29/12/2017 18:54:00

Fecha o pano



Divulgação

Sempre encerro esta coluna com a expressão “Fecha o pano”!, que já foi usada por muitos outros colegas, e não é uma exclusividade minha. No entanto, acho que pelas manifestações carinhosas dos leitores este bordão acabou “pegando”.

Por ser esta a última coluna de 2017, o título aí em cima se justifica, até mesmo porque este foi um ano onde se somaram mais coisas ruins do que boas, em todos os segmentos, sobretudo na política, onde o descrédito foi total.

O futebol também não ficou de fora, já que o comando nacional, representado pela CBF, teve o presidente, Marco Polo Del Nero, afastado do cargo e praticamente banido por decisão da Fifa, acusado de vários crimes de corrupção.

O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, está preso e condenado, recolhido em um presídio federal nos Estados Unidos, enquanto outro ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira, se esconde aqui para não ser preso também pelos mesmos crimes do parceiro.

Mesmo com este cenário sombrio, podemos esperar coisas boas do futebol em 2018? Por ser um ano de Copa do Mundo pode até haver um certo otimismo, mas, de uma maneira geral, as perspectivas não são nada animadoras. “A única esperança para 2018 é que ‘as coisas ruins’ deste ano sejam diferentes das coisas ruins de 2017”. Fernando Gabeira.

Drama da arbitragem
Entra ano sai ano é a mesma coisa, mas o que esperar da nossa arbitragem em 2018? Ao menos em grande parte, os erros que interferem no resultado dos jogos devem diminuir, devido à entrada em cena do árbitro de vídeo nos campeonatos nacionais, o que já é uma realidade nas principais competições europeias e no resto do mundo.

A CBF publicou o cronograma das competições para 2018, onde, por conta da Copa do Mundo em junho/julho, na Rússia, haverá uma enorme confusão, com excesso de jogos e muita reclamação dos clubes e jogadores. Na próxima semana já começa o período de pré-temporada dos principais clubes, reduzida à metade, só 14 dias, o que leva a imaginar as equipes grandes meio capengas neste início de ano.

Reduzir as datas dos campeonatos estaduais seria o ideal, mas a CBF finge que não vê o problema e não toma providências neste sentido, para não perder o apoio político das federações que sobrevivem às custas destes torneios desgastados e ultrapassados.

FIM DE PAPO
Uma dúvida que muita gente ainda tem é se teremos ou não os jogos das séries A e B do Brasileiro, durante a Copa do Mundo, que será disputada de 15 de junho a 15 de julho, na Rússia.

Segundo o calendário de competições divulgado pela CBF, não haverá jogos neste período, o que vai causar um enorme prejuízo aos clubes, que ficam sem algumas das principais fontes de arrecadação. Por outro lado, as contas não param de vencer, como, por exemplo a obrigação de quitar os compromissos com os jogadores, funcionários, fornecedores etc.

A exemplo do ano passado, a Copa Libertadores, Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana vão se estender até quase o fim do ano. Se por um lado a Copa do Mundo serve como desculpa, obviamente que, com essa quantidade de competições paralelas, os campeonatos de pontos corridos das séries A e B ficarão desvalorizados, pois os clubes acabam priorizando os mata-mata e escalam times reservas ou mistos, prejudicando a si próprios e aos espetáculos.

O calendário da CBF não fala nada sobre a Primeira Liga, mas há nele um item “cavernoso”, cujo significado só ela sabe: “Torneios regionais”. Talvez esta seja a válvula de escape para atender quem desejar entrar na disputa da Primeira Liga, o torneio mais avacalhado do ano, por culpa da CBF e dos próprios clubes.

Resumo da ópera: além de tudo isso que eu citei, em 2018 haverá ainda dez datas-Fifa até a Copa do Mundo, ou seja, o Campeonato Brasileiro será obrigado a programar rodadas intermediárias, tornando o calendário da CBF uma barafunda, com jogos quase todo santo dia, o que vai exigir dos clubes um gasto maior na formação de elencos, que não só devem ter qualidade, mas também quantidade, para suportar o tranco.

Vou iniciar o ano novo lendo bons livros, presentes de natal da família e amigos. A lista é extensa, mas estou ansioso para iniciar os três primeiros da fila: “Confesso que Perdi”, autobiografia do jornalista Juca Kfouri; “O Livro do Jô - Uma Autobiografia Desautorizada”, escrito por ele e por Matinas Suzuki Jr., ambos da Cia. das Letras; e “A Elite do Atraso - Da Escravidão à Lava Jato”, que mostra a realidade do nosso sistema econômico e as artimanhas praticadas pelos donos do poder ao longo da história. Que venha 2018! Muito luz, paz e saúde para todos nós. (Fecha o pano!)


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