Polícia frustra ação do PCC no Vale do Aço

Grupo teria ligação com o PCC e iria resgatar preso em Ipaba

Wellington Fred


Submetralhadora e armas semi-automáticas foram encontradas com os acusados

IPATINGA - Uma ação ousada planejada por marginais de fora da região, possivelmente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), preocupou a polícia no Vale do Aço. A quadrilha planejou realizar o resgate de Osmanir José Peixoto, de 42 anos, que estava de passagem na penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba. Anteontem ele foi levado para o Fórum da Comarca de Inhapim, onde foi julgado e condenado por homicídio. Foram presas cinco pessoas e um arsenal foi apreendido em poder dos acusados.

A operação, comandada pessoalmente pelo tenente-coronel Sebastião Pereira de Siqueira, comandante do 14º Batalhão, durou todo o dia de terça-feira e madrugada de ontem. Os policiais foram informados do plano de resgate. “O Serviço de Inteligência montou campana na avenida Esperança, no bairro Esperança, onde estaria concentrado o grupo”, contou Siqueira ao DIÁRIO DO AÇO durante os trabalhos da PM.

Os militares avistaram o Fiat Marea, placas CWG-5084, de Belo Horizonte, com seus ocupantes saindo de um barraco de número 1.004. Eles perceberam que seriam abordados e imprimiram alta velocidade no veículo. Houve perseguição por várias ruas de Ipatinga até o Contorno Rodoviário. Na fuga eles tentaram se desfazer das armas de fogo e farta munição que levavam no Marea.

Viaturas da 85ª Companhia Especial de Timóteo, comandadas pelo sargento Eliziário e com os cabos Godói e Marconi, soldados Ferreira, Mendes e Flávio, juntamente com veículos da Polícia Militar Rodoviária, composta pelo cabo Costa e soldado Wilson, montaram o cerco no Contorno Rodoviário, em Timóteo.

Com o uso de um caminhão, os policiais conseguiram parar o Marea ocupado por Cláudio Camargo da Silva, 30 anos, residente em Belo Horizonte, e Ricardo Rolim Raphael, de 24 anos, morador de São Paulo. A dupla hospedou-se num hotel de luxo na avenida Pedro Linhares, no bairro Iguaçu, e deixou o carro com as armas parado por algum tempo no estacionamento do Shopping.

Reprodução


Agnaldo, que está foragido, teria dado apoio aos bandidos

Armamento
Para surpresa dos policiais foram recolhidas ao longo do Contorno, na altura do bairro Amaro Lanari, uma submetralhadora caseira calibre 9 mm, chamada na bandidagem de ‘macaquinha’, três pistolas semi-automáticas, uma de calibre 380 e duas de 9 mm. Uma delas é belga e as duas estão com a numeração raspada. Os militares encontraram ainda uma escopeta calibre 12 e um revólver calibre 38, além de várias caixas de munição que se espalharam pela estrada.

Os policiais cercaram a casa de onde saiu a dupla presa, onde também estava o valadarense Daniel Luiz da Silva, 27 anos, juntamente com Luana Macedo Lopes, 19 anos, e Valdinéia Santos Gonçalves, 26 anos, moradora de Conjunto Sir, em Governador Valadares, que seria casada com um preso conhecido como Flamarion, que está recolhido em uma penitenciária do Estado.

Na casa de Daniel foi apreendida uma pistola calibre 380 com 13 cartuchos. Ele é oriundo de Valadares e tem no corpo as marcas do envolvimento no crime, uma paraplegia. O rapaz não movimenta as pernas e porta bolsa de colostomia após ser baleado oito vezes. “Ele está há pouco tempo morando em Ipatinga e estaria dando apoio para bandidos na região”, informou o tenente-coronel Siqueira.

Envolvidos
A ação da PM não parou por esta casa. Os policiais foram em busca de mais cinco pessoas envolvidas no plano do resgate, que seria realizado por sete pessoas. Os outros estariam em dois carros, mas não foram encontrados. Eles foram identificados apenas como ‘Filhão’, ‘Dom’, ‘Mineiro’, ‘Neguinho’ e ‘Paulista’. Eles estariam numa Cherokee de cor preta, placas de Diadema, e em um Santana de cor prata, placas de Campinas, todos pertencentes ao PCC.

Outra espécie de base, conforme a PM, foi localizada durante os trabalhos. É um apartamento na avenida das Flores, no bairro Bom Jardim. O local é apontado como ponto-base do grupo de um paulista conhecido apenas como Agnaldo. Moram no local ele, a mulher e uma criança. Os policiais apreenderam uma porção de maconha e computador.

Os detidos foram encaminhados para a 1ª Delegacia Regional de Ipatinga juntamente com o armamento apreendido. O delegado regional Sebastião Rodrigues Costa informou que autuou Daniel, Cláudio e Ricardo por porte ilegal de arma de fogo e todos os outros por formação de quadrilha. Ainda ontem, segundo o delegado, os presos seriam transferidos para Belo Horizonte por medida de segurança.

Wellington Fred


Daniel, preso no Esperança, é suspeito de dar apoio ao bando

Alvo do resgate é réu em homicídio de 1995

O alvo da quadrilha para a operação de resgate seria Osmanir José Peixoto, que, segundo dados da Polícia Civil, responde por um homicídio ocorrido na Comarca de Inhapim em 7 de dezembro de 1995. Ele teria matado Joaquim de Paula. Osmanir foi julgado anteontem no Fórum de Inhapim e condenado a nove anos de prisão. Ele estaria recolhido em São Paulo, sendo transferido para Minas Gerais apenas para o julgamento.

Assim que a PM foi informada da ação da quadrilha, o comando do 14º Batalhão enviou reforços para os agentes da penitenciária Dênio Moreira de Carvalho encaminharem o réu para o Tribunal do Júri. “Eles tentaram o resgate, mas não contavam que havia escolta de policiais militares fortemente armados”, ressaltou o comandante do 14º BPM, tenente-coronel Sebastião Siqueira.

O delegado regional Sebastião Rodrigues revelou ao DIÁRIO DO AÇO que o Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) já estava levantando os nomes dos envolvidos na operação de resgate.

Os detidos não quiseram conceder entrevistas. Alegaram apenas que não sabem de nenhum resgate a preso. Porém, a reportagem acompanhou a conversa de Daniel com o cabo Moisés, quando confirmou a intenção do grupo em resgatar Osmanir das mãos da Justiça. “Não tenho envolvimento com eles, apenas chegaram em casa rapidamente com as armas e falaram sobre o resgate”, disse Daniel.
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