14/05/2018 16:49:00

Em quem votarei para presidente ?

Edmar Moreira *



Elvira Nascimento

"A política regional, há tempos, passa por situações desagradáveis e desabonadoras”

Recentemente fui a uma banca de revistas no terminal rodoviário de Coronel Fabriciano, semi amparado por dois amigos devido às sequelas de uma recente parada múltipla dos órgãos e a proliferações de bactérias super resistentes que só não me mataram porque frequentei durante três meses as UTIs do Hospital Márcio Cunha, nossa referência que congrega profissionais de altíssima qualidades e sensibilidade.

Pois bem, comprei uma revista e fomos saindo quando um amigo motorista de táxi me perguntou, bem alto: - Edmar, em quem você vai votar? Respondeu-lhe um colega seu: “- É Bolsonaro na cabeça!”, no que replicou-lhe uma zeladora arrastando o rodo: - “É Lulaaa!” Meu amigo ao lado resmungou: “- Eu não vou votar em Ninguém!”

Acenei para todos os conhecidos que me saudavam. Uns dez. Tudo gente de mais de seis décadas que, como eu, passaram pela pelas administrações do Getúlio Vargas, Juscelino, João Goulart, ditadura militar, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff e agora Michel Temer. Não respondi nada, fiquei pensando na confusa e profunda situação em que estamos atolados. Com a política praticamente desmoralizada e envolvida em corrupção, assaltos que vão de rombos na Petrobras até a merenda escolar de criancinhas, passando pelos remédios para os postos de saúde, etc. etc.

A maioria das nossas “lideranças” políticas é de fichas sujas ou estão sob investigação. E os candidatos a presidente e governador, quem verdadeiramente são? E os que compõem as suas bases de apoio? Diga-me com quem tu andas....
Mas vamos lá, andando por Timóteo ou Ipatinga sou arguido seguidamente sobre a política: - Ô Edmar em qual candidato a prefeito nós vamos votar? E também os que perguntam são pessoas de vivência antiga na comunidade dos tempos do Jésus Martins, na prefeitura de Timóteo, e Jamil Selim de Sales, na de Ipatinga. Gente que está indecisa mas tem senso crítico e sabe discernir as coisas. Pessoas que podem comparar por conhecer a história dessas cidades e a conduta de cada candidato que desponta. Pessoas indecisas, mas participativas e que sabem analisar muito bem se o candidato tem competência, se é honesto ou ético. Se tem conhecimento da realidade do município, das necessidades da população. Se ele tem compromissos com o desenvolvimento do município e com a melhoria da qualidade de vida da população.

Mas a política aqui no coração do Vale do Aço, há tempos, passa por situações desagradáveis e desabonadoras. Só para relembrarmos, a Polícia Federal bate à porta de prefeitos, prefeito de Ipatinga desaparece e é encontrado bêbado em bordel de Belo Horizonte. Prefeitos cassados nas duas cidades provoca sequências de instabilidade administrativa nunca antes imaginada. Duas cidades com prefeitos destituídos dos seus cargos por serem fichas sujas.
Espere aí! Os eleitores têm toda razão em estarem confusos, revoltados, chateados e sem saber a quem eleger. Escuto sempre também o repetitivo mantra “eu num vou votar em ninguém!”.

A nossa região reflete a política e a crise econômica do país. Da promessa de um avanço histórico e sem precedentes o nosso país voltou ao abismo do terceiro mundo, do país latino, quintal dos Estados Unidos. Fomos ridicularizados pela bandidagem que tomou conta dos morros, de muitos palácios luxuosos, de vários Estados, inúmeras cidades, de parte da Justiça e contaminou a população sem emprego, mal paga, mal educada, beirando a barbaridade de tão violenta. Grande parte da população por necessidade ou falta de educação, desconhecedoras da ética, fura fila, busca a vantagem em tudo, passa a perna nos velhos, dá golpe no INSS, usa da boa-fé para enganar os incautos. É como diz a Jojô Todynho: - Que tiro foi esse?

Sinceramente somente os inocentes desconhecem que a corrupção e a ladroagem sempre existiram, mas hoje salta aos olhos de forma deslavada, cafajeste, ultrajante, sem nenhum pudor. Esse é um período que marcará várias páginas negativas de nossa história. Lógico que não se pode generalizar. Existe gente competente e honesta no meio dessa porcariada toda, só que esses não conseguem assumir um patamar na política que lhes dê cabedal para serem candidatos competitivos. São pessoas de caráter exemplar, mas são poucos, são exceções nesse armado circo das más intenções.

“Votar para perder voto, eu não voto, não perco voto!” “Voto em quem a pesquisa apostar que vai ganhar”. “Não voto porque pra mim não tem candidato que presta!” “Detesto política!”. Essas são algumas das exclamações que escuto por aí. Mas eu lhes digo. Eu já perdi muito voto e já ganhei alguns. Em todos os resultados negativos refleti: Perdi mais ganhei porque não ajudei eleger um candidato que do meu ponto de vista não dará conta do recado.
O poder corrompe! O poder enche a cabeça, a pessoa tem que ter caráter, firmeza, projeto, dignidade e ideal para não cair na rede, não se assessorar de incompetentes e mal intencionados.

Em várias vezes que ganhei, muito me decepcionei, em algumas vibrei. Nenhuma ainda me satisfez plenamente, outras tantas foram decepcionantes, mas nunca deixei de votar. Já estou com 74 anos, não sou mais obrigado, mas vou lá. Comparecerei na beira da urna eletrônica; que não tem a minha inteira confiança. Só não digo em quem votarei porque todos sabem que o voto é secreto.

* Radialista aposentado


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