08/08/2012 - 00h05
PC investiga ofensas raciais pela internet
Jovem timoteense alega que ipatinguense a chamou para sair e, insatisfeito com negativa, desferiu ofensas raciais pelo facebook


Wôlmer Ezequiel
NICOLIE CAROLINE
Nicolie mostrou que tem todas as conversas arquivadas

TIMÓTEO – Um inquérito instaurado na Delegacia de Polícia Civil apura denúncias de ofensas por parte de um rapaz de 21 anos, morador de Ipatinga, contra uma jovem de 18 anos, moradora de Timóteo, em uma página de relacionamentos na internet. A vítima é Nicolie Caroline Pereira da Silva, 18 anos. Acompanhada da família, a jovem procurou o delegado de Polícia Civil Gilmaro Alves, nesta semana, e entregou as cópias de suas conversas pela internet com o rapaz, que se refere a ela, entre outras expressões, como “preta imunda”.

Segundo Nicolie, no dia 13 de abril deste ano, ela e o rapaz começaram uma amizade no Facebook. “Conversamos normalmente e ele me chamou para sair. Eu falei que queria só amizade e poderíamos sair com os nossos amigos. Ele me disse que dessa forma não tinha jeito, pois iria quebrar o clima de romance. Não aceitou a minha negativa e começou a me ofender. Ele me insultou, falou da minha raça, insultou a minha mãe e afirmou que se ele tivesse carro e moto eu sairia com ele”, explicou.

Ainda segundo Nicolie, ela e o jovem pararam de conversar após a recusa. No dia 3 de agosto, o rapaz puxou papo novamente. “Ele comentou que tinha visto as minhas fotos, elogiou e, novamente, me chamou para sair. Eu disse outra vez que não, e em seguida passou a me ofender, falou muitos palavrões e me chamou de preta e imunda. Disse ainda que eu tenho cabelo de palha de aço, e ainda xingou a minha mãe”, detalhou.

A jovem ressaltou, ainda, que as ofensas não pararam mesmo avisando ao rapaz que copiaria o arquivo e postaria na internet. “Ele disse que tinha pele branca, cabelo liso e olhos verdes. Eu disse que isso dava cadeia, e ele falou que não tinha medo de mim e escreveu ‘sua preta imunda’. Falou ainda que a Bíblia condena os negros, que somos raça de Satanás. Ele está totalmente equivocado e não pode fazer isso com ninguém”, pontuou.

Nicolie afirmou ao DIÁRIO DO AÇO que não deseja a ninguém passar por uma situação dessas. “Eu gostaria que isso não ocorresse com ninguém, seja por injúria racial, homofobia, bulling, ninguém merece isso. Estou fazendo o meu papel de denunciar e não aceitar calada essas ofensas”, afirmou.

Orientações
A mãe, Doreci dos Reis Pereira da Silva, 43 anos, contou ao DIÁRIO DO AÇO que acompanhou de perto as conversas da filha com o rapaz. “Quando ela recebeu esta proposta de sair e o rapaz começou a ofendê-la, ela me chamou e mostrou o teor da conversa. Eu orientei que copiasse o arquivo e jogasse na internet, e depois correríamos atrás de nossos direitos. Dói muito, e espero que a justiça seja feita. Entregamos ao delegado um dossiê com 66 páginas. Arquivamos todas as conversas desde o dia 13 de abril, quando começou a amizade deles pela internet”, contou.

Já o pai de Nicolie, Celso Roque da Silva, 49 anos, relatou que esperava pelo menos um pedido de desculpas por parte do rapaz. “Não que a nossa decisão de denunciá-lo fosse mudar, mas nós esperávamos que este rapaz pedisse no mínimo desculpas à minha filha, mas isso não ocorreu e ele se tornou mais agressivo”, lamentou.


Reprodução
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Cópia de uma parte da conversa que foi arquivada por Nicolie

 

 

Investigações
O delegado da Polícia Civil em Timóteo, Gilmaro Alves, informou ao DIÁRIO DO AÇO que a declaração de Nicolie e as cópias das mensagens trazem ofensas que denigrem a imagem da jovem e de sua mãe. “Ouvimos as duas e instauramos inquérito policial em face da gravidade dos fatos, pelo que consta nas provas trazidas pela família. Verificamos pelo computador da jovem a origem das mensagens e vamos ouvir os parentes e as pessoas que tomaram conhecimento das ofensas pela internet. E aguardamos em curto espaço de tempo apontar as causas e circunstâncias de como se deram estas ofensas”, explicou.

O delegado acrescentou que o nome do rapaz acusado pela família não deve ser mencionado, pois as investigações estão em fase inicial. “Se não for esta pessoa que elas acusam, descobriremos quem foi o emitente destas ofensas. E tão logo tomarmos conhecimento adotaremos as medidas cabíveis”, concluiu.

A reportagem do DIÁRIO DO AÇO tentou contato telefônico com o denunciado, conforme número apurado pela família de Nicolie. Um rapaz atendeu, riu e disse que não era ele.
 

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Helinho
09/08/2012 - 07h19
Para mim está tipificado o racismo nessa história... mas quer saber? O que esse rapazinho falou é exatamente o que muitos dizem, de forma velada. O Brasil é um país racista sim, guarda raízes coloniais na questão racial. Trabalhei com uma pessoa que falava coisas muito mais graves do que isso.











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