12/01/2019 10:18:00

Falta qualidade

Fernando Rocha



Divulgação

Existe uma corrente de admiração e elogios em relação ao que se viu no último Campeonato Brasileiro, que, como dizem, foi muito equilibrado. E foi mesmo. Até o fim. Mas em relação à qualidade do futebol das equipes, certamente o que mais importa, pena que não aconteceu o mesmo.

Ao menos para aqueles que mantêm certo grau de exigência, o nível do futebol que se viu na maioria dos jogos da mais importante competição nacional não foi nada atraente. Alguns outros, que ligam pouco para a qualidade, acharam que tudo correu muito bem, tudo às mil maravilhas e etc e coisa e tal.

Equilíbrio na disputa, simplesmente equilíbrio e nada mais do que ele, não é nada demais, não é nada de anormal, sendo muito possível acontecer não só na Série A, mas nas Séries B, C, J, K ou no campeonato municipal amador de Tarumirim, a minha terra natal.

E pode acontecer, como se viu na competição passada, tanto na parte de cima como na de baixo da tabela, seja pelo título, no chamado G-6, que dá vaga na Copa Libertadores, quanto nas últimas posições, na luta para fugir do Z-4, contra o rebaixamento.

Beleza é fundamental
É lógico que o equilíbrio contribui — e muito — para a atração e o interesse da competição. Mas, como escreveu Vinicius de Morais em um de seus poemas, “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”.

Sendo assim, a qualidade e o nível técnico não podem ser relegados a um segundo plano. Afinal de contas, muito mais do que um campeonato equilibrado, devemos pensar no futebol brasileiro como um todo.
A CBF, que é a dona do Campeonato Brasileiro, ao invés de valorizá-lo, faz o contrário ao esticar a duração da Copa do Brasil o ano todo, a exemplo do que a Conmebol também fez com a Libertadores.

Com isso, atraídos pela premiação elevada, os principais clubes acabam priorizando os torneios de mata-mata, escalando times reservas ou mistos, desvalorizando e fazendo cair o nível do Brasileirão, criado para ser a maior e mais importante competição do nosso calendário.

FIM DE PAPO
E ainda tem mais uma questão a ser considerada, que diz respeito aos jogos das seleções nas datas-Fifa sem que haja uma paralisação das disputas nacionais no período. Nossos principais times acabam desfalcados, curiosamente não pelo número de atletas cedidos à seleção, mas tendo em vista a grande quantidade de estrangeiros vindos de países vizinhos do continente, convocados regularmente para defender suas seleções nacionais.

Um dos jogos que mais atraiu minha atenção nas últimas rodadas do Brasileiro, e não pelo resultado, mas pelo placar inusitado de 3 x 0, foi a vitória do Flamengo sobre o Corinthians, em pleno Itaquerão. Dias antes, o Corinthians havia eliminado o Flamengo no mesmo local, pela Copa do Brasil, ao vencer de 2 x 0, depois de empatar em 0 x 0 no Rio de Janeiro, sem dar sequer um chute a gol.

O que vimos nesta partida emblemática foi um Corinthians irreconhecível, contra um Flamengo que, um dia antes, havia demitido o treinador e já estreava outro. O futebol brasileiro tem características próprias e bem típicas, que, segundo os críticos, “fazem parte da sua cultura”.

Dorival Júnior estreou no Flamengo exatamente no dia seguinte à sua apresentação, sem ter dirigido um treino sequer. Depois, no jogo seguinte, teve quatro dias para trabalhar, o que não deixa de ser um privilégio. E mesmo assim ganhou do Corinthians, na casa do adversário, de 3 x 0. E ao fim da temporada não teve o seu contrato renovado, cedendo o lugar ao Abel Braga.

O técnico Mano Menezes vira e mexe é criticado pelo esquema tático considerado pouco ousado ou pragmático demais adotado por ele em sua longeva carreira, e posto em prática há dois anos dirigindo o Cruzeiro. Mano pode ser considerado um técnico de resultados. E não fosse assim, por conta dos títulos importantes conquistados no clube, já teria sido defenestrado há tempos.

Mantém-se imune às críticas, o que não o exime de ter que matar um leão a cada disputa, começando agora neste primeiro semestre com o Campeonato Mineiro, uma competição quer serve pouco ou nada de parâmetro técnico, mas costuma derrubar treinadores e até a diretoria, pois parte da torcida entende que é uma obrigação vencê-lo.

Outra vez a temporada de preparação dos principais clubes brasileiros foi reduzida em pouco mais de duas semanas, mas as 16 datas dos estaduais estão mantidas. Uma dúvida que muita gente tem é se haverá ou não paralisação dos campeonatos nas séries A e B do Brasileiro durante a Copa América, a ser disputada nos meses de junho/julho. Menos mal que vai parar tudo, mas depois haverá jogos quase de domingo a domingo e a vida seguirá lampeira e faceira para todos. (Fecha o pano!)


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