Rafaela Silva se desligou das redes sociais para manter o foco no ouro oímpico

Além de deixar o smartphone em modo avião, coaching com psicóloga reforçou as estratégias da judoca para a conquista


Rafaela Silva
A derrota em Londres (2012) deixou traumas e lições para Rafaela Silva. Desta vez, ela estava determinada a não deixar que nada atrapalhasse o sonho nos Jogos Rio 2016. Pra isso, além das estratégias de luta e de preparação mental, valeu até se afastar das redes sociais, o que a ajudou a manter o foco na medalha de ouro no judô, conquistada na segunda-feira (08.09), no Parque Olímpico da Barra.

Na reta final de preparação, Rafaela deixou o próprio celular no modo avião e, com um telefone provisório, falava apenas com pessoas mais próximas enquanto esteva na Vila dos Atletas. A estratégia visava barrar qualquer notícia ou comentário que pudesse distraí-la do torneio.

"Não queria ver nada que me abalasse durante a competição. Tive acesso apenas à família no celular que me deram na vila. Entrei com foco e consegui fazer uma boa competição", revelou Rafaela, em um encontro com os jornalistas, menos de 24 horas depois da conquista.

Celular em modo avião representou o final de uma estratégia psicológica decisiva. Rafaela lembrou a importância do trabalho da coach Nell Salgado já na primeira entrevista após o título olímpico. Com o apoio dela, a judoca se manteve no esporte após o trauma em Londres.

Segundo Rafaela, as orientações de Salgado foram vitais para saber lidar com o fator casa, que ajudou no título mundial dela, no Maracanãzinho em 2013, e também influenciou no torneio olímpico.

"Fiz todo um trabalho psicológico, porque a torcida tá ali para te ajudar, mas ela também pode te distrair. Mas eu olhei pra arquibancada e pensei que não podia decepcionar o público. Só pensei em poder dar a alegria a eles que não pude dar em Londres", comentou.

Outro incentivo importante durante o ciclo, segundo a campeã olímpica, veio do programa Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte. Dos 14 judocas convocados para os Jogos Olímpicos (sete no masculino e sete no feminino), 13 contam com a Bolsa.

Rafael Buzacarini, por sua vez, é contemplado com a Bolsa Atleta na categoria nacional. Durante todo o ciclo olímpico, 34 atletas receberam a Bolsa Pódio, resultando em um investimento de quase R$ 7 milhões. No judô paralímpico, foram 10 contemplados com a categoria pódio (R$ 2,4 milhões). Já na Bolsa Atleta, entre 2012 e 2015 foram concedidas 889 bolsas, nas categorias base, estudantil, nacional, internacional e olímpico/paralímpico. O investimento total no período somou R$ 11,2 milhões.

"Incentivo importante para nós porque antes só os judocas do masculino tinham visibilidade. é fundamental para o atleta treinar sem se preocupar tanto com o dinheiro que paga as contas do mês", avaliou.

Outro grande investimento foi a construção do Centro Pan-Americano de Judô, em Lauro de Freitas (BA), resultado de um aporte de R$ 43,2 milhões, sendo R$ 19,8 milhões do Ministério do Esporte. A instalação é o maior centro de treinamento das Américas e um dos maiores do mundo da modalidade e foi inaugurada em julho de 2014. São 20 mil m² de área construída, com toda estrutura necessária para treinos e competições.

Futuro

Se a estratégia rumo ao torneio olímpico envolveu uma pausa na internet, o título trouxe mais atenção para Rafaela Silva nas redes sociais. No Instagram, ela passou de 10 mil para 99,1 mil seguidores em menos de um dia. Além disso, ela recebeu o carinho dos colegas na Vila dos Atletas e mensagens de famosos como Neymar e a cantora Ludmilla.

Esta sensação de se tornar campeã olímpica é algo que Rafaela pretende repetir daqui a quatro anos. Enquanto isso, ela também quer olhar por aqueles que vão começar no esporte assim como ela: em projetos sociais nas comunidades do Rio.

"Quero dar mais alegria ao povo, pretendo continuar e ir para Tóquio (2020), além de continuar com o instituto Reação e fazer a diferença na vida de outras pessoas. Acho que posso servir de exemplo para as crianças da comunidade. Posso mostrar que uma criança que saiu da comunidade para brincar no judô tem chance de se tornar campeã", afirmou Rafaela.

O Instituto Reação é uma organização não governamental criada pelo também medalhista olímpico, Flávio Canto, que promove o desenvolvimento humano e a inclusão social por meio do esporte e da educação, fomentando o judô desde a iniciação esportiva até o alto rendimento.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO