08/10/2018 16:15:00

Reta final

Fernando Rocha



Divulgação

Assim como na política, onde haverá segundo turno para apontar, dentro de alguns dias, o futuro presidente da República e governadores em vários estados, inclusive o de Minas Gerais, o futebol também entra na reta final da mais importante competição do seu calendário anual.

No próximo sábado será disputada a 29ª rodada de um total de 38, ou seja, a primeira das 10 últimas para se conhecer o campeão brasileiro desta temporada. Num momento em que o país se rediscute, o futebol por ser um reflexo da nossa sociedade e se vê também diante de um fato inusitado: o Campeonato Brasileiro pode ser ganho por um time, o Palmeiras, que escalou reservas em quase um terço da competição.

Mas não é só isso que faz deste momento algo intrigante. Se o atual líder do Brasileirão desafia a lógica e se deixa abater pela maratona de jogos deste calendário maluco, mantendo-se vivo em duas das três competições que vem disputando, também expõe uma nova tendência no mais popular esporte do país, a da concentração de riqueza e o distanciamento entre os clubes mais ricos e os mais pobres.

Ricos dominam
Basta dar uma olhada na classificação do Brasileiro para perceber o que pode ser considerado um retrato atual da nossa sociedade. Disputando o título nas primeiras posições estão os clubes de maiores receitas - Palmeiras, Internacional, São Paulo, Flamengo e Grêmio.

Da metade da tabela em diante aparecem alguns gigantes, outros de muita tradição, porém mal administrados ou atolados em graves crises financeiras, além dos clubes chamados “pequenos”, com menor arrecadação.

Por conta da força econômica, o Palmeiras é o clube de maior elenco e mais agressivo no mercado, e também é o que mais gasta em salários. Portanto, nesse esporte onde o sucesso tem muita relação com poderio financeiro, fica cada vez mais evidente a chegada de um novo tempo, com a divisão entre ricos e pobres.

Aqui nos nossos grotões banhados pelo Rio Doce é comum dizer que “o rio corre para o mar”, ou “qualquer semelhança não é mera coincidência”.

FIM DE PAPO
• O Galo está em 6º na classificação, com 45 pontos, o que lhe daria uma vaga na pré-Libertadores de 2019. Mas de tropeço em tropeço, vem deixando os adversários se aproximarem, como é agora o caso ado Santos, que diminuiu a diferença para seis pontos. O América, cujo objetivo é se manter na Série A, também anda oscilando para baixo e agora está apenas dois pontos à frente do Vasco da Gama, o primeiro da zona de rebaixamento.

• O Cruzeiro é um caso à parte, pois a exemplo do Palmeiras, vem priorizando a Copa do Brasil e Libertadores, onde acaba de ser eliminado, e utilizando um time reserva para disputar o Brasileirão. O problema é que sua equipe “alternativa”, ao contrário do Palmeiras, não consegue engatar uma sequência de bons resultados, ficando estacionado no meio da tabela, 8º lugar, com 37 pontos. Agora, a sua chance de conquistar um título importante é na decisão da Copa do Brasil, contra o Corinthians, além de mirar a atrativa premiação de R$ 50 milhões ao campeão.

• A torcida ainda acreditava em uma virada sobre o Boca Juniors e a classificação na Libertadores, mas não deu. Paciência... Agora não adianta ficar se lamentando, reclamando da arbitragem, disso e daquilo, pois é preciso virar a página, esquecer, focar na difícil decisão que tem pela frente, contra um adversário que é inferior tecnicamente, mas de muita tradição e dono de um invejável poder político junto à CBF.

• O Galo não jogou nada em Santa Catarina e mereceu a derrota de 1 x 0 para a Chapecoense, gol marcado no último minuto dos acréscimos do segundo tempo. Ao menos desta vez o técnico Thiago Larghi reconheceu a má atuação de toda a equipe, sem dourar a pílula com números e estatísticas, que levam do nada ao lugar nenhum.

No próximo sábado, o Galo fará o clássico contra o América, no Independência, e resta saber se essa postura mais crítica do jovem treinador, em relação às suas avaliações habituais, levarão o time a correr mais, dar um pouquinho mais de sangue, para voltar a vencer e alegrar sua fiel e fanática torcida. (Fecha o pano!)


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