Divulgação STF

Mensalão no STF: espaço aberto para argumentações da defesa dos cinco primeiros réus listados na denúncia da PGR
IPATINGA – Baixa expectativa em relação aos resultados práticos do julgamento dos acusados do mensalão. É o que mostra o ânimo de alguns cidadãos quando questionados sobre o que esperam que o Supremo Tribunal Federal faça com os suspeitos de envolvimento no esquema de desvio de recursos públicos, compra de apoio político no Congresso e abastecimento de caixa dois para financiamento político, que ficou conhecido como mensalão.
Nas opiniões colhidas aleatoriamente em Ipatinga neste começo de semana, o descrédito da punição foi unânime. Para os poucos que aceitaram falar sobre o assunto, foi preciso relembrar alguns fatos. A maioria não se lembrava mais dos detalhes do mensalão.
Na semana passada, na abertura do julgamento, a procuradoria-geral da República pediu a condenação de 36 dos 38 réus da Ação Penal 470. O Procurador-Geral, Roberto Gurgel, destacou que as provas da instrução da ação penal comprovam que os acusados integrantes dos três núcleos – político, operacional e financeiro - associaram-se de modo estável, organizado e com divisão de trabalho, para cometimento de crimes contra a administração pública, contra o sistema financeiro, contra a fé pública e lavagem de dinheiro.
Em relação aos integrantes do núcleo político, Roberto Gurgel pede a condenação de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno pelo cometimento dos crimes de quadrilha, corrupção ativa, e peculato.
Alex Ferreira

André Oliveira Miranda: falta reação diante de sucessivos escândalos
Mas se para a PGR, tecnicamente, crimes foram cometidos e os responsáveis devem ser punidos, nas ruas o cidadão não acredita que esse seja o resultado. O comerciante André Oliveira Miranda, 29 anos, de Belo Horizonte, enquanto aguardava um compromisso no bairro Ideal ontem, afirmou ao DIÁRIO DO AÇO que o mensalão é um caso antigo e a demora em se punir quem comete os chamados crimes de colarinho branco contribui para que escândalos caiam no esquecimento. “Pode perguntar por aí, a maioria das pessoas nem se lembra mais quem são os envolvidos. Só mesmo quem tem tempo para acompanhar noticiários políticos estão por dentro”, afirmou.
Ainda na avaliação do comerciante, a falta de reação da população diante de casos como esse, associada à impunidade, são um fomento à corrupção. Ele acredita que a sequencia de escândalos impunes também leva os cidadãos a ficarem apáticos diante dos casos. “E quer uma prova? Daqui eu via você abordar várias pessoas e nenhuma delas quis falar. Sabe por quê? Elas não se interessam e muitas não conseguem entender o que é o mensalão”, concluiu.
De fato, o primeiro entrevistado se enquadrava nesse perfil. Aos 70 anos, o feirante José Andrade afirmou que não tem paciência para acompanhar o noticiário sobre o mensalão. Ele sabe que o caso existiu, sabe que está em julgamento no STF, mas afirma que não perde tempo em acompanhar o julgamento. “Não vai dar em nada. Com rico nada acontece neste país, meu filho”, diz o aposentado reclamando de uma defasagem de 40% de seu benefício previdenciário.
Alex Ferreira

O aposentado José Andrade afirma não ter paciência para acompanhar o noticiário sobre o mensalão
Mais à frente, o comerciante Francisco Soares, 52 anos, acrescentava que não acredita em resultados como prisão e tampouco condenação a devolução de dinheiro, caso fique comprovado que o esquema do mensalão desviava dinheiro público para finalidades escusas. Ao seu lado, Fabrício Marques, 23 anos, afirma que não acredita em punição para os mensaleiros. “A justiça não funciona para poderosos. Tudo isso que vemos na televisão é um show”, conclui o jovem.
E o caldeireiro Tiago Alexandre Joub, 27 anos, que também não acredita em punição para os mensaleiros, vê uma oportunidade excelente para que o Judiciário mostre o seu papel e determine a devolução do que foi retirado indevidamente dos cofres públicos e puna os agentes políticos que cometerem crimes. “Precisa ser exemplar porque acredito que ainda haja políticos bem intencionados. Pena que sejam minoria”, concluiu.
Um fato curioso é que, entre os entrevistados, a maioria não soube informar os nomes dos principais envolvidos, nem os mais famosos, como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério e Kátia Rabello. Apenas um lembrou-se que o ex-deputado federal e ex-prefeito de Ipatinga, João Magno de Moura, está entre os réus. A PGR declarou que três ex-deputados do PT receberam R$ 1,2 milhão do mensalão. Os nomes de Paulo Rocha (PA) e Professor Luizinho (SP) aparecem ao lado de João Magno. “O deputado João Paulo Cunha recebeu R$ 50 mil da SMP&B, de Marcos Valério que, pouco depois, venceu licitação para prestar serviços de publicidade para a Câmara dos Deputados”, concluiu a PGR.
Alex Ferreira

Fabrício Marques: “Tudo isso que vemos na televisão é um show”
Defesa
Desde ontem, um batalhão de mais de 150 advogados dos 30 maiores escritórios de criminalistas do Brasil está em cena para, numa ação coordenada, tentar livrar seus clientes da condenação no julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal. Cada um dos advogados principais de cada réu tem uma hora para sua sustentação oral perante os 11 ministros, o que significa que eles passarão oito dias – até segunda-feira que vem – na defesa de seus clientes.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO:
JULGAMENTO DO MENSALÃO - 06/08/2012
"FOI UM ESCÂNDALO" - 04/08/2012