16 de setembro, de 2016 | 14:56
Educar em Tempos de Grandes Mudanças
Luiz Antônio Fagundes
Fala-se de mudanças, reformas, ensino a distância, novas metodologias e tecnologias avançadas. No entanto o novo cenário clama por um ensino customizado, vivenciado em startup universitária, que envolve professores, alunos e ambiente educacional, permitindo a formação de um profissional hábil, crítico e ético.Fala-se em educar, mas o que é educar? Educar é dom divino, requer sabedoria derivada da vocação, talento, motivação, vontade, preparação e ação; está na alma, é para quem gosta de gente e realiza-se com o crescimento do outro.
Educar é a arte de compreender e entender os desejos do aluno, capacitando-o para pensar. Pensar, criar, agir, contribuir, crescer, realizar-se e melhorar continuamente. Educar é mais que lecionar. Lecionar é expor a matéria. Educar é ensinar a matéria e influenciar na construção da personalidade e da profissão do aluno. Lecionar é finito e transitório, educar é infinito e perene, fica para sempre.
Educar é despertar sonhos, fertilizar para florescer, é entender que o aluno precisa da boa vontade do professor, compreendendo suas carências, seus problemas diários, suas ansiedades, suas desilusões, reconhecendo a importância do educando do jeito que ele é.
O aluno vai à escola buscar compreensão, amparo, informação, esperança, realização plena. Mas que realização? Aquela que o educando acha que é. Somos diferentes em valores e desejos. Pensamos, agimos, valorizamos e queremos coisas diferentes.
Educar é desprender do foco pessoal para descobrir o foco do aluno, trabalhando suas características e orientando-o no aperfeiçoamento de seus dons, para que possa alcançar aquilo que deseja, ajudando-o a crescer naquilo que gostaria, de forma ética e decente. Não adianta forçar a barra para que o aluno seja o que somos, goste do que gostamos.
Somos diferentes, e pessoas diferentes exigem tratamentos distintos, personalizado, especial. Não há nada mais desigual do que tratar alunos diferentes de forma igual. Generalizar o tratamento é nivelar por cima ou por baixo.
Alguém sairá prejudicado. Alunos diferentes aprendem de forma diferente, em tempos distintos e desejam coisas diferentes requerendo, portanto, atenção específica do tamanho das suas necessidades.
Educar não pode ser visto como uma tarefa, um encargo, uma atribuição, um emprego passageiro até que se consiga outro melhor”.
A educação é a essência da sociedade; a escola e a tecnologia são ambientes para sua prática, o professor é o facilitador para a explosão do desejo de saber, e o aluno é o foco do ensino e aprendizagem.
Educar verdadeiramente é estilo de vida, e a qualidade da colheita passa, necessariamente, pelos princípios da integração, envolvimento, utilização e aferição.
O princípio da integração trata da inclusão do educando no ambiente de ensino, que é composto pela estrutura física da escola, gestores, tecnologia, funcionários administrativos, professores e colegas.
Se o princípio da integração tiver sido bem trabalhado, e sua prática uma realidade diária, o envolvimento ocorrerá automaticamente, o educando se sentirá parte do ambiente, que é o propósito dessa fase. Um educando envolvido demonstra comprometimento com a turma, buscando dialogar com os colegas, trocando informação, emprestando material, trabalhando em grupo, fazendo brincadeiras saudáveis, expondo ideias, questionando, sugerindo.
O aluno quer aprender coisas nas quais ele vê utilidade, aplicação na vida pessoal e profissional. O conteúdo que o educador ensina para seus alunos deve ser útil, contribuir de alguma forma para melhorar suas vidas. Não pode ser pura formalidade, carrinho da alegria, cumprimento de grade curricular, obrigação legal.
O educador deve associar sua disciplina às ocorrências cotidianas. Ao ensinar, use exemplos da escola, do bairro, da cidade, da comunidade, da família, fazendo fusões, averiguações, comparações, enfim, mostrando para o educando que aquilo que está estudando será útil no decorrer de sua vida.
O princípio da aferição é a fase da colheita, e bons frutos virão se educador e educando houver se comportado de forma integradora e comprometida, como determina o processo ensinar e aprender. Ao corrigir uma avaliação, dê mais sim do que não, valorize os detalhes, o raciocínio, o desenvolvimento. Aprender é aprender a pensar, usar os recursos disponíveis e necessários para a obtenção dos resultados desejados.
Portanto, um instrumento de aferição deve ser holístico, enfatizar a criatividade, captar aptidões, nortear decisões. Um instrumento de aferição deve valorizar o acerto, destacar o esforço, o progresso, a descoberta e não demasiar-se na dimensão do erro. O educador deve flagrar o aluno fazendo coisas certas e não policiar o baixo rendimento para penalizá-lo.
E não se esqueça... triste mesmo é saber e não ensinar, poder e não querer, criticar e não contribuir.
Luiz Antônio Fagundes é escritor, consultor em sistemas de produção, logística de suprimentos e licitações, leciona em cursos de graduação e pós-graduação no Unileste.
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