10/02/2018 11:05:00

Chorar na cama



Divulgação

O principal assunto recente no futebol nacional foi o retrocesso dos clubes, com a condescendência da CBF, que decidiram, em assembleia realizada no dia 5 de fevereiro, pela não utilização da vídeo-arbitragem no próximo Campeonato Brasileiro.

Apenas sete dos vinte clubes da Série A votaram a favor: Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional. Foram contrários ao recurso tecnológico para dirimir as dúvidas da arbitragem: Corinthians, Santos, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória, Ceará, e, infelizmente, os três representantes mineiros, América, Cruzeiro e Atlético.

Entre as desculpas dos cartolas contrários à entrada do futebol brasileiro na era da modernidade destaca-se o custo muito alto da novidade, que, segundo a CBF, daria algo em torno de R$ 1 milhão para cada um, o que, convenhamos, é um grande exagero, coisa com cheiro de superfaturamento.

A entidade, após alguns erros absurdos da arbitragem em 2917, e com o campeonato em andamento, ameaçou colocar a vídeo-arbitragem em prática em uma semana, sem reclamar de seus custos, mas desta vez disse que não bancaria nada do seu próprio bolso.

Se cumprisse de fato a sua função, que é fomentar o futebol, deveria sim, bancar todas as despesas, por ser o primeiro ano de implantação do sistema, e se não encontrasse um patrocinador, cobrar depois dos clubes.

Cartolagem fraca
Como a nossa cartolagem realmente é muito fraca, os clubes se acovardam e deixam a CBF fazer o que bem quer, ao invés deles mesmos agirem no sentido de aumentar a credibilidade do produto, que, afinal, representa uma ativo importante de suas receitas.

Mas eles nem sequer discutiram ou questionaram os custos apresentados pela CBF, ou, ainda, se os clubes mais ricos, como Flamengo, Corinthians e Palmeiras, só para citar os três que recebem as maiores cotas da TV, poderiam contribuir com valores maiores que o América, Ceará e Paraná, cujas receitas são bem menores.

Digamos que, a partir de agora, no Brasileirão, só serão aceitas reclamações dos sete clubes que votaram pela melhoria da arbitragem através da aplicação dos recursos tecnológicos.

Quanto aos outros treze clubes que votaram contra, incluindo América, Atlético e Cruzeiro, quando se sentirem prejudicados por erros dos assopradores de apito, vão chorar na cama, que é lugar quente. “O dirigente de futebol só se preocupa com o árbitro quando ele erra contra a sua equipe”. Armando Nogueira.

FIM DE PAPO
Na mesma fatídica assembleia, os dirigentes também aprovaram a venda dos mandos de campo nos jogos do Brasileirão. Achei muito pertinente e concordo com a pergunta feita pelo jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, que questionou em seu blog:

“Por que nenhum campeonato importante do mundo permite vendas de mandos de campo? Você já viu o Barcelona jogando em Valencia contra o La Coruña? Ou o Zaragoza jogando em Barcelona contra o Real Madrid”?

No atual Campeonato Mineiro é permitida essa “venda” do mando de campo, como fez recentemente o Tombense, ao trazer sua partida contra o Cruzeiro para o Ipatingão, pois jamais iria arrecadar o que conseguiu aqui jogando no seu acanhado estádio, em Tombos, na Zona da Mata.

Na falta de um local para jogar, como acontece atualmente com os clubes cariocas, já que o Maracanã foi alugado para shows musicais, ou por incapacidade do seu estádio para abrigar um jogo com perspectiva de um número grande de torcedores, como é o caso do Tombense, pode até ser justificável a “venda” do mando de campo. Mas, o que se vê por debaixo dos panos na maioria das vezes é uma espécie de “prostituição” dos clubes, jogando numa cidade ou estado que não lhe pertence, apenas por dinheiro.

O técnico Osvaldo Oliveira acabou não resistindo às pressões e pediu demissão na madrugada de sexta-feira, um dia após o incidente no Acre, que gerou um grande mal-estar e expôs a imagem do clube de forma negativa em todo o país. A proibição da entrada do repórter com quem se desentendeu na Cidade do Galo foi outra trapalhada da diretoria, que em “off” deveria ter entrado em contato com a direção da emissora estatal onde o repórter trabalha, solicitando que, até a poeira baixar, o mesmo não fosse escalado para a cobertura diária do clube.

E não seria nada demais, até para preservar o nome da emissora e a integridade física do repórter, que a solicitação fosse atendida. Mas, desde que Eduardo Maluf foi morar em outro plano espiritual, a diretoria alvinegra carece de gente equilibrada, com capacidade de mediação e humildade suficientes para resolver casos delicados desta natureza.

Enquanto isso, se à esta altura ele já não tiver sido anunciado como novo treinador, um “gato de armazém” com história no clube, ídolo da torcida, escondido atrás do saco de farinha, só esperava o dono baixar as portas para atacar a bexiga de salame. O nome dele? Tem quatro letras e no dicionário do Aurélio pode ser encontrado facilmente, definido como “entidade fantástica com que se mete medo às crianças; papão”. (Fecha o pano!)


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