12/09/2018 16:29:00

Capitaneados pela esperança

Valter Oliveira*



"As coisas caminham próximas à conhecida normalidade que tanto faz bem a Ipatinga e ao Vale do Aço”

Em meio à incômoda e crescente tendência pela radicalização, ainda temos a alegria de nos deparar com bons os exemplos na contramão de atitudes radicais e que só atendem interesses de minorias improdutivas. Melhor ainda quando essas demonstrações de urbanidade e civismo ocorrem na porta das nossas casas, no dito "nosso quintal".

O primeiro caso a ser citado é de interesse geral da comunidade do Vale do Aço. Depois de quase três anos às voltas com uma divergência explícita na cúpula, que se agravou com a crise que já acometia a maioria dos segmentos da economia brasileira, e especialmente a siderurgia, a Usiminas começa a tirar proveito dos benefícios da arte do entendimento, da superação desse conflito de interesse entre os acionistas majoritários.

Para ilustrar o risco que chegamos a correr, na fase mais aguda do processo, a possibilidade de recuperação judicial, chegou a assombrar. Após a celebração de um acordo pacientemente costurado, a Usiminas atinge uma nova fase em suas operações. Essa arrancada só não é mais consistente devido às incertezas que rondam o cenário econômico, sempre dependente do desfecho das intermináveis confusões nas esferas políticas, sobretudo num ano eleitoral para os principais cargos nos poderes no país.

Com a segurança institucional restabelecida, os sinais de recuperação foram tão positivos que, em dezembro do ano passado, o presidente Sergio Leite veio a público em tom otimista. Conforme o dirigente, ao contrário das empresas que rotulavam 2017 como um ano para ser esquecido, para a Usiminas seria um ano para ser lembrado sempre. Afinal, com a pacificação, houve a volta da prosperidade na siderúrgica.

Essa longa transição entre a incerteza e a recuperação deixou marcas. Quando as evidências de um rompimento se acentuavam, muitas empresas da região tiveram de se desdobrar para não fechar as portas ante à estagnação da empresa âncora. Agora que as coisas caminham próximas à conhecida normalidade que tanto faz bem a Ipatinga e ao Vale do Aço, a movimentação na avenida 28 de Abril e nos demais polos comerciais é o melhor indicador no sentido de apontar para o revigoramento das atividades mercantis. Não bastasse isso, Sergio Leite, com muita sabedoria, diálogo e sensatez, vem dando continuidade à política de bom relacionamento com a comunidade, uma marca desde os primórdios da implantação da usina, que ficou muito evidente nos tempos do saudoso "professor" Rinaldo Campos Soares.

O segundo caso diz respeito à chegada de novos tempos na Prefeitura de Ipatinga. A eleição de Nardyello Rocha, o primeiro prefeito nascido na cidade, coroou um processo natural de alcance dessa conquista. Passo a passo, o político, que vem pavimentando há duas décadas sua carreira com a experiência bem-sucedida no Legislativo, foi pavimentando o caminho com um desfecho previsível, alicerçado na férrea determinação de “chegar lá”.

O melhor estava por vir. Defensor ardoroso do diálogo, Nardyello, até o momento, não deixou que o poder o transformasse, "subisse à cabeça" no linguajar popular. Apesar dos inúmeros compromissos e rituais impostos pelo cargo, continua cultivando o hábito de frequentar os mais diversos eventos em todos os cantos da cidade. Nessas ocasiões, aproveita para ouvir demandas e ser bastante sincero nas respostas, para não alimentar falsas ilusões. O exemplo deve sempre vir de cima, e quem vai à Prefeitura tem percebido como os servidores públicos também se tornaram mais atenciosos e gentis.

Como é sabido, os municípios não têm recebido sequer os repasses garantidos das parcelas que ajudam a arrecadar para os governos estadual e federal. Nesse contexto, é impensável esperar dos prefeitos obras de grande porte antes realizadas em profusão graças ao financiamento abundante e juros aceitáveis. Mas a própria estrutura de uma Prefeitura do porte de Ipatinga permite a realização de obras que, à primeira vista, pouco representam, mas no fundo têm um valor inestimável, especialmente quando identificadas com o patrimônio imaterial, o seu resultado prático.

O retorno do desfile de 7 de Setembro ao Parque Ipanema é uma dessas ações. Reunindo mais de 20 mil pessoas, o resgate de valores ultimamente esquecidos é inestimável, a começar pela interação e congraçamento entre alunos, familiares e a comunidade.

É nesse ambiente que certamente vamos conviver novamente com a esperança, o civismo e o patriotismo, reerguendo os pilares que servem de sustentação a uma democracia e referência para o desenvolvimento de qualquer município. Como essas conquistas dependem de cada um de nós, tomara que sejam materializadas sem mais tardar.

*Valter Oliveira é ex-presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Ipatinga (ACIAPI); do Ipaminas Esporte Clube, do Clube do Cavalo Vale do Aço; do Rotary Club Ribeirão Ipanema; da Associação Esportiva e Recreativa Iguaçu; e atuante em diversos segmentos da comunidade ipatinguense.


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