13/06/2018 16:11:00

Siderurgia estima perdas de R$ 3,5 bilhões com medidas do governo pós crise

O setor, que já vinha enfrentando dificuldades após a crise econômica iniciada em 2015, espera um cenário ainda mais complexo



Divulgação


Flávio Roscoe (C)enfatizou a preocupação com a situação do setor industrial em especial a indústria do aço
A indústria siderúrgica brasileira emprega mais de 100 mil empregados e corresponde a 6,9% do Produto Interno Bruto industrial de Minas Gerais. O setor, que já vinha enfrentando dificuldades após a crise econômica iniciada em 2015, espera um cenário ainda mais complexo de perdas de até R$ 3,5 bilhões após as medidas tomadas pelo Governo Federal na tentativa de solucionar a crise dos caminhoneiros, é o que avalia o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. O líder empresarial enfatizou a preocupação com a situação do setor industrial em especial a indústria do aço. “No atual quadro, tivemos vários efeitos danosos da crise dos combustíveis para o setor, como a redução da alíquota do Reintegra de 2% para 0,1%,” pontuou.

Roscoe explicou que o Reintegra é uma compensação por carga tributária oculta que realiza o ressarcimento desses tributos para exportadores. “Ninguém exporta impostos, por isso a importância desse programa. E ao reduzir o Reintegra, tiramos dinamismo de vários setores para exportar, como consequência, essas empresas ficam menos competitivas, são gerados menos empregos e, obviamente, menos impostos,” disse.

O líder empresarial também confirmou o posicionamento da Fiemg frente à outras medidas tomadas pelo Estado na tentativa de debelar a crise, como o Tabela Mínima de Frete. “A postura da administração da Federação é a de judicializar os temas que não houver mais chances de negociação. Estamos com ações prontas contra, principalmente, dois temas importantes após a crise dos combustíveis, que são o Reintegra e a tabela de Valor Mínimo de Frete, que viola claramente a Constituição”, reiterou Roscoe.

Siderurgia
O presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, alertou que o setor vai apelar para a judicialização para reversão das medidas tomadas pelo Governo Federal com o intuito de dar previsibilidade ao mercado para 2019. “Nós trabalhamos com a ideia de judicialização, porque entendemos que a única maneira efetiva para se acabar com o Reintegra seria um Reforma Tributária bem executada, não apenas em uma canetada,” afirmou.

Mello Lopes pontuou que, inclusive, as porcentagens até então vigentes para o Reintegra estavam defasadas e impediam uma maior competitividade do setor. Segundo o executivo, o setor trabalhava com a proposta de os atuais 2% serem o piso para o programa e que cada segmento negociaria separadamente seus percentuais de ressarcimento. Para a siderurgia esses valores seriam de 7%.

Para o Ceo da ArcelorMittal Aços Longos América do Sul, Central e Caribe e vice-presidente da Fiemg, Jefferson de Paula, o Brasil ainda está em processo de saída de uma das maiores crises de sua história. Para ele, o país tem boas indústrias e um agronegócio forte que podem auxiliar a retomada econômica aliados à prática exportadora.
“No atual quadro brasileiro, a melhor saída para voltarmos a crescer é a exportação, uma vez que podemos girar a economia, gerar mais empregos, para, assim, retomar investimentos. Devido à crise e em um quadro com governos em dificuldades, quem vai investir? As empresas, mas é importante que elas não sejam surpreendidas todo mês,” criticou.




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Comentários

Tinho

13 de Junho, 2018 | 18:38
Governo não gera emprego, a não ser por meio de concurso. Os grandes empregadores são as empresas privadas, portanto, deixar a ideologia social/comunista e abrir o mercado, é alimentar o "alto forno da economia com oxigénio".
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