13/01/2018 11:18:00

Posição ingrata



Divulgação

Não é à toa que a posição de goleiro tem a fama de ser a mais complicada do futebol. Dou razão a quem pensa assim, porém, também coloco no mesmo patamar a posição do artilheiro. Os dois, cada um no seu terço de campo, mexem muito com o resultado dos jogos, daí serem naturalmente os mais visados pela torcida, imprensa etc.

Penso, e não sou o único, que goleiro e artilheiro não são, por assim dizer, os bambambãs, os maiorais do jogo de futebol, pois há uma variação de importância muito grande, dependendo do que acontece numa partida, o que dá notoriedade a outros jogadores em outras funções.

Mas é fato que o goleiro é um caso único, singular no futebol, lado a lado com o artilheiro em importância, disso não tenho dúvida. Não foi à toa que o mestre Armando Nogueira escreveu numa de suas crônicas: - O gol que glorifica o artilheiro mortifica o goleiro.

No ano passado, por exemplo, foi tema de numerosas discussões, debates e manifestações da torcida se o jovem Rafael deveria ser mantido como titular do Cruzeiro no lugar do ídolo Fábio, o jogador que mais vestiu até hoje a camisa do clube em jogos oficiais e amistosos, mais de 700 vezes.

Bastou Fábio, goleiro já consagrado, se contundir, para o substituto cair nas graças da torcida, até porque teve méritos para isso, com ótimas atuações feitas na sua interinidade.

Neste caso houve um final feliz, e o técnico Mano Menezes, contrariando muita gente, optou por devolver a titularidade a Fábio, que acabou sendo o grande herói da conquista do título de pentacampeão na Copa do Brasil, ao defender o pênalti cobrado por Diego, do Flamengo, na decisão do Mineirão.

Sem igual
Tivemos também um outro caso no Flamengo, com o goleiro Muralha, o que demonstra claramente como a posição de goleiro é ingrata. Muralha foi o goleiro mais falado e comentado no âmbito do futebol brasileiro, em 2017, dos torcedores aos críticos, mas não de maneira positiva, elogiável, e sim, pelo lado negativo.

Muralha foi crucificado, virou a “Geni” da maior torcida do país, por ter falhado inúmeras vezes e, sobretudo, não ter conseguido defender ao menos uma cobrança na decisão por pênaltis da Copa do Brasil, onde o Flamengo perdeu o título para o Cruzeiro.

Outros goleiros, como “São” Victor no Galo, João Ricardo no América, Sidão no São Paulo, Fernando Prass no Palmeiras e o próprio Fábio, no Cruzeiro, não ganharam a metade da repercussão de Muralha, pelo lado negativo, uma prova cabal e inequívoca do quanto a posição de goleiro é ingrata.

FIM DE PAPO
Quanto ao goleiro fabricianense Rafael, a quem a maior parte da torcida cruzeirense e da imprensa mineira queriam ver efetivado como titular celeste, reagiu com sabedoria, sem chiliques ou falta de educação, ganhou um novo contrato e um bom aumento salarial. Rafael tem 28 e Fábio 37 anos. Mais dia, menos dia, a vez será de Rafael, em quem a torcida celeste também confia.

A esperada volta do Cruzeiro ao Vale do Aço, depois de onze anos, vai acontecer no dia 27 próximo, sábado, às 19hs, no Ipatingão, contra o Tombense, pelo Campeonato Mineiro. O time de Tombos tem o mando de campo e extraoficialmente sinaliza que vai cobrar R$ 50 pelo ingresso, e a metade para estudantes, idosos acima de 60 anos e crianças até 12 anos, como determina a lei municipal em vigor.

Não acho absurdo, caso seja este mesmo o valor do ingresso (R$50), considerando o fato de ser um jogo oficial, além dos longos anos sem ver o Cruzeiro jogar na nossa casa - a última vez foi na final do Campeonato Mineiro de 2006. Além disso, tem as muitas atrações no atual time, como o artilheiro Fred. E além do mais, nos jogos realizados no Mineirão o torcedor celeste paga muito mais caro para ver seus ídolos de perto.

Esta é uma hipocrisia típica do Brasil: admite-se pagar até R$200 para assistir shows de Luan Santana, Gustavo Lima, Michel Teló, Henrique e Juliano, Jorge e Mateus, entre outros barangas também chamados de “sertanejos universitários”; vê-se pela TV e redes sociais políticos circulando com malas de dinheiro, roubando impunemente a população e tendo ainda seus mandatos preservados.

Assiste-se passivamente uma deputada com diversas condenações na justiça trabalhista ser indicada Ministra do Trabalho; um diretor do Detran mineiro ter a carteira de habilitação apreendida por conta de excesso de multas e transgressões, e mesmo assim sair ileso, lampeiro e pimpão, mantido no cargo por um governado que não consegue sequer pagar o salário dos funcionários públicos em dia.

Por fim, o brasileiro assiste mudo e calado o preço da gasolina disparar e chegar em quase R$ 5 nas bombas... e nada acontece. Então, me poupem deste tema, se é justo ou injusto o preço do ingresso cobrado neste jogo Tombense x Cruzeiro, aqui no Ipatingão. Simplesmente paguem, sem chiar, porque há coisas mais relevantes com o que deveriam se preocupar e não o fazem, talvez por preguiça, mas, certamente, por ignorância. (Fecha o pano!)


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