08/11/2018 17:30:00

O restante do Shopping para amortizar dívidas, seria uma saída para o Galo?

O shopping era 100% do clube, mas já teve pouco mais da metade (50,1%) vendida à Multiplan no ano passado



Divulgação


A possibilidade da venda da outra metade do Diamond Mall, primeiramente publicada pelo jornal O Tempo, foi confirmada por outros veículos de comunicação

O Atlético vive uma situação financeira delicadíssima. Está com os salários atrasados e, nesta temporada, teve pouco dinheiro para investir na contratação de atletas e dentro de campo o time teve outra temporada pífia. O maior problema, porém, está na situação do caixa a longo prazo. A dívida é muito grande, os juros anuais que o clube paga "sugam" boa parte da receita. O Galo, porém, tem alternativas para sair da crise. Uma delas - que caminha para ser a única - é abrir mão de algum patrimônio. E pode ser que seja o Shopping Diamond Mall, estabelecimento comercial no bairro Lourdes, região centro-sul de Belo Horizonte.

O shopping era 100% do clube, mas já teve pouco mais da metade (50,1%) vendida à Multiplan no ano passado. O valor (R$ 250 milhões) arrecadado com a negociação será usado integralmente na construção do estádio próprio. O projeto segue em processo burocrático para sair do papel e deve ficar pronto no início da próxima década. Agora, a ideia é vender a outra metade do shopping para sanar as dívidas e deixar as contas em uma situação tranquila para o futuro.

A possibilidade da venda da outra metade do Diamond Mall, primeiramente publicada pelo jornal O Tempo, foi confirmada por outros veículos de comunicação. A atual diretoria já fez um estudo sobre a possibilidade e vai apresentá-la ao Conselho Deliberativo. Isso deve acontecer em 2019 e promete gerar enorme polêmica. Para se efetivar, há a necessidade de aprovação de 2/3 dos conselheiros - na venda da parcela para o estádio 325 aprovaram e somente 12 foram contrários. Há a necessidade de pelo menos 260 aprovarem.

Carlos Fabel, diretor financeiro do Atlético, falou sobre a possibilidade da venda do Diamond Mall, explicando por que ela é necessária e deixa claro: o Galo precisa se "movimentar" para se manter saudável.

"Os números eu já tinha todos, mas o presidente tomou cuidado de contratar duas consultorias externas para validar aquilo que a gente prega ao longo dos anos. O Conselho nosso tem a faca e o queijo na mão para tornar o Atlético um time muito sólido, robusto, com estádio próprio e sem dívida, que não é o exemplo que temos Brasil afora.

Os clubes estão todos endividados com construção de estádio. Além de ter um estádio sem dívida, teríamos o Atlético saneado para ser um time fortalecido. Temos a faca e o queijo na mão. Obviamente, quem define isso é o conselho, mas temos a obrigação de chegar para o conselho e falar: “O caminho que vejo é esse”. Eu sou um técnico financeiro. A decisão é do Conselho, mas não posso me omitir de mostrar o caminho que entendo ser correto. Não significa que o Conselho tem que seguir o caminho que eu indico", afirmou o dirigente.

Números

O responsável pelo financeiro do Galo concluiu: "Sabe quanto acumulamos de prejuízo em 25 anos? 475 milhões. Você imagina a proporção. Daqui 10 anos, teremos, se o juro não mudar de patamar, 550 milhões de prejuízo acumulado. Aí você vai vender patrimônio para pagar juros. Hoje não é isso, é sanear. Lá na frente vai ser para pagar juros, porque a dívida vai crescer, vai ser três por um ao contrário (relação entre dívida e patrimônio). Aí estamos arrebentados.

O Conselho sabe do endividamento do Atlético. Não pode um clube que tem a faca e o queijo na mão não se movimentar. Temos que movimentar", concluiu. Extraoficialmente, sabe-se que o clube deve algo em torno de R$ 700 milhões, sendo mais de R$ 300 milhões já financiados pelo Profut. A outra parcela que estaria sufocando e inviabilizando as finanças alvinegras.


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