26/06/2017 17:18:00

Vitória tranquila



Divulgação

O técnico do Cruzeiro, Mano Menezes, vinha sendo muito questionado após os últimos maus resultados, sobretudo em relação à última derrota, por 1 a 0, para a Ponte Preta, quando, de forma inexplicável, ele resolveu usar um time alternativo, com apenas dois titulares. E deu ruim.

As críticas da torcida e imprensa foram muito severas, pois ninguém admite mais esse argumento de “cansaço” dos jogadores por conta do excesso de jogos, pior ainda no caso do Cruzeiro, pois o clube só tem disputado jogos do Brasileiro.

Nesse contexto, a vitória de domingo sobre o Coritiba, no Mineirão, foi muito importante, veio em boa hora e de modo natural, desta vez com os titulares em campo e correspondendo às expectativas da torcida.
Além de subir um pouco na classificação – 10º colocado, com 14 pontos ganhos -, a equipe celeste de certa forma quebrou alguns paradigmas, por exemplo, no caso da dificuldade em furar retrancas no Mineirão.

Se por um lado o Coritiba não teve exatamente esse perfil, se soltando um pouco mais, mostrou boa organização tática defensiva.

Foram dois gols, mas poderia ter sido uma vitória por um placar mais elevado. Além dos três pontos somados, o resultado dá ao Cruzeiro mais confiança para o confronto difícil, amanhã, contra o Palmeiras, em São Paulo, abrindo as quartas de final da Copa do Brasil.

Recuperou a identidade
Falar da vitória importante do Atlético contra a Chapecoense, 1 a 0, quebrando um tabu, pois ainda não havia vencido na casa do adversário, não passa por análises táticas ou individuais deste ou daquele jogador.

A marca registrada da vitória alvinegra, utilizando um time quase todo reserva e de jogadores jovens da base, - só um titular, Rafael Carioca, iniciou a partida -, foi a garra e vontade de vencer, recuperando a autoestima e o respeito que se deve ter à camisa tradicional e centenária do Clube Atlético Mineiro.

A vitória serviu também para mandar um recado direto e claro aos titulares medalhões: ou se dedicam mais para conquistar as vitórias, ou perderão espaço para os jogadores com mais fome de bola, como foi o caso dessa turma em Chapecó.

Tomara que, nesta quinta-feira, contra o Botafogo, ao iniciar a disputa do mata-mata pelas quartas de final da Copa do Brasil, no Independência, os titulares tenham a mesma disposição de seus colegas em Chapecó, pois o futebol de hoje não tem mais espaço para mercenários ou malandros que só querem levar o dinheiro dos clubes.

Já citei este exemplo aqui, mas é sempre bom lembrar a tese defendida pelo ex-treinador Jair Pereira: - A estratégia correta no futebol é a que deu certo. Se tivesse perdido, o técnico do Galo, Roger Machado, seria alvo de críticas ainda mais pesadas, pelo fato de não levado o time titular a Chapecó.

Como ganhou o jogo, agora é só “Love” entre ele, a torcida e a imprensa. De qualquer forma, a vitória com muita raça dos jogadores trouxe de volta o otimismo, que andava sumido, para o confronto desta quinta com o Botafogo na Copa do Brasil.

Podem até achar que é cedo para o julgamento final, mas, se há um técnico, jovem técnico, que se impõe no futebol brasileiro em curto espaço de tempo, ele se chama Jair Ventura, 38 anos de idade, filho do “furacão” da Copa de 70, Jairzinho, que comanda o surpreendente Botafogo neste Campeonato Brasileiro. Começou a 10ª rodada em 7º lugar, com 15 pontos ganhos, e pode terminar em 3º, caso tenha vencido o Avaí, jogando em casa, ontem à noite.

Por que o Botafogo é surpreendente? Porque ninguém cogitava que ele ocupasse a parte de cima da tabela de classificação. Um time muito bem organizado no espírito pretendido pelo técnico, com jogadores taticamente disciplinadíssimos, um time efetivo, eficiente, econômico. Se vai continuar assim?

É o que ainda não sei. Bem que gostaria de observá-lo em outra situação para aprofundar meu juízo. Um Jair com elenco um pouco mais talentoso e, provavelmente, com estilo menos pragmático, justificado pelas limitações do elenco. Como seria o Jair do futuro, com jogadores melhores e mais criativos em mãos?

Outro treinador competente, este sim, já consagrado, é Cuca, técnico do Palmeiras, que vai aos poucos impondo seu estilo e obtendo bons resultados. Ele venceu nas últimas três rodadas do Brasileiro, duas fora e uma em casa, saltando das últimas posições para o quarto lugar. Confesso que o estilo de jogo que Cuca gosta não me atrai muito, mas não há como deixar de admirar seu comportamento carismático à beira do campo, e o seu domínio sobre o vestiário, que acaba contagiando os jogadores.

Fã e admirador do futebol brasileiro, o jornalista português Luís Miguel Pereira acaba de lançar o livro “Uma vez Zico, sempre Zico”, contando a carreira do “Galinho” com foco em sua participação na seleção da Copa de 82, que deixou uma marca eterna, mesmo derrotada. O drama, aliás, na avaliação do jornalista, trouxe uma “injustiça poética” com a seleção que era a melhor do mundo, mas que não venceu dentro de campo. “Um time é bom quando passam 20, 30, 40 anos e ainda falam dele”. Pep Guardiola, sobre a seleção brasileira de 1982. (Fecha o pano!)


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