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Alfabetização, Freire e a cidadania no século 21

Kellin Inocêncio*



Em tempos de análises intensas a respeito da democracia, nada mais relevante que uma reflexão social acerca da educação brasileira. Sobretudo a respeito do movimento alfabetizador, que apropria os cidadãos para se colocarem crítica e socialmente.

Para iniciarmos essa ponderação, devemos compreender melhor o que significa alfabetização. Não é somente a capacidade de decodificar símbolos e letras. Mais do que isso, é compreender a escrita e, sobretudo, seu valor social.
Justamente, os brasileiros estão carentes de alfabetização embutida de valores sociais. O ato de aprender a ler e escrever, nessa perspectiva, deve ser promovido no chão da escola. E mais: além dos muros escolares, atingindo todas os extratos econômicos e sociais.

Seria interessante termos uma sociedade crítica, autônoma e que saiba ler o mundo, não é mesmo? Com pessoas que atendam os parâmetros de cidadania e de governabilidade impostos em território nacional.

Para isso, o trabalho de Paulo Freire é extremamente frutífero – ao contrário das críticas intensas a ele. Freire não está ultrapassado. É, sim, consideravelmente moderno para os interesses governamentais que regem a educação brasileira.

Existem lacunas significativas nos processos educacionais de crianças, jovens e adultos. Alguns consideram que trazer Freire para a escola básica é um retrocesso. Mas a ausência de suas diretrizes nos bancos escolares vai além da perspectiva alfabetizadora: é uma discussão política e social.

Freire é cidadania e socialização. É, certamente, integração entre escola, comunidade e saberes (formais e informais). Explorar os pensamentos Freireanos na educação do século 21 é permitir que esse movimento da comunidade na escola e da escola na comunidade se concretize e atinja resultados positivos para a sociedade brasileira.

* Professora do curso de Pedagogia nas modalidades Presencial e Ensino a Distância do Centro Universitário Internacional Uninter.


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Comentários

Costa Gravessan

11 de Janeiro, 2019 | 06:35
Será por que a Direita brasileira critica Paulo Frente e suas teorias são aplicadas em escolas particulares campeãs? Será porque, o considerado patrono da educação no Brasil desde 2012, Freire dá nome a institutos acadêmicos em países como Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos, África do Sul e Espanha???? Mas em sua terra natal, tem sido criticado por manifestantes e articulistas pelo que consideram sua "influência esquerdista" no ensino. Que respondam os educadores brasileiros, os pedagogos.

O historiador e doutor em Educação José Eustáquio Romão, seu amigo pessoal e especialista em sua obra, discorda: "Paulo Freire nunca foi aplicado na educação brasileira. (...) Ele entra (nas universidades) como frase de efeito, como título de biblioteca, nome de salão." - https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150719_entrevista_romao_paulofreire_cc
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