28/12/2017 17:58:00

Compartilhamentos. O que você ganha com isso?



Já parou para pensar quando alguém te envia por rede social, sobretudo, o Whatsapp, um anexo cuja relevância é duvidosa? É hora de se refletir sobre essa prática. Primeiramente, pela sua covardia. Quando alguém lhe encaminha algo, ele pressupõe que a reponsabilidade intelectual de quem criou o arquivo é menor que a de quem encaminhou. Errado! Quem encaminha passa a ser, no mínimo, coautor, na medida que passa adiante o que recebeu.

Se fizermos analogia com o mundo tangível corremos o risco ainda maior quando recebemos, por exemplo, dinheiro falso. Quem recebeu acionará as autoridades policiais acusando a quem lhe repassou, de ser o autor do fato delituoso. E quem repassou responderá como tal, mesmo que tenha recebido o dinheiro falso de outra pessoa. Você terá “um baita” trabalho para se isentar da responsabilidade de repassar notas falsas.

Assim também ocorre no mundo virtual. Quando recebe um arquivo e cai na tentação de repassar adiante algo que tem sua veracidade não confirmada, a infâmia, a calúnia, a ilação é da responsabilidade do último que encaminhou o arquivo ao destinatário denunciante. E observo que as pessoas não veem tal ato sob esta perspectiva. Mas, é ela que se confirmará na visão de um juiz, se o caso for parar nos tribunais. Por isso está na hora de se fazer a pergunta: o que eu ganho ao compartilhar algum arquivo nas redes sociais?

Eu respondo: risco desnecessário. Sob o manto da impunidade e do anonimato, vários textos que começam, tipo “A casa caiu da Mega-Sena...” “Este vídeo foi censurado pelo congresso, mas vamos compartilhar nas redes sociais...” “Não podemos continuar com essa algazarra, assine a petição para a redução dos salários dos deputados e senadores e a redução da representatividade...”

Nada mais fácil para propagar vírus do que pegar o internauta de primeira viagem e esse cair na bobagem de achar que estará contribuindo por um Brasil melhor. Pior ainda, os que o fazem com consciência. Não gostam do partido A ou B, do candidato (ou pré-candidato) C ou D e aí ajudam a propagar inverdades sobre suas vidas, dos amigos e parentes buscando, assim, mais adeptos para atacar e propagar o ódio em todos os níveis.

É muito ruim, ver o que chamamos de “fake News” ser hoje ameaça às democracias estabelecidas, em função da facilidade com a que recebemos informações, não checamos com órgãos de comunicação reconhecidamente sérios e tratamos o fato com o desprezo à sua autenticidade. O que estamos é criando um mundo insustentável para se viver. Um mundo em que uma reputação é destruída na velocidade de downloads de vídeos da internet. O peso da sociedade sobre o indivíduo nunca foi tão forte desde que as mídias emergentes colocaram poder nas mãos de otários e otários se passaram por intelectuais, por gente séria.

É chegada a hora de o anonimato das redes sociais acabar. É necessário que o Facebook, por exemplo, coloque em cada vídeo, a origem, a data e o código verificador (o CPF ou algo com a credibilidade que possa garantir a intelectualidade de quem postou) e, somente assim permitir que vídeos, textos e imagens sejam postados. O Whatsapp deve submeter à mesma exigência e colocar-se como responsável pelo conteúdo do que é postado nas redes. Se não, vamos correr atrás da salsicha.

Especialistas em comunicação digital têm afirmado que é preciso cobrar mais responsabilidade de empresas como Facebook e Google, na verificação da veracidade dos conteúdos que distribuem e que a imprensa tradicional, quando traz à tona a questão das notícias artificialmente plantadas, cumpre um importante papel para conscientizar e esclarecer a população sobre o tema.

No Brasil e no mundo é crescente a preocupação com a proliferação de boatos e notícias falsas pela internet, facilitada nos últimos anos a partir da popularização das redes sociais e plataformas móveis de comunicação, incluídas aí o WhatsApp e o Twitter, entre outras. Para os analistas, com o passar do tempo a população vai aprendendo a diferenciar o conteúdo falso do verdadeiro, mas alertam: as pessoas tendem a compartilhar links que dizem o que elas pensam, sem se importar se aquilo é verdade ou não. Em último caso, a saída é a Justiça.

* Consultor


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