07/12/2018 13:19:00

Maracatu em terras mineiras

Mulheres de Ipatinga se encantam com a prática do batuque e do maracatu



O Vale do Aço está em intensa atividade cultural com a construção do “Baque Mulher”, um movimento social criado há 10 anos por Mestra Joana Cavalcante, juntamente com outras mulheres da comunidade do Bode, bairro do Pina, na cidade de Recife, Pernambuco.

Divulgação/Dani Dornelas


Mestra Joana na Ala de Agbê, no 3º Encontro Nacional em Sorocaba
Mestra Joana é a primeira mulher regente de uma Nação (Encanto do Pina) na história do Maracatu, que rege o baque como a principal referência dessa tradição pernambucana e que vem se espalhando pelo Brasil, chegando a Ipatinga pelas mãos femininas.

O baque tem a função social de evidenciar a mulher como protagonista no Maracatu, além de ser uma importante ferramenta na luta contra a violência de gênero. E o Baque Mulher é o primeiro grupo de maracatu de “baque virado” formado apenas por mulheres.

O movimento chega oficialmente às terras mineiras após o 3º Encontro Nacional do Baque Mulher realizado em Sorocaba (SP), com a participação de Daniela Dornelas e Daniela Matos.

Divulgação/Dani Dornelas


O luthier Dayvison Guian ensina a preparar o instrumento
Em Ipatinga, o Baque Mulher Minas do Vale propõe-se a complementar a historiografia do movimento e fazer história como o primeiro grupo de maracatu de baque virado da região do Vale do Aço, sempre destacando o protagonismo feminino, não só na idealização, mas também como regentes e percussionistas batuqueiras.

A construção do Baque é uma experiência coletiva, tanto na construção dos instrumentos como no engajamento para a elaboração de intervenções e aprendizados.

Para dar início a esse desafio, o Baque Mulher Minas do Vale viveu uma experiência única na primeira semana de dezembro, no Teatro Circular Farroupilha: o apoio do batuqueiro Dayvison Guian (Ogan do ILê Axé Oxum Deym) da “Nação Encanto do Pina, Nação Porto Rico”, e o apoio do Baque Mulher de Recife.

Divulgação/Dani Dornelas


Conjunto de alfaias construídas para o projeto em Ipatinga
Durante sua estadia, Dayvison coordena a construção de 17 alfaias, instrumento específico usado no maracatu, repassando seus conhecimentos ancestrais para as mulheres batuqueiras do Vale do Aço, auxiliando-as na construção de seus próprios instrumentos, além de orientar oficinas abertas para o batuque na região.

Além disso, o Baque Mulher Minas do Vale terá dois dias exclusivos de intensas oficinas de aprendizado percussionista na Escola Municipal Conceição Pena Rocha, no bairro Esperança, em Ipatinga, incluindo orientação para afinar e tocar o instrumento.

O encerramento da vivência será no domingo (9), com um ensaio aberto no Parque Ipanema, a partir das 15h, na programação do 12º Encontro de Palhaços de Ipatinga – o tradicional Cabaré dos Palhaços. Todo o projeto foi viabilizado por mulheres engajadas no movimento feminista, de forma autônoma e coletiva.


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