Proposta de R$ 60 mil para matar delegado

Antônio Cota/Diário do Rio Doce


Deputado Durval Ângelo confirmou a existência de um sindicato do crime

VALADARES - A vida do delegado Francisco Pereira Lemos, de Timóteo, vale R$ 60 mil. É a revelação feita ontem do vaqueiro Adriano Rodrigues Miranda, o ‘Pitbull’, de 23 anos, ao deputado estadual Durval Ângelo (PT). Ele está baleado desde o último dia 10 por um PM em Governador Valadares. O rapaz também responde pelo homicídio de um ex-presidiário em Timóteo. É a descoberta de um ‘sindicato do crime’, como frisou o deputado, com um esquema de pistolagem que começou a ser revelado no Vale do Aço.

Adriano foi baleado no último dia 10, cinco vezes pelo cabo PM Marcos Almeida Araújo, na avenida JK, no bairro Vila Bretas, no que seria uma “queima-de-arquivo”. A existência de um “sindicato do crime” foi uma das constatações feitas pelo deputado estadual Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
O deputado esteve ontem em Valadares para conhecer o programa Gênesis-Gevê Vivo, de combate a homicídios, executado pelo Grupo Integrado de Intervenção Estratégica (GIIE), trabalho que reúne as polícias Militar e Civil.

Entre os crimes praticados pelo suposto “sindicato” está o de pistolagem, que começou a ser identificado em setembro do ano passado, em Timóteo, pelo delegado Francisco Lemos. O policial apurou pelo menos 16 homicídios em Valadares e cidades como Inhapim, Timóteo, Tarumirim e Caratinga. Um dos crimes descobertos por escuta telefônica foi envolvendo o ex-prefeito de Tarumirim, João Correia da Silveira, o “João Caboclo”, de 50 anos.

Dívidas
As motivações das execuções seriam dívidas e aliciamentos de pessoas para imigração ilegal e eram encomendadas por telefone. Por isso o esquema foi apelidado de “tele-morte”. “As pessoas viajavam para os Estados Unidos e não tinham como pagar a dívida. Elas eram pressionadas no exterior e o mesmo acontecia com seus familiares aqui no Brasil”, explicou o deputado.

Para o parlamentar da Comissão de Direitos Humanos, a organização é “complexa” e possui ramificações. “Temos crimes ocorridos em várias cidades e essa organização é grande. Durante as apurações vamos ter surpresas”, revelou Durval Ângelo.

O coronel Hudson Ferreira Bento, comandante da 1ª Região da Polícia Militar, disse haver indícios de envolvimento de policiais militares no esquema. “Neste momento não há como apontar nomes e citar pessoas, mas tudo está sendo investigado”, disse ele, ressaltando que há, no momento, dois Inquéritos Policiais Militares (IPM) abertos para apurar essas informações.

A descoberta do esquema de pistolagem começou após o delegado Lemos prender “João Caboclo” e Adriano “Pitbull”. Os dois são acusados de serem mandante e executor, respectivamente, na morte do ex-presidiário Oliveira de Paula, 55, ocorrida em 7 de outubro de 2006, em Timóteo. A vítima estava na varanda de casa, no bairro Centro-Sul, e foi morta a tiros. O motivo do crime, segundo o que foi apurado pela Polícia Civil, seria uma negociação de gado entre “João Caboclo” e o ex-presidiário.

Vaqueiro foi baleado em “queima-de-arquivo”

O deputado Durval Ângelo esteve no Hospital Municipal e conversou com o vaqueiro Adriano Rodrigues Miranda, internado sob forte esquema de segurança. O parlamentar acredita que o crime ocorrido no início do mês foi uma “queima-de-arquivo”. Adriano seria um dos pistoleiros do ex-prefeito “João Caboclo” e um dia antes de ser baleado (último dia 9), esteve na propriedade de José Silveira, de 56 anos, irmão do ex-prefeito.

Adriano teria ido ao local, no Córrego do Dourado, em Tarumirim, para cobrar uma dívida de R$ 4 mil referente a um dos “serviços” que ele teria executado a mando de “Caboclo”. No local houve um homicídio e o vaqueiro escapou por pouco da morte. “Há uma rede grande envolvida e Adriano seria um dos pistoleiros que faz parte deste ‘sindicato da morte’”, disse o deputado.

O baleado aproveitou e revelou ao deputado que recebeu uma proposta de R$ 60 mil para matar o delegado Lemos. “Ele confirmou também a existência de um plano para me matar, pois fui um dos incentivadores da investigação desse esquema de pistolagem e o autor da execução seria o irmão do ex-prefeito”, afirmou o deputado.

O vaqueiro conta que teria reconhecido o cabo Araújo como sendo a pessoa que atirou nele, na noite do dia 9. “Ele disse que tinha sido orientado pelo advogado a não dizer que havia identificado o PM, mas agora disse que vai contar tudo o que sabe”, contou Durval Ângelo.

Peça importante
“Adriano é peça importante para a obtenção de informações que possam levar aos pistoleiros envolvidos e aos mandantes dos crimes”, completou o deputado. As informações ajudarão a resolver muitos casos de homicídios e atentados ocorridos em Valadares e região, entre eles a morte de Jânio Neves Campos, o “Índio”, crime ocorrido em Bugre. “Índio”, segundo o deputado, foi pistoleiro do ex-prefeito de Tarumirim e por saber demais acabou assassinado.

O delegado Francisco Lemos foi avisado que sua “cabeça está a prêmio” pelo próprio deputado. Ele adiantou ao DIÁRIO DO AÇO que estará hoje, em Valadares, recolhendo mais informações junto a Adriano. “Veio a determinação de Belo Horizonte para a gente apurar estas graves denúncias. Iremos amanhã (hoje) com minha equipe”, afirmou o policial. (Com informações de Wellington Malini/Diário do Rio Doce)
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