22 de outubro, de 2016 | 06:00

Turma do Funil

Divulgação
Depois de uma semana fértil em emoções, - Copa do Brasil, derrota do Fluminense no tapetão, convocação da Seleção Brasileira, sapeca-iá-iá do Barcelona de Messi no Manchester City de Guardiola -, voltamos ao Campeonato Brasileiro.

Outra história, outro contexto, mas de muita pobreza técnica, “segue o jogo” como diria o Milton Leite do “Sportv”, nosso campeonato pelo menos gera casos surpreendentes, como este Botafogo, que antes de a bola rolar era um dos mais fortes candidatos ao rebaixamento, porém como se fosse carga de melancias, se ajeitou em movimento e, hoje, briga por vaga na Libertadores, após promover a técnico um jovem promissor, Jair Ventura, o filho de Jairzinho, o “Furacão” do tri no México.

Além do Internacional, combalido e desgastado, que lutando para sair do Z-4, dirigido por um técnico, Celso Roth, tido como limitado e acabado, bate Flamengo e Santos, dois candidatos ao título e vagas na Libertadores, classificando-se para a semifinal da Copa do Brasil, além de ter boas chances de escapar da degola.

Então, neste domingo, teremos a disputa a 32ª rodada do Brasileirão, com os holofotes da mídia nacional voltados para a reabertura do Maracanã, onde vão jogar Flamengo x Corinthians, os dois clubes de maior torcida no país.

O Atlético vai a campo com a necessidade de vencer o Figueirense, um dos mais fortes candidatos ao rebaixamento, depois do sufoco no Sul para derrotar nos pênaltis o fraco Juventude, clube queacaba de subir para a sgunda divisão nacional, classificando-se novamente, na base do tranco, à semifinal da Copa do Brasil.

Mais do que a obrigação de vencer para se manter vivo na disputa pelo título, o Atlético precisa fazer uma boa exibição, apagar a péssima imagem de time desequilibrado na defesa, uma das piores do campeonato, com 40 gols sofridos; e com um futebol coletivo, diminuir a dependência de seus valores individuais para ganhar jogos.

O Cruzeiro entra em campo logo mais, muito pressionado, fora de casa, contra o Vitória, um adversário direto na luta contra o rebaixamento, pois caso seja derrotado o adversário poderá ultrapassá-lo e, neste caso, o time mineiro poderia voltar ao Z-4, o que definitivamente não está mais nos planos celestes.

Pra ser sincero, não vejo nada de extraordinário, nada além da conta, nos ocupantes atuais do G-6, que seriam hoje nossos representantes na Libertadores de 2017. Abro apenas uma pequena exceção para o Palmeiras, que através do trabalho tático de grupo feito pelo técnico Cuca, - e não do cartola Alexandre Faria como sugerem alguns puxa-sacos da imprensa festiva de BH -, tem mantido uma regularidade que o sustenta de forma incontestável na liderança, caminhando a passos largos para conquistar merecidamente o título. Sem favor algum, o Palmeiras é o único dos seis primeiros que conseguiu manter o padrão de jogo e a consistência até aqui, após 31 rodadas.

Ainda sobre o Palmeiras, vale destacar que, até a rodada passada, neste Campeonato Brasileiro, o clube superou a marca dos R$ 30 milhões em bilheteria. A marca ultrapassa, inclusive, a soma de outros dez clubes da série A: Sport, Vitória, Santa Cruz, Coritiba, Chapecoense, Fluminense, Figueirense, Botafogo, Ponte Preta e América. Juntos, eles não chegam a R$ 28 milhões.

Outro detalhe que chama a atenção é que o “Verdão” paulista arrecadou mais do que Cruzeiro e Atlético juntos, cujas rendas somadas chegam a R 16,7 milhões. A taxa de ocupação do Palmeiras no atual Brasileirão é de 75%, comparável a de grandes do futebol europeu como o alemão Bayern, Juventus da Itália e Real Madrid. Desse total de público que lota sua Arena em todos os jogos, 62% são sócios-torcedores, mas mesmo assim o Palmeiras foi eliminado por um time de reservas do Grêmio e está fora das semifinais da Copa do Brasil.

O tribunal da CBF erra até mesmo quando acerta, pois não dá para entender porque esperou tanto tempo para dizer ao Fluminense o óbvio, que o errado não pode ser o certo.

O assoprador de apito Sandro Meira Ricci não relatou os incidentes do Fla-Flu na súmula e o delegado do jogo negou
que o tenha informado sobre a imagem da TV, no lance do gol de empate anulado do tricolor. Então, fica o dito pelo não dito, e a vida segue no nosso futebol tupiniquim. Pelo menos sem asteriscos.

O jornalista Antônio Melane lembrou muito bem, numa publicação em seu blog, pois a partir desta 32ª rodada, vai entrar em cena o que se convencionou chamar de “mala branca”, ou seja, a premiação ou “incentivo” para que times já rebaixados ou quase lá, tirem pontos atazanando a vida de quem almeja alguma coisa na disputa. Me faz lembrar a velha marchinha de carnaval chamada “Turma do funil”, cuja parte da letra diz assim: “Chegou a turma do funil/ Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto”. (Fecha o pano!).
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