15/09/2012 - 00h00
“Brasil tenta resistir à crise”
Ministro Leonel Brizola Neto fala no Sindipa sobre desindustrialização no país


Bruna Lage
Brizola
Brizola Neto (centro) esteve na região para debater o cenário econômico brasileiro

IPATINGA – O ministro do Trabalho e Emprego, Leonel Brizola Neto, reuniu-se com lideranças regionais na manhã desta sexta-feira (14) no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa). O ministro debateu com autoridades políticas e demais lideranças de classe, assuntos referentes à desindustrialização no Brasil e as leis trabalhistas.

Entre os presentes, o deputado federal Zé Silva (PDT), falou sobre o comprometimento do ministro com o cenário trabalhista. O também deputado federal, Ademir Camilo (PSD), ressaltou o problema da BR-381, que está diretamente ligada ao desenvolvimento e a geração de emprego para a região do Vale do Aço. Questão lembrada também pelo presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, Luciano Araújo.

O presidente do Sindipa, Luiz Carlos Miranda, aproveitou a ocasião e entregou ao ministro um artesanato, retratando uma mesa de marceneiro, feito por um funcionário da Usiminas.

Sobre a realização do evento, Luiz Carlos declarou que o momento é importante para discussão do cenário econômico atual brasileiro, que sofre com a desindustrialização e atinge os trabalhadores.

De acordo com Leonel Brizola Neto, o Brasil está atento ao que ocorre no mundo e tenta resistir aos efeitos da crise da melhor maneira possível. “Uma delas é incentivar nossos programas que valorizam o trabalho e o trabalhador, que é o processo que tem diferenciado o país do resto do mundo. Enquanto o mundo tem feito ajuste fiscal, arrocho salarial e retirada de direitos e garantias, o caminho brasileiro tem sido o inverso, investindo em infraestrutura, logística, valorização do trabalho e do trabalhador, formalização do mercado de trabalho e aumento da renda”, pontuou.

Sobre o processo de desindustrialização em uma região que tem sua economia centrada na produção industrial, o ministro adiantou que é preciso contextualizar o que acontece no país. Na década de 1990, explica, aconteceu um desmonte na indústria, mas o que existe hoje em dia é uma concorrência acirrada, efeitos da crise financeira internacional.

“O caminho que o Brasil precisa trilhar é um compromisso com o aumento da competitividade das nossas empresas, o que não significa retirada ou redução dos direitos do trabalhador. Como vamos aumentar essa competitividade? O estado investindo em infraestrutura e logística: foram mais de R$ 100 bilhões anunciados em novas ferrovias e rodovias; enfrentando as questões macroeconômicas, principalmente a questão dos juros”, apontou.

Ele lembra que, na década de 1990, quando se desmontou a indústria nacional, de fato houve a desindustrialização, momento em que as políticas eram um convite a especulação. “Agora enfrentamos a questão cambial para deixar de ser o país da especulação e passar a ser o país da produção e do trabalho”, declarou.

Crise
Apesar da crise mundial e dos indicadores de desaceleração da economia nacional, o ministro pondera que o país tem conseguido resistir à crise gerando empregos. Todos os meses do ano registramos saldo positivo na geração de empregos; o mês de julho superou o mês de 2011 em 4 mil novos postos de trabalho, então os números da geração de emprego são alentadores para um cenário de crise”, observa.

Os programas do governo têm dado uma resposta positiva, e os setores que têm sido desonerados, seja diretamente, como no caso do desconto do IPI, seja nas desonerações que deslocam a contribuição previdência da folha para o faturamento das empresas, tem mostrado efeito. “São setores que têm respondido melhor. Essa medida de redução da tarifa de energia elétrica, por exemplo, vai aumentar a competitividade das empresas brasileiras. Se por um lado há renúncia de arrecadação, por outro há incentivo de atividade econômica, então o que se pode perder na alíquota, se pode ganhar na quantidade, de produção, consumo”, destacou o ministro.

Fiscalização
Brizola Neto alerta que existem estudos que apontam deficiências de fiscais para cobrir todo mercado trabalhista brasileiro. Mas ele recorda que o país saiu de um mercado onde menos de 50% dos trabalhadores eram formais, número que hoje ultrapassa a 70%. “Aumentou sim a demanda por fiscais no país. Mas é importante constatar que ao contrário do que aconteceu no passado, hoje há preocupação com isso, havendo inclusive concurso para contratação de novos profissionais”, concluiu o ministro Brizola Neto.
 

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