Manifestantes vão para a rua pedir manutenção da Operação Lava-Jato

Belo Horizonte está na lista das cidades onde houve registro de grandes mobilizações populares neste domingo

Tomaz Silva/Agência Brasi


A maioria das capitais brasileiras teve protestos neste domingo

O domingo (25) foi marcado por manifestações em defesa da Operação Lava-Jato, em todo o Brasil. Belo Horizonte está na lista das cidades que tiveram grandes manifestações. A Praça da Liberdade foi o palco da concentração de manifestantes. Segundo os organizadores do Movimento Vem para Rua, em torno de 15 mil pessoas participaram do atona capital mineira.

Em Coronel Fabriciano, uma tímida manifestação inseriu o Vale do Aço entre as cidades que tiveram protestos a favor da Operação Lava Jato, na defesa do juiz federal Sérgio Moro e contra os deputados que desfiguraram o projeto de lei que previa punição pela prática do caixa dois de campanha.

Com bandeiras pedindo a continuidade das investigações e a aprovação das 10 medidas elaboradas pelo Ministério Público contra a corrupção, as pessoas se vestem com camisas do Brasil ou camisas verde e amarelas. A parte central da práça já está tomada. Representantes do Movimento Vem Pra Rua pedem uma pressão sobre o Congresso para que as medidas do pacote sejam aprovadas.

O advogado Eduardo Cordeiro Lopes, 56 anos, se fantasiou de Sérgio Moro e trouxe uma Constituição. "O que fazemos na rua hoje é defender nossa Constituição. Seu artigo 37 prevê a moralidade dos ocupantes de cargos públicos, seja no município, estados ou união. Moro tem defendido esse artigo com muita garra. É motivo de orgulho e deveria ser exemplo", diz o advogado, que é requisitado para fotos.

Foi montado um "varal da vergonha" com fotos dos deputados estaduais que já anunciaram que vão votar pelo arquivamento da ação contra o governador Pimentel, que está sendo muito atacado no ato.

"Esse é nosso recado, apartidário e geral para a classe política. Eles não acompanham o momento do país, que exige ética e moralidade de quem serve a população. Aos poucos vamos mudar a cultura dos nossos representantes", diz o engenheiro Alexandre Cardoso, 44 anos.

O servidor público Paulo Figueiredo, 55 anos, trouxe um boneco do "Super Moro": "Já que os parlamentares estão com medo das investigações e farão de tudo para atrapalhar o andamento da Lava-jato, cabe ao povo agir nas ruas para que a operação continue. Vamos defender a Constituição para que os corruptos sejam punidos", diz.
Ramon Lisboa/ EM DA Press


Mineiros se encontraram na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte


"O Congresso tenta intimidar os procuradores e juízes da mesma forma que aconteceu na Itália. Se deixarmos isso acontecer, vamos ter mais um caso de impunidade", diz Daniela Oliveira Cavalieri, 37, citando a Operaçao "Mãos Limpas".

Anna Maria, de 80 anos, se recupera de cirurgia, mas participa de mais um ato contra a corrupção: "Venho em todos os protesto desde o ano passado. Tenho vergonha de ver tanta gente corrupta levar o dinheiro do povo. É triste e revoltante", diz Anna. (Com informações da Agência Brasil e jornal Estado de Minas)

Por que os brasileiros estão voltando às ruas?

Os protestos deste domingo foram organizados pelos mesmos grupos que foram para as ruas em 2015 e este ano para pedir o "Fora Dilma", e contra a corrupção.
Ramon Lisboa/ EM DA Press


Para o engenheiro Alexandre Cardoso, à esquerda, a classe política não acompanha o momento do país


Desta vez, os protestos foram desencadeados porque, na madrugada de quarta-feira, os deputados federais desfiguraram o pacote de leis de combate à corrupção apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Os parlamentares incluíram uma emenda no texto que possibilita a punição de magistrados e integrantes do MP por crime de abuso de autoridade e retiraram outros itens do pacote, suprimindo ações que endureciam a legislação e simplificariam a tramitação processual em casos de desvios de verbas públicas.

Os procuradores que fazem parte da força-tarefa da Lava-Jato reagiram no mesmo dia e dispararam contra a Câmara. Os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos dos Santos Lima chegaram a dizer que, “caso a proposta de intimidação de juízes e procuradores se tornasse lei”, eles renunciariam coletivamente às investigações e abandonariam a operação.
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Comentários

Clayton 05 de Dezembro, 2016 | 08:21
Juntos com esses poucos que protestaram nas ruas, estão outros milhões que apoiam a causa, e que tem pensamentos em comum.

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