Os impostos nos Estados Unidos da América

Sérgio Orlando Pires de Carvalho

Falar de impostos é sempre uma tarefa árdua tanto para quem escreve quanto para quem lê. No entanto, é um assunto necessário à cidadania, no sentido em que possamos fazer um comparativo entre as realidades tributárias do Brasil e a do chamado primeiro mundo. Vamos lá! Vou tentar ser didático.

Nos Estados Unidos o leão é o IRS (Internal Revenue Service/Serviço de Arrecadação Interna), equivalente a nossa Receita Federal que faz parte do “Department of Treasury” (Departamento do Tesouro). Portanto, é para esse órgão que os cidadãos americanos têm que prestar contas anuais, o qual caça os sonegadores e os colocam invariavelmente na cadeia, quando a sonegação ocorre.

Os impostos para o IRS são o “Federal Income Tax” (Imposto Federal sobre a Renda), o “Income Tax” (Imposto Estadual sobre a Renda - existente em alguns estados), o “Sales Tax” (Imposto sobre Vendas) e o “Property Tax” (Imposto sobre Propriedade).

O “Federal Income Tax”, equivalente ao nosso Imposto de Renda, possui uma alíquota única para todos os americanos. É o imposto pelo qual o cidadão americano é taxado de acordo com o montante de grana que recebe de salários ou investimentos durante o ano. Já o “Income Tax”, equivale também ao nosso Imposto de Renda, porém de natureza estadual, existe apenas em alguns estados.

Nos EUA o “Federal Income Tax” (Imposto sobre a Renda) é taxado anualmente, enquanto que por aqui os valores são taxados e recolhidos mensalmente, provocando uma espécie de financiamento do contribuinte ao ente público, o qual não possui a sensatez em corrigir adequadamente os valores durante o período do recolhimento do imposto e o período do procedimento da declaração do Imposto de Renda, chamado também de Ajuste Anual do Imposto, o qual o cidadão brasileiro processa a entrega de sua declaração do IR ao leão. Digo isso porque o dinheiro emprestado tem juntamente com o tempo do empréstimo a contrapartida em juros. Não estou incluindo aqui a inflação do período.

Considerando um cidadão americano que ganhe nos EUA US$ 60 mil, ele pagaria de “Income Tax” US$ 4.230 de imposto com uma alíquota de 7,05% sobre o seu salário anual. Isso significa que em um dos estados com o “Income Tax” (Imposto sobre a Renda) mais elevado dos EUA, quem ganha US$ 60 mil por ano teria que trabalhar pouco menos de um mês para pagar esse tipo de imposto.

No Brasil um contribuinte que ganhe R$ 60 mil de salário por ano, equivalente a R$ 5 mil por mês (não considerando o 13º para equalizar a comparação, pois nos EUA não existe essa remuneração), somente de IR o contribuinte teria uma alíquota de 27,5%, porém, para os contribuintes que recebem acima de R$ 4.463,81. Notem que aqui no Brasil essas alíquotas são marginais, ou seja, apenas a parcela da renda acima desse limite é tributada pela alíquota máxima, não a renda toda como normalmente se entende. Isso ocorre pelo fato de a renda ser tributada por faixa de renda e de alíquotas. Assim, quem ganha R$ 60 mil no Brasil paga de IR o equivalente a R$ 4.633,40, correspondente a 27 dias de trabalho, portanto, com uma alíquota de 7,72%.

Quanto ao Imposto sobre a Renda não temos o que lamentar. Este imposto não é o principal tributo em termos de arrecadação no Brasil. Aqui a tributação é forte no consumo, ao contrário do que ocorre no exterior, onde o lucro e o patrimônio é que são mais taxados.

Já o “Sales Tax”, equivalente ao nosso ICMS, não conta com um tipo de alíquota para cada estado como aqui, tendo um modelo de tributação fácil de ser entendida pelo cidadão contribuinte. É o imposto que os americanos pagam na aquisição de produtos ou serviços. Assim, quando um americano compra um produto vem no “Receipt” (Nota Fiscal), a informação do valor do imposto pago com a alíquota fixa de 6% praticamente em todo o país, diferentemente do Brasil, onde cada produto tem uma porcentagem diferente de taxação e quase sempre muito elevada.

O “Sales Tax” possui um limite máximo em cada estado tendo apenas uma pequena variação de condado para condado, o que eles chamam de “Local Sales Tax” (Imposto de Venda Local) ou simplesmente “Local Tax” (Imposto Local), embora existam estados onde não aja cobrança deste tributo.

Assim, enquanto nos EUA o consumo é taxado, majoritariamente, em 6%, no Brasil a tributação se equivale a 23,24%, onerando assim a população mais pobre.

Como exemplo, vamos pegar o estado do “Tennessee” nos EUA, onde o “Sales Tax” (Imposto sobre Vendas) é mais elevado. Em uma dúzia de ovos paga-se 9,45% de “Sales Tax”, em uma barra de chocolate paga-se 9,45% de “Sales Tax”, em um carro paga-se 9,45% de “Sales Tax”, enquanto, aqui no Brasil, temos para uma dúzia de ovos: 20,59% de imposto; para uma barra de chocolate: 38,60% de imposto e para um carro (um Celta 1.0 da GM): 37,55% de imposto.

Fazendo uso de uma lógica simples, podemos dizer que o “Income Tax” (Imposto sobre a Renda) penaliza o contribuinte por ganhar dinheiro e o “Sales Tax” (Imposto sobre Vendas) penaliza o contribuinte por gastar a sua renda, o seu dinheiro.

Assim, ter responsabilidade financeira é a chave. Por isso, para uma pessoa que gasta menos do que ganha, o ideal seria viver em um estado o qual não possua o “Income tax” (Imposto sobre a Renda) ou que tenha uma taxa deste imposto bastante baixa.

O “Property Tax” (Imposto sobre a Propriedade) é cobrado por cidades, condados ou áreas distritais designadas. Vale para todo tipo de propriedade, residencial, comercial e industrial. Assim, como o “Sales Tax”, o estado possui uma porcentagem máxima que pode ser cobrada, mas o valor pode variar de condado para condado, entre cidades ou áreas específicas. Desse modo existe por lá, um avaliador que determina o valor de mercado do imóvel e aplica uma porcentagem de imposto que será cobrada anualmente em relação ao imóvel avaliado.

Quando compilamos nossa carga tributária total aqui no Brasil, entregamos três meses e meio de salário para o nosso governo, porém, quando consideramos a contribuição ao INSS o cidadão brasileiro entrega 5 meses de trabalho no ano ao governo.

Como nos EUA existem estados que não cobram o “Income Tax” (Imposto sobre a Renda), e outros que não cobram o “Sales Tax” (Imposto sobre Vendas), isso oferece uma possibilidade imensa de você se planejar e escolher onde morar, pagando assim menos impostos.

Supondo que você consiga o “Green Card”, status de residente permanente nos Estados Unidos, pagando US$ 500 mil dólares para entrar no país como investidor ou abrindo uma filial de empresa, ou mesmo, por vínculo de cidadania você será um cidadão legal na terra do Tio Sam, daí vai ter direito a todos os benefícios que o país oferece de acordo com a cultura americana, porém, vai se tornar um contribuinte americano, um pagador de impostos, o que não é tão ruim por lá, comparativamente conosco. Porém, vai estar sujeito às leis americanas que focam claramente em direitos e deveres. Portanto, não haja por lá como um socialista barato que só deseja seus direitos e foge de seus deveres. Isso, simplesmente, não funciona por lá.

Sérgio Orlando Pires de Carvalho. Economista, MBA Executivo em Gestão Empresarial, PG em Administração de Empresas e Organizações, PG em Metodologia do Ensino Superior, Consultor Econômico-Financeiro e autor dos Livros “Economia & Administração” e “Guilhermina de Jesus e a Família Brasileira”.
E-Mail: sergiopiresc@terra.com.br
Blog: http://zaibatsum.blogspot.com

Comentários

Paulo Queiroz 01 de Junho, 2019 | 17:22
Um item que tem praticamente 60% de impostos é a gasolina. Tenho um Posto de combustíveis. É um absurdo essa carga tributária. Com ênfase ao ICMS que, no meu estado, Ceará é de 29%. Abusivo!
Vicente 08 de Fevereiro, 2019 | 05:50
Vejo falando sobre impostos em automóveis e todo mundo preocupado com 35%, tenho uma padaria e aqui chega a FARINHA DE TRIGO com 55% de imposto e também os frios, como, mortadela, presunto etc. Então, essa carga tributária em cima de energia elétrica e alimentos é a que mais pesa nos ombros dos mais pobres.
Edson 29 de Novembro, 2018 | 05:09
Esqueceu de mencionar o social security de $3.720 e o medicare tax de $870.
O federal income tax nao é de $4230(que é pra quem ganha $48.000) e sim de $6500 para quem ganha $60.000:
Taxa total de $11.090
Pagamento líquido: $48.911
Taxa no total de 18,5% tendo que trabalhar 2meses e 3 semanas.
Elizia 17 de Outubro, 2018 | 17:27
A matéria esta excelente. Se possível me responda: se eu mandar US$ 1.000.000 (um milhão) dos EUA para o Brasil. Quanto eu pararia de imposto?


Andrea 29 de Maio, 2018 | 15:08
É óbvio que o percentual de imposto pago no Brasil é absurdo. Em outros países, como os EUA, há também elevadas taxas, mas deve-se pesar quanto o cidadão ganha e, se o desconto é unificado, é o mais justo. No Brasil, temos salários mais baixos, muitos descontos (diferenciados), previdência extremamente longa para cobrir o rombo da população que não trabalha. Apesar de termos leis trabalhistas, 13º salário e outros benefícios, isso não é suficiente para suprir nossos gastos mensais e anuais e nunca temos (os trabalhadores) dinheiro para férias, planos particulares etc, sem que nos endividemos, e, aí, entram os juros bancários... Enfim, a lista de encargos não termina. Agora, eu pergunto a vocês: por que os EUA se mantêm um país de primeiro mundo e uma grande potência mundial até hoje, com o povo americano defendendo seu país com fervor? E o brasileiro está sempre com a corda no pescoço? Ainda tem os programas sociais. Pelo pouco que conheço, não existe esse assistencialismo gigantesco nos EUA; se não trabalha, não tem salário. Mas esse assunto (assistencialismo) merece um outro post para discussão.
Aldo Naletto 19 de Abril, 2018 | 21:30
Um detalhe: os impostos sobre venda nos EUA costumam ser acrescentados "por fora" ao preço do produto na hora de pagar, enquanto por aqui eles já vêm embutidos "por dentro". A diferença é enorme: um imposto de 8% nos EUA significa um aumento no preço de exatamente 8%, mas no Brasil os 37.55% de impostos do Celta (já absurdamente altos) correspondem a um aumento de 60% no preço básico - ou seja, nosso imposto equivale a 60% "por fora", não os "míseros" 37.55%!
Diana Aline Bozi da Silva Gonçalves 18 de Abril, 2018 | 09:33
Parabéns!! Muito interessante e explicativo!! Isso os jornais aqui do Brasil não passam para a população. A mídia deveria insistir em mostrar coisas como esta pra maioria da população reagir e dar um basta nesse monte de imposto que nós pagamos, em que a grande maioria é pra roubalheira desses corruptos e quase nada é repassado para o povo como de fato é justificado. Precisamos de reformas trabalhistas, reformas tributária, reforma penal... Quem dera se pudéssemos "resetar" o Brasil do zero nesse quesito político.
Antonio Laban 22 de Março, 2018 | 14:46
Nos Estados Unidos para uma pessoa fisica que lá reside há a possibilidade dela não fazer a declaração anual de ajuste de imposto de renda, se ela receber uma pequena parcela durante todo o ano. Por exemplo , uma pessoa é isenta de enviar uma declaração de renda se ganhar durante o ano um valor até " x" reais; essa condição equivalente existe nos Estados Unidos e qual é o valor teto dessa faixa inicial que isenta a pessoa de enviar a declaração anual de ajuste.

Agradeço a gentileza e aguardo o retorno
Antonio Laban
Was Silva 05 de Fevereiro, 2018 | 01:36
Pelo que deu a entender dos EUA,todos ganham muito bem,tem oportunidades,mesmo que pagando pelo serviço público do país,mas tenho uma ressalva.
Se todos ganham bem, óbviamente o governo ganhará em impostos,se tiver muita cobrança de impostos, aproximadamente 100% da população trabalhadora, significa que a arrecadação seria melhor e maior,a população tendo então a possibilidade de ter acesso a melhores serviços em todos os sentidos de alta qualidade;pois estará pagando por aquilo.
Contudo, devemos fazer uma observação,o norte americano não tem leis trabalhistas ou sindicatos patronais aquela coisa toda que tem no Brasil,lá é combinado que o sujeito receberá por hora um certo valor,se caso ele não trabalhar e lá não é obrigado,mas também não recebe e nem é penalizado provavelmente com advertências ou algo do tipo,mas há justiça no que é combinado e no que é feito.

Se caso eu esteja errado,alguém possa me explicar melhor e me dizer se esse modelo não deveria ser aplicado aqui,menor tributação, salários mais altos,até pra que venham empresas para o Brasil,gerando mais impostos para o país se estruturar e combate a corrupção,seria fundamental.
Mario 22 de Dezembro, 2017 | 21:36
Wally, tenho sim uma coisa a dizer. Seu namorado é um idiota esquerdista querendo doutrinar você.
Petter 04 de Dezembro, 2017 | 18:31
Querem se mirar num bom exemplo? Mirem se nos paises nórdicos. Estes sim possuem uma carga tributaria justíssima, onde o estado oferece serviços públicos de qualidade e a desigualdade é muito menor. Ahh detalhe, nao precisam fomentar guerras para fabricar armas para movimentar a economia e tampouco exploram países pobres.
Marcos 04 de Setembro, 2017 | 02:53
Um mba tenta informar e,encontra reação de algumas pessoas sem nenhum preparo contestando.sem duvida essas pessoas precisam é de escola,por isso pagam impostos altos.
Elton 25 de Julho, 2017 | 09:19
de certa forma a matéria foi bem produzida,pois trouxe elementos reais ,principalmente quando esclarece o imposto de renda no brasil começa a ser taxado com a alíquota máxima somente o exedende da faixa de insenção.Também poderia ter abordado a questão das grandes fortunas e das heranças.Urge enfatizar que la o consumidor(trabalhador) paga apenas entre 6 e 10 %.Achei fora de contexto o "SOCIALISTA BARATO",.Vale lembrar que lá,grosso modo ,não existe uma rede de proteção social propriamente dita,mas a desigualdade social e infinitamente maior ,no momento não podemos tomar os EUA como parametro,talvez a suécia ou noruega portugal ;
Laudemir 28 de Junho, 2017 | 14:01
Gostei muito do esclarecimento, só uma coisa que, ao meu ver, foi desnecessária comentar. Qual o direito que nos estamos tendo aqui no Brasil? Me fale onde a saúde pública funciona? Onde a educação pública funciona?
Agora, eu pago por estrada, plano de saúde, escola da minha filha, e por ai vai...
Ted Gonçalves 25 de Junho, 2017 | 14:10
Sobre o comentário do Wally que diz ser injusto o imposto cobrado sobre a classe média e relação a alta. Onde quanto mais dinheiro vc ganha menos irá pagar de imposto. Isto está muito correto. Não tem nada de errado aí.
Veja bem, é só vc fazer uma comparação. Vc vai em supermercado atacadista.
Lá vc tem duas opções. Compra no varejo (mais caro) e no atacado (mais barato).
Se vc compra no varejo irá pagar mais caro pois vc leva pouca coisa.
Mais se vc compra muita coisa(atacado) vc não gostaria de um desconto pelo grade volume que vc está adquirindo? Agora imagina vc ganhar R$: 1000,00 - 10%= 900,00
Agora vc passa a ganhar R$: 4000,00-10%= 3600.00 foram-se R$: 400,00 reais só de tarifa, foras as outras tarifas que também sáo impostas nesse seu salário, o que vai fazer o seu salário reduzir mais ainda. Então quanto mais se ganha menos tarifa será recolhida.
Abraço
Pedro Silva 02 de Junho, 2017 | 12:49
Wally, também gostava que o autor respondesse, porque nos Estados Unidos não é propriamente assim, há desigualdades nos impostos, não são proporcionais aos rendimentos e têm de pagar exageradamente o acesso à educação, saúde... Parte do imposto de renda vai para o FED. E de rir está defesa ao sistema americano.
Wally 31 de Maio, 2017 | 12:14
Meu namorado é estadunidense, e me disse que nos Estados Unidos há uma grande desigualdade em relação aos impostos cobrados da classe média e classe alta. Disse que não é proporcional com o que você ganha, que quanto mais dinheiro você tiver MENOS imposto vai pagar, você sabe me dizer alguma coisa sobre isso?

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