Rede Estadual de Ensino Profissional registra mais de 14 mil matrículas

Em todo o estado, 107 escolas oferecem cursos técnicos em 13 áreas de atuação

Segov/ MG

Os cursos da área de Informática estão entre os mais procurados no ensino profissionalizante
Determinada a ampliar a oferta de educação profissional no estado, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) criou a Rede Estadual de Educação Profissional. Desde agosto, 107 escolas aptas a atender demandas identificadas no plano de atendimento já disponibilizam cursos em 13 áreas (até dois por escola) nas 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs). Nessas escolas, se matricularam 14.257 alunos que estão cursando ou já concluíram o Ensino Médio. A partir deste mês de outubro, o curso de Enfermagem também passa a fazer parte do cardápio de opções profissionalizantes.

A ideia, segundo Rafael de Freitas Morais, da Superintendência de Desenvolvimento da Educação Profissional da SEE, é que, até 2018, 300 escolas ofereçam educação profissional em suas unidades. A proposta está em sintonia com o Plano Nacional de Educação (PNE), Lei 13.005/2014, do Ministério da Educação (MEC), que definiu 20 metas e estratégias para a educação nos próximos dez anos.

As metas 10 e 11 propõem que, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, sejam na forma integrada à educação profissional e que nos próximos dez anos tripliquem as “matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no segmento público”, afirma Morais.

Seguindo orientação da SEE e das SREs, as escolas, em seus planos de atendimento para 2016, indicaram demandas de suas comunidades com relação ao ensino profissionalizante.

As ofertas dos cursos técnicos em Administração, Agente Comunitário de Saúde, Cooperativismo, Informática, Informática para Internet, Logística, Marketing, Recursos Humanos, Secretaria Escolar, Secretariado, Serviços Públicos, Transações Imobiliárias, Enfermagem e Massoterapia observaram as limitações orçamentárias e capacidade física de atendimento. Por necessidade de laboratório específico, o curso de Enfermagem será incorporado à rede, ainda neste mês, após a SEE adquirir todos os equipamentos. O processo de aquisição encontra-se em andamento.

Como explica Rafael Morais, a proposta é que sejam criados centros de referência em educação profissional, iniciando pelas escolas Polivalentes (83 no estado), acrescidas de outras cinco com ensino exclusivamente profissional, em Belo Horizonte (Bairro Horto), Brazópolis, Itajubá, Teófilo Otoni e Caxambu. A ideia é que se somem às outras que já possuem infraestrutura adequada para receber a modalidade de ensino profissionalizante.

Cursos

Cada escola teve a oportunidade de indicar até dois cursos que são oferecidos em duas modalidades: concomitante ao Ensino Médio, abrigando alunos de outras escolas; e subsequente, para quem já concluiu o Ensino Médio, inclusive para alunos não oriundos da rede pública. As escolas poderão optar também pela formação de turmas mistas. Os recursos são exclusivos do tesouro estadual.

Entre os cursos, os mais procurados são das áreas de Informática, Administração e Enfermagem. Os três primeiros laboratórios de enfermagem serão constituídos nas escolas estaduais Bolívar Tinoco, no Ribeiro de Abreu, em BH (SRE Metropolitana A); Nossa Senhora da Conceição, em Ribeirão das Neves (SRE Metropolitana C) e Celso Machado, Milionários (SRE Metropolitana B), também em Belo Horizonte.

Diretor da Escola Estadual Professor Zoroastro Vianna Passos, em Sabará, Leonardo de Souza Lima, atesta o 'sucesso' do ensino profissionalizante. “Já tínhamos histórico de cursos profissionalizantes desde 2009. Com esse novo estímulo, com a criação da rede, reunimos a comunidade e o colegiado para indicar os cursos com maior demanda. Estamos com três turmas de Administração e um de Agente Comunitário de Saúde. A procura extrapolou a expectativa e tivemos que sortear as vagas disponíveis”, conta.

Os cursos oferecidos pela manhã e à tarde são concomitantes ao Ensino Médio e duas turmas, à noite, são subsequentes, formadas por maioria de ex-alunos.

Para Rafael da Silva Pereira, de 17 anos, cursando o 1º ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães, no bairro Alípio de Melo, a oportunidade veio em boa hora. “Estava sem trabalho e optei pelo curso de Técnico em Informática. Já tinha alguns conhecimentos, mas o curso nos dá oportunidade de conhecer melhor as ferramentas e nos facilita o acesso a elas”, avalia.

Marcus Vinicius de Avelar Diniz, professor de Lógica de Programação e Informática, explica que, “com duração de um ano e meio, trabalhamos em três módulos voltados para o raciocínio lógico e programas específicos”. Aprender sobre redes e a lidar com processos e crimes virtuais, conhecer formas positivas de utilizar tecnologias, além de computação, são os objetivos dos cursos de informática, conforme informações da coordenadora do curso, Iasmini Duarte da Fonseca.

A professora de Administração, Empreendedorismo e Gestão Empresarial nas escolas de Sabará e Alípio de Melo, Érica Faria, diz que o foco é preparar os estudantes para o mercado de trabalho, “tanto como administrador quanto empreendedor. Despertar olhar crítico sobre o que é gestão e entender sobre produtos, custos e público alvo”, observa.

Magistério

Os dados do Sistema Mineiro de Administração Escolar (Simade) informaram, em setembro, que a SEE disponibilizava 22 mil matrículas no curso de Magistério, em 458 escolas das 47 SREs. Somente para o segundo semestre de 2016, foram autorizadas aberturas de 110 novas turmas.

Mesmo não classificado como curso técnico, conforme catálogo de cursos técnicos, divulgado e revisado anualmente pelo MEC, a criação de turmas para essa modalidade “obedece à lógica dos cursos profissionais”, explica Rafael Morais.

A autorização de novas turmas atende às demandas previstas nos planos de atendimento articulados entre as escolas e os municípios, uma vez que o curso é voltado para formação de profissionais para a educação infantil, com o município oferecendo, em contrapartida, estágios em suas unidades de ensino, conforme acordado nos Termos de Cooperação assinados anualmente entre a SEE e as prefeituras.

Desde 13 de junho um grupo de trabalho, orientado pela coordenadora de curso Normal em Nível Médio, da Diretoria de Apoio da Educação Infantil da SEE, Rosely Lúcia de Lima, vem estudando mudanças no conteúdo curricular para o Magistério. Reunindo professores, técnicos e especialistas da Educação que trabalham com Educação Infantil e formação de professores, o grupo estuda mudanças adequadas às Diretrizes Curriculares Nacional para a Educação Infantil, publicada em 2009.

“O curso vigente se baseia em princípios pensados ainda em 2008, e houve muitas mudanças no ensino infantil, desde a publicação das diretrizes”, explica Rosely. “Precisamos orientações e conteúdos que atendam a essa nova realidade”, completa.

Um documento finalizado pelo grupo de trabalho deverá ser encaminhado para apreciação e sugestões das SREs, para que as mudanças possam ser implementadas a partir de 2017.

(Com informações: Agência Minas)
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