09/08/2018 16:00:00

Computação Cognitiva: do conceito à prática

Everton Loffi *




A palavra cognição é uma velha conhecida. Não obstante, o termo computação cognitiva é algo mais recente. Em meio às discussões sobre Inteligência Artificial, ouvimos frequentemente a palavra 'cognição, ou aprendizado de máquina’. Mas o que, de fato, é a computação cognitiva? De que forma as máquinas aprendem?

Nos escritos de Platão e Aristóteles encontramos o termo ‘cognitione’, que é a origem da palavra cognição e representa o processo de aquisição do conhecimento que ocorre através da percepção, associação, raciocínio etc.
Sabendo, então, o significado do termo cognição, fica fácil entender o que a expressão computação cognitiva sugere. Sim, a capacidade de computadores e/ou sistemas computacionais pensarem de forma similar à maneira dos seres humanos. Portanto, temos neste contexto o poder de tomada de decisões e aprendizado baseado em experiências anteriores.

Mas onde de fato encontramos a computação cognitiva na prática? Antes mesmo de você cogitar que este tipo de tecnologia está distante do nosso cotidiano, é coisa de outro mundo, tenho uma notícia: ela está presente em nosso dia a dia! E para exemplificar, temos uma lista de alguns lugares onde se aplica a computação cognitiva:

1 - Bolsa de valores: vários ‘home brokers’ usam a computação cognitiva para efetuar transações mais assertivas, auxiliando o negociante a cometer o menor índice de erro possível a fim de garantir seus lucros. Isso é feito graças à análise computacional de históricos do mercado.

2 - Medicina: existem hospitais que fazem uso de sistemas de computação cognitiva. Eles são abastecidos constantemente por informações de históricos de tratamentos e pesquisas científicas, entre outros. Tudo para que sirvam como auxílio aos médicos tanto no momento de identificação de doenças quanto na indicação de protocolos de tratamentos. A empresa IBM possui, inclusive, uma tecnologia chamada ‘Watson for Oncology’, que usa uma vasta base de conhecimento para auxiliar no tratamento de câncer.

3 - Jogos eletrônicos: diversos jogos eletrônicos usam algoritmos cognitivos para tornar a experiência de usuário ainda mais real. Estes algoritmos são capazes de aprender o modo de jogo do usuário e suas estratégias mais comuns com a finalidade de alterar seu modo de ataque e/ou defesa para que a interação seja mais desafiadora e menos monótona durante as partidas.

4 – ‘Chatbots’: quando você conversa via chat com uma ferramenta de respostas automáticas e ela entende o que você está demandando, mesmo que informe a mesma intenção de formas diferentes ou até mesmo com erros gramaticais, você está fazendo uso de computação cognitiva.

Estes são apenas alguns exemplos da computação cognitiva em nossas vidas, sempre com o objetivo de tornar nossas tarefas mais rápidas e precisas através do uso da inteligência computacional a nosso favor. E falando em inteligência, muito se fala da computação cognitiva em discussões sobre inteligência artificial, mas seria esta inteligência – a artificial – a mesma inteligência cognitiva?

A resposta é clara e objetiva: não. Apesar de próximas, cada uma possui sua diferença. A inteligência artificial, por definição, é a capacidade de as máquinas pensarem como seres humanos.

Mas essa não é a mesma definição de inteligência cognitiva? Quase! A diferença é que a inteligência artificial por si só trabalha com uma base de dados bons, em grande quantidade e, com isso, cruza informações a fim de encontrar uma resposta ou uma visão de algo específico. A inteligência cognitiva usa seus acertos e não acertos em cima desta base de informações para aprender e melhorar, diferente da inteligência artificial isolada.

Podemos dizer que a inteligência cognitiva usa recursos de inteligência artificial - com uma cereja no bolo. Há muitos exemplos e possibilidades de uso da computação cognitiva para facilitar o mundo. Os profissionais de tecnologia são agentes e têm como missão conhecer e propor o bom uso destas ferramentas para tornar o mundo mais prático e preciso, visando sempre solucionar os problemas existentes de forma eficiente e eficaz.

* Everton Loffi é Scrum Master da AMcom, companhia de Tecnologia da Informação especializada em desenvolvimento customizado, sustentação de sistemas, consultoria e alocação de profissionais.



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