09/07/2018 15:39:00

Mazelas da Copa

Fernando Rocha



Divulgação

A Copa do Mundo na Rússia conhece hoje os seus finalistas, com grandes chances de surgir um inédito campeão mundial caso Croácia ou Bélgica levem a taça, ou, ainda, um novo bicampeão, caso o título fique nas mãos de França ou Inglaterra.

São muitas as lições tiradas de um Mundial, e no caso deste, muito mais por conta da globalização, com reflexos para mal e o bem. Do lado positivo vejo o VAR (árbitro de vídeo) ser aprovado, o que coloca sua utilização a partir de agora em um novo patamar de exigência, como é o caso do futebol brasileiro, onde por incompetência da nossa cartolagem ele ainda não foi implementado.

Na contramão disso estão as simulações dos jogadores no campo, as reclamações constantes, pressões agressivas contra os árbitros a cada marcação e outros vícios comuns do nosso futebol.

São tentativas de enganar, ludibriar a arbitragem, os adversários e os torcedores para levar vantagem no jogo. Então, nós que sempre criticamos este tipo de atitude dos jogadores no Brasil, e usando o termo da moda - globalização -, vimos este comportamento se alastrar pelo mundo, pelo que foi mostrado na Copa da Rússia.

Nosso “professor”
Dentro desse contexto e perspectiva se sobressai o nosso único craque, Neymar, o “professor” em mania de quedas e simulações, agora devidamente estigmatizado inclusive internacionalmente. Neymar saiu desta Copa bem menor do que entrou, com sua imagem e carreira arranhadas, alvo de críticas de todos os cantos, por uma de suas atitudes negativas que mais incomoda: as quedas desnecessárias, teatralizadas, após receber uma falta.

Mas vejam só: se as quedas do Neymar e de outros jogadores incomodam e causam forte rejeição, sobretudo na mídia especializada, por que as pancadas, os pontapés, o rodízio de faltas, a violência e a maldade nos jogos de futebol não causam tanta indignação?

Neymar cai demais, é verdade. Faz firula, teatro, enfim, simula gravidade acima do normal. Sim, é verdade. Por outro lado, não se pode ignorar o quanto é caçado em campo, jogo após jogo, como aconteceu também nesta Copa, sob o olhar complacente da arbitragem, inclusive do VAR.

É preciso que todos nós, colegas da crônica, torcedores, fiquemos mais atentos, pois se não pode cair ou se atirar no chão, com ou sem motivo, também não podem as faltas duras, o cerco aos árbitros, as reclamações agressivas e ofensas que viralizaram nesta Copa do Mundo, digamos.

FIM DE PAPO
• Reafirmo o que escrevi na coluna anterior, quando avaliei positivamente o trabalho de Tite no comando da seleção, mesmo após a eliminação da Copa, o que acho também ser consensual para a maioria dos torcedores, que defendem a permanência dele no cargo. Mas a imagem construída em torno dele, acima do bem e do mal, precisa ser revista e questionada em vários aspectos, pois errar uma vez até se admite, mas repetir é burrice.

• E repito: a meu juízo Tite cometeu vários erros determinantes para a eliminação nesta Copa. Primeiro a insistência com Gabriel Jesus, 21 anos, que sentiu o peso da camisa e se tornou o único centroavante na história da seleção que não fez um gol sequer numa Copa. Tite morreu também abraçado com suas convicções de intensidade de treinamento.

• Renato Augusto e Douglas Costa sofreram lesões durante a preparação e reclamaram do ritmo dos exercícios. Fred, em um treino ainda em Londres, sofreu uma entrada dura de Casemiro e não conseguiu se recuperar, a ponto de Tite não ter confiança de colocá-lo em campo. Danilo teve estiramento, e depois uma lesão no tornozelo esquerdo que o tirou do Mundial. A respeito disso, o treinador se recusou a admitir os erros na entrevista coletiva após a eliminação, o que foi um grande equívoco.

• Mas tem outra questão que, a meu ver, foi fundamental para o fracasso, e que poucos clubes ou seleções dão importância. Preferem investir milhões em equipamentos e contar com os melhores profissionais da medicina esportiva, o que não deixa de ser elogiável, mas ignoram a necessidade de ter um psicólogo permanente em seu quadro de funcionários para atender os jogadores.

Tite é conhecido pelo trabalho motivacional com os atletas, mas não é um psicólogo profissional que poderia ter trabalhado melhor o lado emocional da seleção e a capacidade para atuar em um cenário adverso. Quando surgiu uma situação de crise — o gol contra de Fernandinho a favor da Bélgica —, o time todo sentiu, se perdeu, tomou o segundo gol logo depois e a casa caiu. (Fecha o pano!)


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