14/08/2012 - 00h00
CHEGOU NO LULA
Advogado de Roberto Jefferson diz que Lula ordenou mensalão e "apimenta" fase de defesa dos réus na Ação Penal 470


Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Luiz Francisco Corrêa Barbosa
O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, defensor do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) no processo do mensalão

Brasília – O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, defensor do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) no processo do mensalão disse hoje (13) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só sabia, como ordenou o esquema de compra de votos no Congresso Nacional conhecido como mensalão. Segundo ele, ministros do governo da época e o PT pagavam para partidos votarem a favor de projetos de interesse do ex-presidente.

Para Barbosa, os projetos eram de interesse de Lula e não do governo, pois o ex-presidente era o único com legitimidade para enviar projetos de lei ao Congresso Nacional. "Não é de interesse do governo [os projetos de lei], governo é Leviatã. Vamos parar com esse negócio de governo, é interesse do presidente da República. […] Tudo isso aconteceu sob suas barbas e nada. Não só sabia como ordenou tudo isso ", diz Barbosa.

De acordo com o advogado, Roberto Jefferson procurou Lula para alertá-lo sobre o esquema do mensalão. Barbosa relatou ainda que Lula se mostrou surpreso e chegou a "lacrimejar" após ser informado da compra de votos. “O tempo passou e ainda nada [de tomar providências]”.

Barbosa também criticou a postura do procurador-geral da República de não incluir o nome de Lula na ação penal. “Não se pode afirmar a partir disso que o presidente fosse um pateta, um deficiente. [Lula] é safo, é doutor honoris causa. Aqueles ministros eram apenas executivos dele. Os auxiliares obedeceram o patrão e o patrão ficou de fora. O procurador-geral deixou [Lula] de fora [do processo]"

Durante a sustentação oral, Barbosa confirmou que Roberto Jefferson recebeu R$ 4 milhões do PT, no entanto, alegou que o valor foi usado nas eleições de 2004 e, não, para votar a favor do governo. De acordo com o advogado, foram acertados anteriormente R$ 20 milhões, mas Jefferson recebeu apenas R$ 4milhões. “As direções nacionais do PT e do PTB ajustaram apoio material por meio da transferência de recursos em dinheiro.”

Segundo o advogado, Jefferson não sabia se o dinheiro recebido tinha origem lícita ou ilícita. Barbosa disse ainda que o PT afirmou ter tomado empréstimos bancários nos bancos BMG e Rural para fazer o pagamento de deputados para garantir a aliança nas eleições. “Não há nada nos autos, a não ser sua própria palavra de que ele [Jefferson] recebeu. Isso é algum tipo de dissimulação? Não, isso é um arrombamento”.

De acordo com o Ministério Público Federal, o ex-deputado recebeu dinheiro do esquema operado por Marcos Valério em troca de apoio político do PTB ao governo. Além do dinheiro ao partido, ele próprio teria se beneficiado do esquema, ficando com milhares de reais. No processo, Jefferson responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O QUE JÁ FOI PUBLICADO:

MENSALÃO NO BANCO DOS RÉUS - 13/08/2012

Escândalo quase no esquecimento - 07/08/2012

Defesa do ex-deputado Bispo Rodrigues diz que dinheiro era para pagamento de dívida de campanha

O advogado Bruno Braga, que defende o ex-deputado federal Bispo Rodrigues (PL-RJ) no julgamento do mensalão, disse hoje (13) que os R$ 150 mil entregues ao parlamentar em 2003 se destinavam à quitação de dívidas de campanha do PT. Braga foi o primeiro advogado a ocupar a tribuna na retomada do julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira.

Segundo Braga, a dívida petista surgiu no segundo turno da campanha presidencial de 2002, quando o PL-RJ (hoje PR) decidiu apoiar o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira opção da legenda, Anthony Garotinho, não passou do primeiro turno.

“Mesmo após o compromisso de ajudar o PT, o presidente do PT no Rio de Janeiro não deu qualquer ajuda financeira ou material de campanha”, explicou Braga. Procurado, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse para a campanha continuar porque os acertos viriam depois, segundo narrou o advogado.

Braga disse que a dívida só foi quitada pelo PT no final de 2003, e que o valor é justamente o que o Ministério Público Federal (MPF) considera, de acordo com o que consta da denúncia, como pagamento do mensalão. Para o advogado, a interpretação é errônea.

O ex-deputado Bispo Rodrigues responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), além de receber mesada do PT para votar a favor do governo, o então parlamentar também tentou ocultar a transação, mandando o motorista do deputado Wanderval Lima dos Santos (PL-SP) sacar R$ 150 mil em uma agência do Banco Rural.

O advogado de Rodrigues confirma a participação do motorista na transação, mas classificou como “imprestável” a acusação de lavagem de dinheiro porque a operação era legal. Ele explicou que a verba foi retirada em espécie porque muitas pessoas que trabalharam na campanha eram humildes e só recebiam em dinheiro vivo.

Quanto ao crime de corrupção, o defensor disse que é “inverossímil e ilógico” pensar que o PL precisaria de propina para votar com o governo, uma vez que o partido já integrava a base aliada e era a legenda do então vice-presidente José Alencar.

Braga destacou que, há sete anos, seu cliente “vem sofrendo todos os dissabores” de ser réu no mensalão e que, hoje, atende apenas pelo nome de batismo Carlos Alberto Rodrigues. Segundo o defensor, o ex-bispo já não ocupa função de destaque na Igreja Universal do Reino de Deus e não exerce cargo político. Rodrigues renunciou ao mandato parlamentar em 2005, em meio às denúncias do mensalão, para evitar processo de cassação.

“A imprensa anseia a condenação, mesmo sem qualquer cometimento de crimes, mas ele tem certeza de sua inocência, de que a acusação é injusta e descabida. Apesar de não poder reparar tudo o que foi perdido nesses sete anos, o STF pode amenizar o sofrimento”, disse Braga, reforçando o pedido de absolvição para Rodrigues.



Repórter : Daniella Jinkings / Repórter da Agência Brasil

















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