Empresário Marcos Valério depõe a Sérgio Moro hoje

Preso no escândalo do mensalão, Marcos Valério encara juiz da Lava Jato em Curitiba


O empresário Marcos Valério
Preso e condenado no primeiro grande escândalo do governo Lula, o publicitário mineiro, Marcos Valério, depõe nesta segunda-feira (12), ao juiz federal Sérgio Moro, titular dos processos da Operação Lava Jato.

Pivô do primeiro grande escândalo de corrupção do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, o publicitário mineiro tem depoimento marcado para 14h, na sala de audiência da 13ª Vara Federal, em Curitiba.

Marcos Valério será interrogado como réu em processo da Lava Jato, em Curitiba, por crime de lavagem de dinheiro. Ele é acusado de participar da operação ilícita de repasse de R$ 6 milhões, em 2004, para o empresário Ronan Maria Pinto, dono de empresas de ônibus do ABC paulista.

O dinheiro serviu para a compra do controle acionário do jornal Diário do Grande ABC e também para aquisição de ônibus para suas empresas de transporte público coletivo.

Além de Valério, o juiz Sérgio Moro ouve o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, também réu no processo por lavagem de dinheiro para o partido.
A força-tarefa da Lava Jato afirma que o dinheiro repassado a Ronan era do esquema de corrupção da Petrobrás e levantado pelo PT, no banco Schahin, por meio de um empréstimo fraudulento em nome do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.

Ao todo, foram emprestados pelo banco R$ 12 milhões. A dívida nunca foi quitada diretamente, mas sim com um contrato da estatal dirigido para o Grupo Schahin de operação de um navio-sonda, usado para explorar petróleo em alto mar – negócio de US$ 1,6 bilhões, fechado em 2009.

Marcos Valério e Delúbio são réus por terem participado dessa operação de repasse de metade dos R$ 12 milhões montante para Ronan Maria Pinto – preso em abril, na 27ª fase, batizada de Operação Carbono 14. Ele teria participado da lavagem de dinheiro que beneficiou o empresário do ABC.

Documento

Em depoimento prestado no mensalão, em 2012, Valério declarou saber que Ronan Maria Pinto estaria chantageando a alta cúpula do PT, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, para não associar o grupo ao assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel – morto em 2002.

O caso Celso Daniel é um capítulo emblemático do PT. O então prefeito de Santo André foi sequestrado e assassinado a tiros em uma estrada de terra de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. O Ministério Público Estadual afirma que ele foi vítima de crime político porque tentou interromper o ciclo da corrupção em sua gestão quando descobriu que a propina era destinada ao enriquecimento pessoal dos envolvidos.
Por sua vez, a polícia concluiu que o petista foi morto por ‘criminosos comuns’.

Ronan foi condenado em novembro de 2015 pela Justiça de São Paulo acusado de liderar, com outro empresário e um ex-secretário municipal de Santo André, esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pela Prefeitura na gestão do prefeito do PT Celso Daniel – executado a tiros em janeiro de 2002.

Cumprindo pena, em Minas Gerais, a defesa de Marcos Valério tentou que o interrogatório fosse realizado por videoconferência, mas o pedido foi negado por Moro.

Advogados do empresário mineiro criticaram a decisão de Sérgio Moro de levar o publicitário a Curitiba, em uma operação policial que demandou custos para os cofres públicos, quando esse depoimento poderia ser feito por vídeo conferência, a partir da Penitenciária Nelson Hungria.
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