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Em um dos acidentes ocorridos no bairro, líder comunitário afirma que o socorro demorou mais de uma hora para chegar ao local
PARAÍSO – Moradores do bairro Cidade Nova lamentam o que consideram descaso na prestação dos serviços de socorro às demandas daquela comunidade. Segundo reclamações, um “jogo de empurra” entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros levou populares a buscar outros meios para encaminhar às vítimas ao atendimento médico mais próximo. Em contrapartida, o Samu e dos Bombeiros enfrentam dificuldades para prestar serviços a contento.
Segundo o líder comunitário Adalton Pascoal Bispo, dois acidentes ocorreram nos últimos 30 dias no bairro. Nas duas ocasiões, os moradores encontraram dificuldades ao acionar o socorro. “No primeiro, a ambulância do Corpo de Bombeiros demorou mais de uma hora para chegar ao local do acidente. O Samu não podia atender. No segundo, ninguém veio. E cerca de 98% dos moradores trabalham em Ipatinga. O restante, que é muito pouco, trabalha no bairro”, comentou.
Adalton lembra que nos dois casos, a resposta dada pelo Samu, em Ipatinga, é que por se tratar de outro município, o atendimento não poderia ser realizado. No Corpo de Bombeiros, por sua vez, a demora ocorreu devido à escassez de veículos para atendimento. “Nosso maior anseio é que a Agência Metropolitana do Vale do Aço possa discutir os problemas do nosso bairro e apresentar melhorias”, elencou.
Vítima
A fisioterapeuta Fernanda Teixeira de Souza, 26, foi vítima de uma batida entre veículos no bairro no último dia 15. Com ferimentos leves, ela lembra do desespero dos familiares e vizinhos na busca por ajuda. “Tentaram ligar para o Samu que alegou se tratar de outro município. Os bombeiros questionaram se tinha fratura exposta ou se eu conseguia mexer o pescoço. Ninguém foi me socorrer. Foram meus vizinhos que me pegaram com cuidado e me levaram ao hospital. No meu caso não tinha fratura exposta, mas e se tivesse? Preciso morar em Ipatinga para ter um atendimento mínimo?”, indaga a fisioterapeuta.
Moradora do bairro há pouco mais de um ano, Fernanda pensa em se mudar novamente para Ipatinga, diante de uma precariedade de serviços prestados ao bairro. A mãe da vítima, Madalena Maria de Jesus Souza, já reside no Cidade Nova há cinco anos e também está insatisfeita com a situação. “Fico triste com essa situação. Minha filha, graças a Deus, agora passa bem. Antes eu morava no Areal, no Bom Retiro, me mudei para cá otimista, mas tudo foi diferente”, acrescentou.
Resposta
O Corpo de Bombeiros de Ipatinga esclareceu que atende os acidentes ocorridos no bairro Cidade Nova. Todavia, há apenas uma ambulância para atender 12 municípios o Vale do Aço, além de ser um apoio a cidades que contam com uma corporação, como é o caso de Coronel Fabriciano.
Já o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também passa por uma situação crítica. Segundo o médico regulador do serviço, Adalberto Dias Campos, a frota de ambulâncias foi reduzida. Somente três veículos circulam atualmente para o atendimento às vítimas. Além disso, a disponibilidade das unidades depende das escalas das equipes de trabalho, que também foi impactada pela crise financeira vivenciada em Ipatinga.
Para piorar, o serviço que atende uma média de 150 chamadas por dia está limitado. O atendimento móvel de urgência não atende o município de Santana do Paraíso, a não ser para as rodovias que perpassam a região e os casos mais urgentes.