01/07/2017 11:43:00

A opinião pública através dos tempos

COLUNA DO IAMG - José Geraldo Hemétrio



Divulgação

Nos últimos anos, os brasileiros familiarizaram-se com a expressão “opinião pública”, que passou a aparecer com frequência na chamada mídia. Apesar disso, muito pouco se discutiu até agora no Brasil - tanto no plano acadêmico como no jornalismo mais ilustrado – a respeito da natureza dessa categoria de fenômeno considerado como de opinião pública, ou ainda, se preferirmos, dessa “entidade” que muitos tratam de “opinião pública”.

Rica é a observação de Bonavides, que percebe a opinião pública como a mais eficaz forma de presença indireta do corpo social na formação da vontade política. Não é de admirar que sua excepcional força haja sido já proclamada e reconhecida por governantes, filósofos e cientistas políticos, do século XVIII aos nossos dias. Trata-se de “um poder que cria ou mata os soberanos”, como disse Napoleão Bonaparte.

Nos dias atuais, há duas principais formas de pensar a “opinião pública”. São elas: a reação do povo contra a autoridade; a opinião do povo. Ambas, porém, são merecedoras de crítica, principalmente porque a palavra “povo” tem muitos sentidos.

Oportuno é transcrever Jésus de Lisboa Andrade, que assim sintetiza a relação entre o povo e a democracia: “Não existe amor pela democracia. Nós odiamos a representação política... Pouco a pouco os cidadãos perceberam a impossibilidade do real exercício da representação. O eleito representa a nação, não o cidadão.

Representa o interesse geral, que é uma ficção. Representa, na verdade, a si próprio, suas convicções e interesses ou os de um pequeno grupo. O Parlamento degradou-se de modo avassalador, convertendo-se em um sistema de mercadores, dominados por políticos profissionais, que instrumentalizam seus mandatos em lucrativos empreendimentos particulares e familiares, levando, inevitavelmente, ao desencanto, ao sentimento de ser malgovernado e de ser mal representado”.

Estamos na era da pós-verdade, como opina Maurício Silva Alves. Na era das redes sociais, as notícias de todas as categorias se disseminam com enorme velocidade, com isso, também temos as chamadas mentiras on-line, que são compartilhadas enormemente pelos cidadãos que confiam em qualquer órgão de imprensa e assumem uma aparência de verdade. “A pós-verdade é uma visão que relativiza, que espetaculariza, que omite a chamada responsabilidade, por dedução lógica”.

Não será que chegou o momento de pensar e agir como Hamlet, quando o personagem shakespeariano, na peça de igual nome, se depara com problemas vindos do mundo exterior (do qual o fantasma, sendo uma criatura de outro mundo, é uma representação perfeita) e diz, quando fala sobre organizar “este globo perturbado” se livrando de todos os outros “livros”, deixando apenas um: “o livro do meu cérebro”, ou seja, o “Blackberry de Hamlet?

* Juiz de direito aposentado. Mestre em Direito. Professor Universitário. Membro do IAMG-VA.


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