06/12/2018 16:00:00

Da nossa importância e o G-20

Stefan Salej *



A apresentação do sempre bom de se ver, tango, e ouvir música plantense foi de matar. O renovado teatro Colón, em seu esplendor dourado, com assentos de veludo vermelho, relembrando o auge da potência que era a Argentina no início do século passado, quarta potência mundial após a Segunda Guerra Mundial, era o lugar certo para a festa dos líderes mundiais dos 20 países mais ricos do mundo, reunidos no grupo chamado G-20. E Buenos Aires, mergulhada mais uma vez numa crise econômica e social profunda, recebia, em 30/11, os convidados com galhardia e simpatia portenha. Os protestos eventuais, tão comuns no nosso vizinho e parceiro econômico mais importante, ficaram por conta da briga de torcedores dos dois maiores clubes portenhos: Boca Juniors e River Plate, que terão que jogar a final de Taça Libertadores, por coincidência, em um lugar de onde a América Latina saiu para ser libertada: Madrid.

Mas o cenário, bem organizado, não foi suficiente para recompor um mundo cada mais polarizado, caminhando fortemente para uma composição nova, neste século de avanços tecnológicos mais rápidos do que conseguimos absorver. Na semana em que a agência espacial estadunidense colocou uma sonda em Marte, as desavenças pessoais entre os líderes mundiais determinam mais os interesses dos países do que os interesses dos seus povos. De um lado, tem a Rússia em conflito quase armado com a Ucrânia, de outro lado tem a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e a Arábia Saudita com seu príncipe sorridente, pseudo reformador, andando por Buenos Aires como se nunca tivesse sequer falado mal de ninguém, quiçá ter assassinado um jornalista em Istambul.

Seja como for, os líderes se encontraram e, entre outras coisas, declararam que a reforma de Organização Mundial de Comércio precisa ser reformada. Nada de novo, só que na prática está prevalecendo cada vez mais o unilateralismo e não acordos multilaterais de comércio. E o mais importante foi a conclusão do jantar entre os líderes dos Estados Unidos e China, que decidiram da boca para fora dar um tempo à guerra comercial. E se os norte-americanos precisassem sentir a força da China, o caso da Argentina é bem emblemático. Os chineses doaram à quebrada Argentina todos os equipamentos de segurança da reunião e têm no país uma base militar da melhor qualidade.

A presença brasileira foi exatamente como se descreve um fim do governo, quando dizem que nem cafezinho servem mais. O novo governo se entendeu com o governo Trump por canais não oficiais antes da reunião e o governo que está saindo nada tem a dizer. Nós temos políticas dos governos e não política de interesse nacional e de continuidade.

Assim, temos que esperar o novo governo assumir, algo que não perturbou por exemplo os mexicanos que assinaram com os canadenses e Estados Unidos novo acordo comercial, 24 horas antes do novo
 

* Consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae MG


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