07/01/2019 15:53:00

Nova Espanha

Fernando Rocha



[imagemd33859] Um estudo realizado pelo jornalista Rodrigo Capelo, publicado no jornal “O Globo” em meados de outubro do ano passado, revela alguns dados interessantes sobre a disparidade econômica hoje existente entre alguns dos principais clubes brasileiros.

Os números chamam a atenção para um problema que vem sendo debatido nos bastidores por dirigentes de clubes, sobretudo fora do eixo Rio-SP, mas não ganhou ainda o espaço devido na grande mídia nacional.

Trata-se da chamada ‘espanholização’ do futebol nacional, onde, por conta da disparidade financeira, apenas dois, no máximo três ou quatro clubes, estariam caminhando para, em breve, dominar totalmente o cenário das principais competições, revezando-se na conquista dos títulos e transformando os demais competidores em meros coadjuvantes.

Diferença brutal
De acordo com o estudo feito pelo jornalista carioca, o Flamengo arrecadava em 2013 receitas 50% maiores do que o seu rival Vasco da Gama, e essa diferença saltou para 210% em 2017.

Clube de maior torcida e maior visibilidade na mídia do país, o Flamengo arrecadou em 2003 receitas 70% maiores que outro rival carioca e também gigante, o Fluminense, e só na última temporada vendeu 160% de ingressos a mais do que o tricolor carioca.

Em São Paulo, o Palmeiras arrecadou em 2003 a metade do que o Santos amealhou, mas em 2017 teve receitas 80% maiores, superando também todos os demais rivais no seu estado.

Isto explica claramente porque o rubro-negro carioca e o alviverde paulista investem tanto ultimamente na contratação e pagamento de salários aos jogadores – tendo como exemplo as recentes investidas do Flamengo para tirar Dedé e De Arrascaeta do Cruzeiro -, tornando-se protagonistas em praticamente todas as competições que disputam.

FECHA O PANO
• Atlético e Cruzeiro arrecadam hoje muito menos do que podem em relação ao tamanho e à capacidade de mobilização de suas torcidas, seja na venda de patrocínios e propriedades comerciais, bilheteria ou programas de sócio torcedor. Apesar de todos os esforços e avanços obtidos nos últimos anos, a diferença nesse quesito ainda é abissal em relação aos chamados “grandes” do eixo Rio/SP, sobretudo Flamengo e Palmeiras.

• Mas é na divisão das cotas de TV, atualmente a maior fonte de receita dos nossos clubes, que está o maior gargalo, de todo desigual e prejudicial aos clubes de fora do eixo Rio-SP. A situação financeira do Atlético é ainda muito pior em relação ao maior rival, o Cruzeiro, pois o Galo arrecada muito menos com bilheterias por simples fato de insistir em jogar no acanhado Estádio Independência, uma casa muito pequena para o tamanho da sua torcida.

• Apesar de tudo isso, temos que reconhecer os esforços e a competência das diretorias de Atlético e Cruzeiro, os nossos dois “grandes” aqui nestes grotões, por ainda conseguirem disputar as competições de igual para igual com os gigantes do eixo Rio-SP, e ainda conquistar títulos, como é o caso do Cruzeiro, que se sagrou bicampeão da Copa do Brasil consecutivamente em 2017/2018.

• Cruzeiro e Atlético acabam ajudando a fazer do Brasil um dos poucos países do mundo onde existe uma quantidade de clubes cujo peso e torcida, mesmo sendo menor, aspirem sempre um lugar de destaque nas competições nacionais e internacionais que disputam. Mas até quando isso vai durar nós não sabemos. De fato, é uma grande incógnita.

• Podemos apenas vaticinar ou dar pitaco, pois do jeito que as coisas vão caminhando, no que tange à disparidade econômica entre os chamados “grandes”, que cresce em velocidade muito acima do normal, mais dia menos dia uma nova Espanha tende a surgir no nosso futebol, só que com uma qualidade técnica muito inferior à original. (Fecha o pano!)


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