‘Eu não tenho a vocação do Getúlio de me dar um tiro’, afirma Lula

Ex-presidente adotou o discurso de vítima e desafiou seus opositores a derrotá-lo nas urnas

Danilo Verpa / São Paulo

O ex-presidente Lula, durante sua fala, chegou a se emocionar por mais de uma vez
O ex-presidente Lula contra-atacou seus adversários nesta quinta-feira, 15. O petista reagiu à Lava Jato, que o acusa de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

“Eu não tenho a vocação do Getúlio (Vargas) de me dar um tiro”, disse Lula. “Eu não tenho a vocação do Jango de sair do Brasil. Portanto, se eles quiserem me tirar vão ter que disputar comigo nas urnas. Eles achavam que eu estava vencido.”

Lula disse que ‘nesse país tem pouca gente com a vida mais publica, mais fiscalizada do que a minha’. A Procuradoria da República, no Paraná, denunciou o petista, sua mulher Marisa Letícia e mais seis investigados por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Para o Ministério Público Federal, o ex-presidente é o ‘comandante máximo do esquema de corrupção’ instalado na Petrobrás.

As acusações se referem ao recebimento de vantagens ilícitas da OAS por meio da reforma do triplex 164-A, no Guarujá (SP), e o armazenamento de bens do acervo presidencial. Segundo a denúncia, Lula recebeu R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira.

Parte do valor está relacionada ao apartamento: R$ 1,1 milhão para a aquisição do imóvel, R$ 926 mil em reformas, R$ 342 mil para cozinha e imóveis, além de R$ 8 mil para eletrodomésticos. O armazenamento dos bens custou R$ 1,3 milhão.

Associação do MPF defende procuradores e critica “deturpação” de falas

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou nota em apoio aos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato que realizaram a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a associação, os integrantes do grupo que atua em Curitiba cumpriram “legitimamente o dever e direito de informar a população” ao realizarem coletiva de imprensa sobre a acusação contra o petista.

“É sob o olhar de seu povo que se constrói um país realmente democrático. E para isso a liberdade de imprensa, o amplo acesso às informações e o livre debate público são essenciais. Entretanto, nesse contexto, não se configura legítima qualquer manipulação ou deturpação de frases ditas no exercício do dever de esclarecimento à população”, escreveu o presidente da ANPR, José Robalinho.

Diversos sites e postagens nas redes sociais reproduziram uma frase atribuída aos procuradores sobre o caso de Lula: “não temos prova, mas temos convicção”. A assertiva, no entanto, não foi dita na coletiva. Na verdade, a frase é uma junção de duas falas de procuradores diferentes durante a entrevista a jornalistas.

O procurador Deltan Dallagnol afirmou que o Ministério Público possui convicção de que Lula é comandante do esquema criminoso. Já o procurador Roberson Pozzobon falou que não há “prova cabal” de que Lula é proprietário do tríplex no Guarujá, alvo das investigações.

O presidente da ANPR considerou que os procuradores foram “didáticos e extensivos”. “Configura-se em discurso político e/ou em estratégia de defesa, sem compromisso com a verdade, deturpar falas dos Procuradores da República nesta ocasião. Nenhuma verdade pode ser construída pela edição de frases e repetição de uma mentira. A convicção da Força Tarefa fundamenta-se em provas robustas reunidas em investigações sérias”, escreveu Robalinho.

A defesa de Lula protocolou um pedido de providências no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato que denunciaram o petista. Na peça, a defesa de Lula pede que o órgão analise a conduta dos três procuradores da República, sob argumento de que houve desvio funcional, e determine que eles se abstenham de fazer comentários políticos usando a estrutura do Ministério Público Federal. Segundo os advogados, a conclusão de que Lula era o arquiteto do esquema de corrupção é fantasiosa, “um arroubo retórico incompatível com a atuação de Procuradores da República”.

A defesa do ex-presidente argumenta que os procuradores não só fizeram a apresentação da denúncia à imprensa, mas realizaram um “verdadeiro espetáculo com o intuito de enxovalhar a imagem e a reputação” de Lula e Marisa. Segundo os advogados, a atuação dos procuradores consistiu em uma “condenação prévia” do petista e, portanto, é incompatível com a garantia da presunção de inocência.

Robalinho defendeu em nota o trabalho da Força Tarefa, que classificou como “profissional, e republicano, além de submetido à contínua observância do devido processo legal, e estar sob supervisão do Poder Judiciário independente e técnico do País, em especial a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a quem cabe a análise do recebimento da denúncia”.

Entenda a denúncia:
Lula comandava esquema de corrupção identificado na Lava Jato, diz procurador
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Comentários

Tchê Quévara? 16 de Setembro, 2016 | 13:44
Morre diabo!!!

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