Preso morreu no presídio de Ipatinga com dois tiros de pistola nas costas; família pede apuração
19/09/2016 às 07:34
Com atualização às 18h28
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Rebelião começou por volta de 2h desta segunda-feira, no Ceresp
Um preso morto e oito feridos, várias celas completamente destruídas e transferência dos presidiários. Esse foi o resumo de uma rebelião iniciada às 2h desta segunda-feira (19) no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) em Ipatinga.
Os motivos da rebelião são diversos e vão desde a superlotação até suposto constrangimento ao qual são submetidos os familiares em visita nos fins de semana.
Na madrugada, os presos conseguiram tomar o controle do presídio e foram todos para fora das celas, colocando fogo em tudo o que era possível queimar no interior da cadeia. Paredes de celas foram derrubadas.
Conforme nota da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), o Grupamento de Intervenção Rápida (GIR) e o Comando de Operações Especiais (COPE) teve que entrar em ação. Com a resistência dos presos houve disparo de armas de fogo com munição letal.
A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e o Samu foram acionados ainda na madrugada e foram para o local. Logo no começo da manhã, antes mesmo da retomada do controle da cadeia pelas forças de segurança, foi confirmada a morte do preso Eduardo Henrique de Souza, de 24 anos.
Como não havia marcas visíveis de ferimentos pelo corpo, inicialmente acreditava-se que ele teria inalado fumaça e morrido por asfixia. Entretanto, na tarde desta segunda-feira, familiares afirmaram ao Diário do Aço que Eduardo Henrique de Souza tinha, nas costas, duas marcas de tiros de pistola calibre 40 e cobraram apuração dos fatos.
Wellington Fred + reprodução
Eduardo Henrique de Souza, apareceu morto no fim da rebelião no Ceresp, em Ipatinga
No velório que ocorre em uma igreja, na rua Ilhéus, bairro Veneza II em Ipatinga, familiares não escondem a indignação com a morte de Eduardo Henrique. Eles explicaram ao Diário do Aço que não vão descansar até que seja definida a responsabilidade na morte do preso.
Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) respondeu apenas que "as investigações estão a cargo da Polícia Civil".
Com ferimentos variados foram socorridos em carros do Samu e dos Bombeiros, sob escolta da Polícia Militar, oito presos: Sávio Cândido de Andrade Costa; Samuel Santos; Juliano José de Souza; Jhony Rodrigues de Souza; Warley Pires da Silva; Kevim Ludmax Malta; Vagner Reis Amâncio e Patrick Diniz Lopes. Quatro foram atendidos e reencaminhados para a cadeia e outros quatro permaneceram sob observação médica.
Interdição
A estrutura física do Ceresp foi bastante danificada na rebelião. Também foi confirmada a transferência dos presos do sexo masculino. Ônibus iniciaram na tarde desta segunda-feira a remoção dos presos para diversas unidades prisionais na região.
Apenas as mulheres foram mantidas no local. O acesso ao Ceresp permaneceu bloqueado a cerca de 500 metros do portão principal. Centenas de familiares de presos foram para o local, ainda na madrugada. Houve tumulto por causa da falta de informações oficiais sobre o que ocorria no interior do presídio.
Histórico
A crise no sistema prisional no Vale do Aço vem de longa data e, conforme denúncias e reclamações enviadas ao Portal Diário do Aço ao longo dos meses anteriores, a rebelião naquela unidade era iminente.
Há cerca de um ano o Ceresp foi interditado para receber mais presos. Construída para abrigar 182 detentos, a unidade chegou a atingir cerca de 750 presos. A superlotação levou a Justiça a proibir o envio de novos presos para aquela unidade.
Em maio de 2015 foi inaugurado um anexo do Ceresp de Ipatinga, no município de Açucena, com capacidade para abrigar 80 presos, mas sem condições de atender a demanda, presos passaram a ser encaminhados para a penitenciária Dênio Moreira de Carvalho (PDMC), em Ipaba.
Com isso, a PDMC, que deveria receber somente presos condenados e que já foi considerada modelo em Minas Gerais, também já estaria superlotada e à beira do caos, conforme reiteradas denúncias encaminhadas ao Portal Diário do Aço.
Nota oficial da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap)
Na madrugada desta segunda-feira (19), por volta de 2h, agentes penitenciários do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional de Ipatinga, no Vale do Aço, interviram para controlar uma rebelião iniciada em um dos pavilhões da unidade.
A ação contou com o apoio do Grupamento de Intervenção Rápida (GIR) e do Comando de Operações Espaciais (COPE).
Os detentos iniciaram a rebelião quebrando aleatoriamente as celas na tentativa de efetuar uma fuga em massa. Presos de outras galerias aderiram ao movimento e começaram a quebrar as paredes.
O detento Eduardo Henrique de Souza foi encontrado morto. A perícia da Polícia Civil já foi realizada para apurar a causa da morte.
Outros oito detentos sofreram ferimentos e foram encaminhados para Unidades de Pronto Atendimento. Até o momento nenhuma fuga foi registrada.
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Sem ferimentos pelo corpo,preso pode ter morrido por asfixia
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Rebeliao de presos no Ceresp de Ipatinga começou por volta de 2h desta segunda-feira
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Preocupados, familiares de presos aparecem a todo momento na avenida de acesso ao Ceresp
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Público foi contido em uma área a cerca de 500 metros do portão principal do Ceresp