25/08/2017 09:30:00

Educação: desafio para o Brasil

Sebastião Alvino Colomarte



Divulgação

O sistema educacional brasileiro sofre influências das intensas desigualdades sociais. Na verdade, o que ocorre é que existem verdadeiras ilhas com pouco desenvolvimento, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, por exemplo, e centros altamente sofisticados como o Vale da Eletrônica, que desenvolve no Sul de Minas uma tecnologia de ponta, ou em outras regiões do País, como São José dos Campos e Florianópolis.

O educador popular, antropólogo e folclorista Tião Rocha diz que a tecnologia no Brasil não consegue atingir a educação como um todo. Na verdade, precisamos corrigir essa distorção, pois apesar dos avanços, nos deparamos com escolas do Século XIX, professores do Século XX e alunos do Século XXI. Considero que as particularidades do aluno e da região onde ele vive precisam ser consideradas para se promover uma educação de fato.

Levar o desenvolvimento às diversas áreas carentes do Brasil é o grande desafio. Nesse sentido, um estudo pormenorizado da vocação econômica das microrregiões poderia ser o primeiro passo. Assim, antes de se pensar em desenvolvimento tecnológico, estaríamos buscando integrar as regiões carentes do País, alijadas do contato com a tecnologia, mas com potencial de crescimento sem, necessariamente, utilizar tecnologia de ponta.

No Brasil, é comum depararmos com escolas que carecem de um mínimo de infraestrutura básica, às vezes sem um sistema de saneamento eficiente. Apesar de toda a precariedade, ali encontramos professores abnegados que tentam “tirar água de pedra”.

Assim fica a pergunta: Qual o futuro reservado para essas crianças, que ficam sem condições de competir em igualdade de condições com estudantes de grandes centros urbanos quando chegar o momento de lutar por uma vaga em uma universidade púbica via Enem? Mesmo com as cotas sociais, raros conseguem ocupar esse espaço. A situação se agrava quando jovens pouco ou sem formação/qualificação tentar entrar no mercado de trabalho.

É preciso da participação do governo com políticas públicas sérias focadas na educação cidadã e profissional. Assim como da iniciativa privada e de toda a sociedade visando encurtar o abismo existente entre os polos que irradiam tecnologia e, por outro lado, regiões que carecem de uma mínima infraestrutura básica.

O Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais, com mais de três décadas de atuação no Estado, beneficiando milhares de estudantes com o Programa Estágios, defende a ideia de uma educação “regionalizada”, respeitando a vocação e as diferenças existentes entre as diversas regiões do país. Desta maneira seria até possível reduzir o fluxo de migração para os grandes centros econômicos.

Pode-se levar inovação às regiões mais carentes do Brasil? Sim, mas também é possível pensar em um desenvolvimento sustentado em que a tecnologia não seja o único instrumento para alavancar o progresso de uma determinada região. Afinal, educação de qualidade é sinônimo de comunidade próspera.

*Professor, superintendente-executivo do Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais e diretor da AC Minas.


Encontrou um erro? Comunique: falecomoeditor@diariodoaco.com.br


Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.
Envie o seu Comentário