve em Valadares e definiu o esquema como uma esp√©cie de “Sindicato do Crime”. Segundo o delegado de Tim√≥teo, o deputado tamb√©m teria sido jurado de morte e Adriano receberia R$ 100 mil para mat√°-lo, possivelmente tamb√©m a mando de “Jo√£o Caboclo”.

“Nessa nossa conversa de hoje (ontem), o Adriano ratificou praticamente tudo o que havia falado antes. Que era pistoleiro do ‘Jo√£o Caboclo’ e do Jos√© Sena, e que, a mando dos dois, j√° matou cinco pessoas, e n√£o 16 como ele havia me dito antes (ao prestar depoimento quando foi preso em 2006). As v√≠timas seriam de Tim√≥teo, Valadares, Caratinga e do Bugre”. Segundo o delegado, tamb√©m estavam na “lista negra” do pistoleiro um policial militar de Iapu e um candidato a prefeito de Tarumirim.

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