Motivo de queda de helicóptero no Rio permanece desconhecido

Comando da PM garante que manutenção de aeronave estava em dia e aguarda perícia da Aeronáutica

Marcelo Carnaval / O Globo


Helicóptero da PM é derrubado durante confronto com bandidos na Cidade de Deus

Uma perícia preliminar feita no helicóptero da Polícia Militar, que caiu sábado, no Rio de Janeiro, aponta que a aeronave não foi alvejada por tiros disparados por traficantes em guerra na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

A autópsia feita nos corpos dos quatro PMs mortos na queda da aernave também aponta que eles morreram em decorrência do impacto. As informações são do porta-voz da PM, major Ivan Blaz, divulgadas na tarde deste domingo (20).

"A documentação pertinente à manutenção da aeronave está em poder do comando da PM e está OK. Mas é muito prematuro que venhamos a falar sem a perícia da aeronáutica. Ela é fundamental para que a gente possa identificar as causas da queda da aeronave", afirmou Blaz.

Perguntado se pode ter havido falha humana, já que os policiais estavam sob forte pressão, ele respondeu que os PMs tinham experiência nesse tipo de voo. "Estamos falando de policiais que trabalhavam há vários anos em operações aéreas. Falar isso neste momento seria até um desrespeito com esses agentes", afirmou Blaz.

Sobre o acidente

Quatro policiais militares morreram na queda do helicóptero da PM carioca, próximo à Favela Cidade de Deus, na zona oeste, no início da noite de sábado (19). Na hora da queda, a unidade aérea dava suporte a equipes em terra, no momento em que ocorria intenso tiroteio entre grupos criminosos rivais.

Morreram, o capitão capitão Willian de Freitas Schorcht, de 37 anos, piloto do helicóptero, o major Rogerio Melo Costa, de 36 anos, o subtenente Camilo Barbosa Carvalho, de 39, e o terceiro-sargento Rogerio Felix Rainha, de 39.

Imagens das câmeras do Centro de Operações Rio mostraram policiais militares junto ao helicóptero do Grupamento Aeromóvel (GAM) da Polícia Militar, que ficou bastante destruído. Não há ainda informações se a aeronave foi abatida ou se teve uma pane.

"Ainda não temos informações sobre isso. Somente a perícia poderá confirmar o que ocorreu", afirmou o major Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar.

O último caso semelhante ocorreu no Engenho Novo, em 2009, durante uma guerra entre facções, quando um helicóptero caiu e dois policiais morreram.

Segundos depois da queda da aeronave, entretanto, um áudio circulou nos grupos de Whatsapp dos criminosos, com comemorações. “Derrubamos o Águia. A favela é nossa de ponta a ponta”, dizia o criminoso aos gritos.

Desde sexta-feira (18) foram registrados intensos confrontos entre milicianos e traficantes da favela Cidade de Deus.
Na manhã deste sábado, eles voltaram a se enfrentar e traficantes bloquearam a Rua Edgard Werneck, que dá acesso à favela, com pneus lixeiras e tacaram fogo. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora trocaram tiros com os criminosos. O helicóptero da PM dava apoio à operação policial.

Nas redes sociais, moradores relataram o dia de tiroteios. "A bala tá comendo na CDD. Só escuto os cara da Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) gritando: 'Sai da rua morador'", escreveu um rapaz, uma hora antes de o helicóptero cair.

Um traficante postou uma foto, com um fuzil. "Nada mudou. Nós 'tá' na pista", escreveu. A Linha Amarela foi fechada por duas vezes para o tráfego, ao longo do dia. À noite, voltou a ser fechada novamente, após a queda do helicóptero. Moradores filmaram a movimentação de traficantes sobre um viaduto próximo ao helicóptero. Saía fumaça da aeronave e outros policiais já a cercavam

Em 2009, dois policiais morreram e três ficaram feridos após um helicóptero da Polícia Militar realizar um pouso forçado no Morro dos Macacos. A aeronave, parcialmente blindada, havia sido atingida por tiros durante uma operação policial. Além dos tripulantes mortos, um capitão da PM foi baleado na perna e outros dois policiais tiveram queimaduras leves.
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