Wesley Rodrigues

Câmeras monitoram bombas de abastecimento 24h e assaltantes só encontram "miúdos"
DA REDAÇÃO – O número de assaltos aos postos de combustíveis da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), ainda é expressivo. Em consulta à sala de imprensa da 12ª Região da Polícia Militar, é possível mensurar que há uma média de um assalto por dia aos postos de abastecimento da região.
Mas, os profissionais dos estabelecimentos afirmam que, embora os ataques sejam numerosos, os prejuízos são cada vez menores em face de medidas de segurança praticadas no dia a dia; uma nova realidade que os profissionais da área precisaram se adequar para manter o serviço prestado.
Para o diretor adjunto do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Gustavo de Souza, os registros de ataques são alarmantes, mas os funcionários dos postos de combustíveis são treinados com ações de prevenção para reduzir o número de roubos. “Acredito que o maior número de crimes seja pela ação de usuários de drogas.
O criminoso que espera fazer um roubo considerável sabe que assaltar um posto de gasolina não é compensatório. A instalação de câmeras de monitoramento, e o uso cada vez mais frequente do cartão de crédito tem coibido a ação dos bandidos”, observa.
Conforme o dirigente, dificilmente os roubos alcançam quantias acima de R$ 100. “Orientamos nossos funcionários a portarem apenas o dinheiro do troco. O perigo maior são os usuários de crack, que agem de forma agressiva para garantir a compra da droga”, pontua.
Wesley Rodrigues

Funcionários são orientados a portar somente as quantias para troco
Medidas
O último assalto registrado no posto Ale, situado na avenida Getúlio Vargas, no bairro Caravelas, irá completar seis meses. Alcinei Izidoro, segurança do local, conta que os assaltantes conseguiram levar R$ 600. O estabelecimento já foi alvo constante de ataques. Atualmente, com a adoção de novos procedimentos, as ações criminosas reduziram em pelo menos 60%, segundo o vigilante. “Nós instalamos câmeras por toda a parte. Instruímos os frentistas a portar pouco dinheiro, além de desconfiar de qualquer pessoa suspeita e acionar a polícia”, detalhou.
O posto da mesma bandeira localizado no bairro Vagalume, na saída de Ipatinga para Santana do Paraíso, é um dos que figuram entre os estabelecimentos com maior número de roubos. Somente este ano foram quatro assaltos. O prejuízo total é estimado em R$ 800. Gerente do local, Dimas dos Reis Pimentel trabalha há 32 anos em postos de combustíveis.
Para ele, a situação atual é “mais tranquila”. “Sempre nos alertaram quanto à prevenção. Em 2009, chegamos ao ponto de sermos assaltados oito vezes em 15 dias. Agora, instalamos um sistema de monitoramento de câmeras. Depois disso, já faz dois meses que não somos atacados”, recorda.
Dimas conta, ainda, que outra medida adotada para reduzir o número de roubos foi alterar o horário de funcionamento. O local atende até às 22h. “Tomamos essa decisão porque os assaltos, em sua grande maioria, aconteciam durante a madrugada. E a maioria deles (assaltantes), acredito eram usuários de drogas. Há um posto policial a cerca de 800 metros e, quando suspeitamos de alguém, ligamos para lá”, ressalta.
Wesley Rodrigues

O sistema de monitoramento por câmeras é uma das medidas adotadas pelos postos de combustíveis
Policiamento
O gerente de outro o posto localizado na avenida Guido Marlière, entre os bairros Iguaçu e Jardim Panorama, Jailson Mendes, lembra que há três anos o estabelecimento não é assaltado. Para isto, porém, foi necessário reduzir o horário de atendimento até às 22h. "Além disso, o policiamento no bairro tem sido constante, e o sistema de câmeras contribui muito para afastar os assaltantes”, comenta.
Em outro posto, na avenida Juscelino Kubitschek, bairro Jardim Panorama, Júlio César Lopes afirma que o local não é atacado por bandidos há quase dois anos. Ele credita o aumento da segurança à unidade policial localizada em frente ao estabelecimento e, ao Olho Vivo, programa que foi desligado na última semana sob a alegação de queda na receita do município.
“Lembro que, no último assalto, foi levado R$ 130. Funcionamos 24h, mas contratamos um segurança particular, além de instalar câmeras. Há todo um conjunto que, graças a Deus, nos tem evitado desses assaltos”, conta o funcionário do posto Gentil.
“Medo”
O frentista Jackson José foi uma das vítimas do último assalto registrado ao Posto Ale do bairro Vagalume, há dois meses. Segundo ele, foram minutos de terror vivenciados por quem nunca passou por uma situação como essa.
“A gente se assusta. De uma hora para outra, eles chegam nervosos e armados e anunciam o assalto. R$ 60 foi levado naquele dia. Hoje, mesmo com as câmeras e uma segurança maior, quem passou por isso tem medo – principalmente no cair da noite. Quem não precisa trabalhar como frentista, opta por outra área de trabalho”, resume o funcionário.