Rodrigo Zeferino

No ensaio de Rodrigo, um jogo de verde, luzes e peças de aço produziram cenários espetaculares
DA REDAÇÃO - Quando se fala em produção de aço, as imagens que logo nos vêem à cabeça são de grandes peças tomando forma por meio de máquinas ou pelas mãos humanas. Para ir além desse estereótipo, o diretor de arte, cenógrafo e arquiteto Gringo Cardia, a convite da Usiminas em comemoração aos seus 50 anos, comandou uma mega produção fotográfica cujo objetivo era falar de aço de forma filosófica.
Cinco fotógrafos de várias partes do Brasil e do Japão e cinco filósofos brasileiros entraram no desafio. Entre os fotógrafos está Rodrigo Zeferino, de Ipatinga. O resultado é a exposição e o livro intitulados “Natureza e transformação”. A mostra está em cartaz na Galeria Alberto da Veiga Guignard do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, até 2 de setembro. Em seguida, a exposição será levada a Ipatinga, no Centro Cultural Usiminas.
Concepção
Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, Rodrigo Zeferino, contou que a proposta do trabalho era retratar a matéria-prima, a produção de aço e seus resultados gerados de um jeito incomum. “A ideia era levar para um contexto filosófico o aço, sua matéria-prima, as pessoas, o meio ambiente e os animais. Tudo é a mesma coisa que retorna sempre ao mesmo lugar”, explicou Zeferino. Cada fotógrafo trabalhou um aspecto dentro dessa proposta, com ensaios diferenciados.
Equipe
Além de Zeferino, integram o projeto o carioca Cláudio Edinger, a catarinense Priscila Prade, o mineiro Henry Yu e o japonês Kei Takashima. Os sets fotográficos foram em Ipatinga e a região de Itatiaiuçu, onde a empresa produz minério. As outras locações foram Niterói (RJ), onde o universo modernista de Oscar Niemeyer dialoga com a proposta; e Tóquio, no Japão, com sua arquitetura contemporânea.
Rodrigo Zeferino

A figura humana foi incorporada às pesadas peças de aço, com o objeto humanizar o tema
Produção
Rodrigo Zeferino ficou a cargo do tema “Transformação”. Para a produção, ele e Gringo escolheram uma área verde ampla, próxima ao aeroporto da Usiminas. Ele relata que a produção foi cinematográfica. “Ficamos 23 horas no local para fazer todas as fotos. Contamos com apoio de maquinário para transportar peças grandes e pesadas. A maior delas pesava 20 toneladas. Sem falar nos aparatos de iluminação e etc. Para as fotos trabalhamos com modelos locais”, revelou Rodrigo Zeferino, que vestiu os participantes com roupas futuristas criadas com peças mais maleáveis.
Ainda em Ipatinga, o fotógrafo Henry Yu, de Belo Horizonte, fez um ensaio especial com os animais do Centro de Biodiversidade da Usipa. Nas gaiolas dos animais foram colocados panos na cor branca e preta ao fundo. O resultado foi um ensaio muito charmoso dos bichos.
Desafio
Essa foi a primeira experiência de Zeferino com um trabalho por encomenda. “Até então eu só tinha executado as minhas ideias. Foi muito interessante, principalmente porque o Gringo fez questão de ressaltar a minha marca que é a fotografia noturna. Tivemos fotografias produzidas ao longo de todo o dia. Mas a maneira como a luz noturna transforma a imagem tem tudo a ver com o tema”, ressaltou Zeferino.