Wôlmer Ezequiel

A presidente do Centro Cultural trouxe a veste colorida para marcar a comemoração
IPATINGA - Os rituais do casamento variam de acordo com a cultura e suas raízes. O mesmo vale para o uso do vestido da noiva, que é a principal atração da cerimônia, independentemente do país. Apesar do interesse pela moda ocidental, muitas noivas japonesas ainda preservam a tradição de usar oito vestes no dia do casamento. É o que contou ao DIÁRIO DO AÇO a presidente do Centro Cultural Internacional Tikufukai, Kofu Nomura, em sua passagem por Ipatinga, na última semana, para as comemorações dos 40 anos da entidade.
Na exposição montada no último dia 7, no Centro Cultural Usiminas, uma peça chamou a atenção. Trata-se de um vestido de noiva, cujo nome é Uchikakê. Kofu Nomura, que trouxe o vestido em sinal de celebração da data, falou sobre o uso da indumentária nos casamentos japoneses. Colorida e tecida manualmente, a veste é, na verdade, a última a ser usada pela noiva. Por isso, é a mais glamorosa e cara. Ela custa R$ 60 mil e, por isso, é acessível apenas a famílias mais abastadas.
Abaixo dessa veste colorida, conforme explica a presidente, ficam outras sete vestes na cor branca ou bege. “A noiva veste um quimono branco, especial para a ocasião, para com o noivo fazer os juramentos perante Buda. Depois, ela vai usando outras peças claras para receber os convidados na festa, inclusive a veste colorida”, detalhou Kofu Nomura.
Produção
De acordo com a presidente do Centro Cultural, essa versão do vestido de noiva surgiu na chamada Era Meiji (8 de setembro de 1868 a 30 de julho de 1912). “A moda começou com os casamentos na família dos imperadores e muitos mantêm a tradição até os dias atuais”, comentou Kofu Nomura. A cidade de Kyoto é a grande referência na produção da veste. “Elas são tecidas artesanalmente e não podem ser lavadas, tamanha sua delicadeza. Não é qualquer um que pode tecê-la. A tradição passa de mãe para filha”, ressaltou a presidente.
Modernos
Apesar da exuberância da veste, ultimamente muitas noivas preferem casar-se ao estilo ocidental, conforme pontua Kofu Nomura. “Temos visto muitos casamentos com vestidos semelhantes aos usados em cerimônias no Brasil. Muitas mulheres mais novas não seguem a tradição, mas há aquelas que não abrem mão das vestes, perpetuando um costume que atravessa gerações”, concluiu Kofu Nomura.