18/08/2017 09:44:00

Vida Difícil



Divulgação

Vida difícil é a do goleiro. “A bola que glorifica o artilheiro mortifica o goleiro”, dizia o mestre Armando Nogueira com a autoridade de quem viu jogar “in loco” os maiores goleiros e artilheiros de toda a história do futebol mundial no século passado. Este drama comum na carreira dos goleiros foi vivido na última quarta-feira pelo experiente Fábio, recordista de jogos e titular absoluto do Cruzeiro, na derrota de 1 x 0 para o Grêmio, jogo de ida pela semifinal da Copa do Brasil.

Na música “Eu vou lhe avisar”, o grande sambista Jorge Bem Jor diz: “Eu vou lhe avisar/Goleiro não pode falhar/Não pode ficar com fome/Na hora de jogar/Senão, um frango aqui, um frango ali/Um frango acolá”. Fábio fez duas grandes defesas no primeiro tempo, evitando a derrota celeste por um placar dilatado, mas nos acréscimos acabou falhando, ao soltar uma bola chutada por Luan nos pés do artilheiro Barrios, que só teve o trabalho de empurrar para a rede.

Fábio já salvou a pátria dezenas de vezes, ao longo desses 12 anos defendendo a meta celeste, mas é um ser humano como outro qualquer, e tem todo o direito de falhar, tanto é que foi até escolhido o melhor jogador em campo por uma emissora de rádio da capital. Mas como diz a letra do samba citado lá em cima, o problema é que “o goleiro não pode falhar”. E quando isto acontece, costuma ser fatal para ele próprio e para o seu time.

Galo descansado
A 21ª rodada tem o Cruzeiro hoje em campo contra o Sport de Vanderlei Luxemburgo, no Mineirão, enquanto o Atlético irá encerrá-la no Rio de Janeiro, encarando o Fluminense na segunda-feira. Por ter sido eliminado na Copa do Brasil e Libertadores, o técnico Rogério Micale ao menos teve a semana toda para descansar e treinar os jogadores tentando lhes passar suas ideias e concepções táticas.

Sem poder contar com os volantes titulares - Rafael Carioca e Adílson vão cumprir suspensão por cartões amarelos -, o treinador terá de mexer muito na equipe do meio para a frente, dando oportunidade a alguns jogadores que não vinham sendo aproveitados, como, por exemplo, o volante Roger Bernardo.

A vitória sobre o Flamengo deu a tranquilidade que faltava ao elenco atleticano para poder se preparar sem tanta cornetagem, em razão da série de maus resultados. O técnico Micale, finalmente, teve um período para preparar melhor o Galo e tentar fazer o que seus antecessores em muito mais tempo não obtiveram êxito: dar uma cara ao time.


FIM DE PAPO
• Tem alguma coisa muito estranha acontecendo nos bastidores, que estaria impedindo o time B do Atlético de jogar o futebol que se esperava dele, nessa malfadada “terceirona” estadual. Que foi uma boa ideia da diretoria alvinegra a de entrar na disputa, para dar rodagem a jogadores jovens e outros refugos do seu elenco, disso ninguém tem dúvida. Mas a campanha até agora é esdrúxula: 4 jogos, 3 empates e uma derrota, apenas dois gols marcados e três sofridos, 6º colocado, com aproveitamento de 25%. Com uma folha salarial que talvez seja maior do que a de todos os outros concorrentes juntos, o time ainda contratou um treinador que tem até a seleção brasileira de base no currículo.

• O Ipatinga, que faz uma campanha irregular, mas muito melhor que a do Atlético B, iniciou a rodada do fim de semana em terceiro lugar, com 7 pontos, dois a menos que o Democrata de Sete Lagoas, seu adversário deste sábado no Ipatingão. O Tigre estreou empolgando a torcida ao fazer 7 x 0 no Bétis, um time semiamador de Ouro Branco. Depois perdeu para o líder Coimbra, em Nova Lima; ganhou do Inter de Minas, em Uberlândia, e só empatou com o União Luziense, um dos piores entre os piores da competição, dentro do Ipatingão, diante de 5 mil torcedores que saíram frustrados porque esperavam a vitória.

• A semana passada não foi nada agradável no que diz respeito ao futebol, dentro ou fora de campo. Nos três jogos disputados entre seis dos maiores clubes brasileiros um golzinho marcado apenas. E só. Foi o da vitória do Grêmio contra o Cruzeiro pelas semifinais da Copa do Brasil: 1 a 0. Gol chinfrim, numa falha clamorosa do goleiro Fábio, e caso não tivesse acontecido, certamente haveria outro 0 x 0. Na outra semifinal da competição, entre Botafogo e Flamengo, com direito a nova confusão de torcedores do lado de fora do estádio, e no jogo entre Santos e Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro, tudo igual: 0 a 0.

• Perdeu força, mas ainda existe uma corrente que defende a volta dos “mata-mata” no Campeonato Brasileiro, por achar que o sistema de pontos corridos é tedioso, não produz grandes jogos e não desperta grande interesse nas torcidas. Depois dessa rodada de quarta-feira na Copa do Brasil, essa turma aí deve ter ficado com cara de tacho. Nos dois jogos das semifinais na Copa do Brasil, o que não se viu foi futebol de qualidade. Os quatro times jogando pelo regulamento, retrancados, fazendo catimba e muitas faltas. Verdadeiras peladas oficiais. (Fecha o pano!)


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