29/10/2012 - 09h21
De suspeito, a testemunha agora ele está morto
Pivô de um escândalo envolvendo a Polícia Civil em Coronel Fabriciano, rapaz é morto a tiros no bairro Santa Cruz


Silvia Miranda
natanael alves
Natanael Alves, tinha 25 anos, e foi morto a tiros na noite de domingo

FABRICIANO – Para muitas pessoas esta era uma morte anunciada. Natanael Alves de Abreu, de 25 anos, poderia ser apenas mais um nome na lista de 40 homicídios registrados em Coronel Fabriciano, não fosse uma particularidade sua. Ele foi o pivô de um escândalo, quando o presidente da Câmara de Coronel Fabriciano, o delegado aposentado, Francisco Pereira Lemos denunciou um esquema de corrupção envolvendo alguns policiais e delegados da PC no município.

Na virada da noite de domingo para segunda-feira, Natanael pagou com a vida. O crime foi registrado às 22h52 na avenida Brasil, bairro Santa Cruz. O corpo dele foi encontrado caído ao solo, com 12 perfurações.

Como prova material do crime existem apenas cinco cartuchos deflagrados de arma calibre 38, encontrado há alguns metros do local do crime, e o depoimento de testemunhas que apontam como suspeito um sujeito identificado apenas como Lacraia.

“Segundo a testemunha, Lacraia estava nas proximidades do local onde foram encontrados os cartuchos e teria retirado algo de sua cintura e passado para um outro indivíduo, que ainda não foi identificado, mas isso tudo é versão que ainda está em apuração”, afirmou um policial que atuou no caso.
Equipes da PM foram mobilizadas na noite de ontem e madrugada de hoje, em busca dos suspeitos, mas nenhum deles foi localizado.

Histórico
No dia sete de março de 2012, o presidente da Câmara de Vereadores de Coronel Fabriciano, Francisco Pereira Lemos, fez sérias acusações de corrupção dentro na Polícia Civil do Vale do Aço. Um suposto crime de tortura de Natanael Alves, ocorrido no início de fevereiro estaria relacionado ao esquema de propina.

As denúncias provocaram uma série de mudanças na cúpula da PC em Coronel Fabriciano e o delegado regional, João Xingó de Oliveira foi afastado e, dias depois aposentado do cargo.


Reprodução
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Natanael foi executado neste ponto da avenida Brasil, bairro Santa Cruz

Começo

Tudo começou quando o soldador Natanael Alves, fora preso pela PM em Timóteo, com sete papelotes de cocaína. Ele voltou atrás numa denúncia de tortura feita por policiais militares e passou a afirmar que fora vítima de uma tentativa de extorsão, quando estava detido na Delegacia da Polícia Civil de Ipatinga.

“Me pediram R$ 5 mil para me liberar e eu negociei em R$ 3 mil. Como eu não tinha a grana, eles me disseram que eu teria que falar tudo que eles mandassem e fazer as denúncias de tortura contra a PM” reforçou em entrevista à imprensa.

No meio da denúncia aparecia outro personagem, um oficial da Polícia Militar, que tinha sido transferido de Ipatinga, após uma intricada ocorrência envolvendo a prisão em flagrante de uma advogada que ofereceu R$ 10 mil para que uma equipe da PM livrasse da prisão em flagrante um de seus clientes, apanhado durante uma operação de cerco no bairro Ferroviários.

Já o delegado então lotado em Coronel Fabriciano, Daniel Araújo, insistia que Natanael Alves, quis entrar com uma representação com pedidos de providência sobre um suposto crime de tortura praticado por policiais militares. “Ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal e submetido a exame, no qual foi constado que sofreu lesões condizentes com os fatos relatados”, alega.

A PM também defendeu-se. A 12ª Região da Polícia Militar apresentou o resultado de um inquérito que inocentava policiais militares envolvidos na ocorrência e relata que um dos ferimentos citados no exame de corpo de delito de Natanael nada mais era do que uma ferida resultante de um problema de saúde do investigado.

A apuração do caso, como um todo, foi assumido pela Corregedoria da Polícia Civil, que nunca mais se pronunciou sobre o andamento do processo. Como resultados práticos, até então, havia apenas a remoção dos policiais civis citados na denúncia de corrupção.

Leia a reportagem completa, na edição de hoje:

CORREGEDORIA EVITA COMENTAR O CASO  - 30/10/2012

O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O CASO:

Vereador denuncia esquema de corrupção na Polícia Civil - 08/03/2012

Chefia da PC anuncia apuração de acusações contra regional - 09/03/2012

MAIS:

Mãe e filho são mortos a tiros em Fabriciano - 29/10/2012

 

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